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5 de nov de 2013

reis do quê mesmo?

Minha irmã gêmea, sobrevivente dos meus 20 e loucos anos, queria escrever uma carta para o "rei do camarote"... mesmo sabendo que ele é muito importante vip e jamais leria qualquer coisa escrita pela plebe. É que a capital do país está cheia de “reis da balada”, desses que acham que toda mulher sonha com uma Ferrari. Há as que sonham... e há as que, como eu, preferem os Porsches (alemãzinha e fã de James Dean, fazer o quê?). Estou falando do carro, não do motorista ok. Carro por carro, quero MEU Porsche e não uma Ferrari. É, sou uma mulher invejosa, mal amada, egoísta: quero as MINHAS coisas, não as alheias. Já sonhos com o motorista...  dependem de quem ele é e independem do que ele dirige (consigo até dirigir meu próprio carro até a casa do gato, vejam só!).

Antes de qualquer outra coisa, devo dar parabéns. À Veja São Paulo, por me dar aquela estranha sensação de vergonha alheia. Juro! Quando me deparo com essas coisas, em veículos de comunicação, tenho vergonha de ter feito graduação em Jornalismo (as bizarrices da Publicidade ficam para outro dia). Parabéns, sobretudo, ao autor dos 10 Mandamentos! Moço, você conseguiu uma façanha dupla! Saudades do Thor Batista! Saudades da Bíblia! Ambos menos risíveis... Sabe como é, chutar cachorro morto é covardia.


Sabe uma coisa? Mas aí eu acho que é pesado falar. Eu já transei com mulher na balada. No banheiro. Fora dele também. E com homem. Sabe como é, já vivi meus 20 e loucos anos. Solteira e monogâmica (na maior parte do tempo, a última opção). Universidade Federal, época de experimentação. De tudo. Sexo, drogas, rock n’ roll. Rodinhas de violão na Praça dos 3 Poderes. Rodinhas de violão no Pontão. Rodinhas de violão everywhere. The Doors, sinuca, fumaça e um CA subterrâneo qualquer. Os pés sujos da vizinhança...

As pessoas faziam sexo. Sem dramas. Foda-se. De vez em quando, aparecia um babaca. Muitos, como em qualquer lugar. Deal with it and no mimimi. Aprende-se cedo que nós, quebrados classe-medianos não herdeiros, temos que ter personalidade. Ou não ter nenhuma e seguir a manada, a depender do caso. Seja como for, me amarão ou me odiarão por quem eu sou – sorry, moça desprovida de bens. Não sei nem como pagarei o cartão de crédito, ou seja...

Nada tenho, senão meu cérebro e meu corpo. Acho que é pesado falar, mas nem toda mulher bonita na balada está à venda. Algumas (e conheço várias!), gostam de se jogar na pixxxta, conhecer gente de verdade, sabe? No mínimo, ganhamos novos amigos. Muita gente prefere uma Hering básica baratinha e gosta de dirigir o próprio carro, inclusive. Champagne é para os fracos, gostamos de Bourbon! Entretanto, te entendo. Eu não sou seu alvo, o tipo de companhia que você busca.

Deve ser difícil ser desinteressante. Você já pensou em fazer análise, terapia? Quais são as causas dessa falta de auto-estima? Suas ações e suas falas entregam o que seu sorriso de botox tenta esconder, meu caro. Não sei se é o caso mencionar, mas acho que você poderia usar um pedacinho do dinheiro que gasta em baladas e fazer análise, terapia... e, se achar isso uma bobagem, ou coisa de invejoso, contrate um personal stylist pelo amor de Cher! É um pecado ter tanto dinheiro, comprar marcas fodas, e, ainda assim, vestir-se tão mal! Por gentileza, mude de esteticista/dermato/cirurgião/whatever: para um milionário de 39 anos, o senhor está bem acabadinho viu?!

Especulações... mas se você pode especular que sou invejosa, posso especular que talvez, se você não tivesse levado aquele fora na quarta série, as coisas tivessem seguido um rumo diferente. Talvez, hoje, você estivesse satisfeito dirigindo algo mais modesto... um Audi? Um TT, pelo que vejo em minha cidade, dispensaria os seguranças, não os interesseiros. Se tens muitos convidados, amigos e mulheres... Afinal, o que há de surpreendente em transar na balada? Não viveste seus 20 e loucos anos?

Talvez você ache surpreendente que alguém queira fazer sexo com você. Tenho cá minhas dúvidas, mas acho que alguém que está acostumado a pagar para ter companhia não deve saber muito do que a palavra tesão é capaz. Ou do que um bom papo é capaz, no caso de amizades que não envolvam sexo. E sabe uma coisa? É meio pesado dizer... eu, assim como outras pessoas, não temos inveja de você. O que temos chama-se pena.

Nada de Veuve Clicquot para impressionar quem não gosta da gente. Somos chatos. Não precisamos impressionar ninguém. E gostaríamos de saber quanto você paga, por exemplo, à sua empregada? Curiosidade, apenas. De alguém que sim, gostaria de ter 50 mil para gastar como quisesse agora – mas que ao menos o faria de forma menos ridícula. Moço, você é rico, pelo amorrrr contrate um assessor pessoal... Quer ser um looser poser? Posa pelo menos de milionário com consciência social... está na moda, sabia? Umas aulinhas de português também pegam bem nesse momento em que se discute a educação no país.


Mim não faz nada. Porém, se mim fizesse alguma coisa, mim te daria um conselho. De grátis (eu sei, você não está acostumado a receber nada gratuito... tente entender como é). Tira férias, vai pra Mikonos e Santorini, Bali, Ibiza... Colega, tens dinheiro até para escalar o Everest! Reflita sobre ser patético e faça algo a respeito, for God fucking sake! Nem todo mundo vai lamber seu saco por causa da sua conta bancária, viu? E os que fizerem isso sem que haja dinheiro envolvido são aqueles com os quais poderá contar > fica a dica.

Ou ignore tudo que eu disse, afinal sou uma pobre invejosa.





NOTA: o que penso sobre as senhoritas que dão ibope para estes “reis das baladas” está implícito em quem sou. E moças: querem ser sustentadas? Ao menos arranjem ricos com cérebro e amor próprio. OH WAIT...







LEITURAS RECOMENDADAS:

Show do ridículo? NESSE TEXTO o autor conseguiu expressar bem o que penso dos pobres Alexandres, reis de camarotes.


Leia ALEXANDER, O GRANDE - E viva o neobarroco brasileiro! É pela ostentação que nos tornamos uma verdadeira catedral de nós mesmos, a ser consagrada por fiéis admiradores.

Caso se interesse por uma leitura mais social do tema – não está claro que gente apanha nas ruas para sustentarmos mais reis do camarote? – aconselho a leitura DESSE TEXTO





UPDATE: 
O babaca do camarote já está dizendo que era tudo brincadeira e que é tudo falso (leia sobre isso AQUIAQUI e AQUI). O que foi? Ficou com vergonha alheia de si mesmo? Fake ou não, deixo o texto exatamente como foi publicado. O motivo é simples: não me importa se esse reizinho em questão é fake ou não, pois já tive o desprazer de conhecer vários que são idênticos (releia o 1º parágrafo do texto). É, eles existem. E esse breve texto, para quem não entendeu, é sobre eles.

Nosso reizinho, para completar, é agressor de mulheres (leia AQUI). Não me surpreende, afinal esse tipo de cidadão trata as pessoas como coisas e costuma não ter nenhum respeito por mulheres, sejam elas daquelas que eles classificam como "interesseiras" ou não. E me dizem que exagero quando afirmo que é para fugir e ficar longe desse tipo de homem...