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31 de out de 2013

adeus ano velho

Outubro é o mês em que, finalmente, percebe-se que outro ano acabará sem trazer grandes novidades. Trouxe alguma? Para o país, certamente não, se me permitem opinar. O picadeiro segue firme, forte, montado. A única mudança, se é que teremos alguma, é um novo embate de leões na jaula. O domador conseguirá segurá-los? Duvido. Canários talvez ajudem caso ganhem um campeonato. Improvável, porém.

Vejo as pessoas falando de 2014. O ano da Copa do Mundo no Brasil. O ano no qual o Circo será maior do que jamais foi: eleições, manifestações, embates, interpretações, manipulações. O ano em que, dizem, o Brasil mudará. Onde pega a senha para ganhar nariz de palhaço, pelo amor dos deuses?


Nós somos engrenagens substituíveis do sistema. Sejamos realistas. A grande maioria de nós é dispensável e substituível. Somos gado. Vinte e quadro são as horas de um dia. Recomendam dormir oito. Trabalho? Quarenta horas semanais, oito diárias. Já se foram dois terços do dia. Restam magníficas 8 horas para todo o resto. Oito fucking horas! Para ficar no trânsito, ir ao mercado, comer, estudar, praticar esportes, assistir TV, trepar, ouvir música, tomar banho, ir ao teatro e ao cinema, encontrar os amigos, etc. E há quem se surpreenda por estarmos estressados, sedentários, cada vez mais burros, infelizes.

Trabalhamos demais e trepamos de menos, esse é o problema da humanidade. Sempre fazendo planos para ganhar mais dinheiro e comprar mais coisas. Eu, pessoalmente, acho isso um equívoco. Nosso, não de quem montou o sistema e, de fato, se beneficia com ele. Lamento informá-lo, classe-mediano que sonha em passar em um concurso público: você não é o topo da cadeia alimentar. É, no máximo, uma peça que pode ser substituída. O equívoco é seu, ao acreditar que está se beneficiando do sistema.

No meu mundo imaginário, o criador do sistema deseja que tenhamos cada vez menos tempo. Quer que sonhemos com o salário de 20 mil, aquele que nos permitirá viajar para o exterior nas férias, ter o último iPhone, trocar o carro. O seu conceito de felicidade é ganhar muito dinheiro e não ter tempo nem para trepar com seu cônjuge ou ficar com seus filhos? É se matar de estudar para aquele concurso concorrido, depois passar o resto da vida em um trabalho que te subestima ou do qual você não gosta?

Boa sorte. Seja feliz em 2014, torça pela nossa lastimável seleção, acredite que sua vida mudará com as oportunidades que virão com a Copa, vote em algum candidato igual aos outros. O sistema agradece. Panis et Circenses e falta de tempo – logo, falta de reflexão e questionamento – trarão grandes mudanças. A indústria farmacêutica continuará lucrando com males causados pela vida moderna, estresse, sedentarismo, má alimentação... enquanto a escassez de tempo é domesticada pela necessidade de gerar riqueza para que o topo da pirâmide possa continuar no topo.

Ilusão é assim mesmo. Muitos se imaginam beneficiários enquanto poucos recebem os reais benefícios. Capitalismo sempre foi assim. Escravismo e Feudalismo também. Todos os sistemas, em realidade, funcionam dessa forma. Eles não mudam: quem deve mudar somos nós.

Tempo, para mim, não é dinheiro: ele vale bem mais do que pagam por ele. Neste novo ciclo, tempo é o que quero. Para ler, escrever, estudar, dançar, lutar, dormir, amar, viver. Trabalhar sim, com coisas nas quais acredito e que me façam feliz – sem essa de colocar o dinheiro antes da realização pessoal.

Como hoje se comemora o Ano Novo e meu conceito de felicidade é um pouco diferente, tenho grandes projetos para 2014: um jardim com girassóis e um cão. Eis meus planos diabólicos pro ano da Copa e do Circo (desculpa, eleições).







JABÁ: Já conhece a Sociedade Lacustre? Acesse, assista aos vídeos. Conheça o Plano Piloto como ele é, em tempo real, sem edição para parecer bonitinho e esconder os defeitos. A verdade nua e crua. Se for morador do Plano Piloto, antes de ficar ofendidinho, lembre-se: é o Plano Piloto sob as minhas lentes, apenas (e eu não coloquei carapuça em ninguém...)