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16 de dez de 2013

masters of sex

Há quem assista novelas e reality shows... e há quem, como eu, seja aficionada por séries. Está chegando ao fim da primeira temporada de um novo vício adquirido em 2013. Não é sobre sexo, mas é sobre o ser humano e a sociedade – sexo não os definem, mas o modo como lidam com ele diz muito sobre quem são. Essa é Masters of Sex, série estreante em 2013 e na qual já viciei.

Não é simples falar de sexo sem resvalar em clichês, mas a série, versando sobre a era pré-revolução sexual, consegue surpreender mesmo utilizando estereótipos conhecidos em narrativas sobre algum tema batido. Estão presentes, por exemplo, dois perfis femininos claros, centrais. De um lado, a esposa controlada e submissa, do outro, a mulher divorciada, com filhos para criar e que vê o sexo como fonte de prazer. Também estão presentes, entre outros, o pai de família gay enrustido, o doutor garanhão, a prostituta sarcástica, o médico sexualmente reprimido. Nenhum desses estereótipos, entretanto, soa falso ou fora de lugar. Ao contrário, constroem bem a sociedade daquela época.

A confusão na mente do Dr. Haas, ao perceber que a mesma mulher que faz loucuras com ele na cama o chama de amigo na vida social cotidiana... sua reação agressiva, em uma discussão, dando um soco no rosto de Virginia... estas coisas (e tantas outras presentes na série!) mostram o choque do homem daquela época diante da mulher à frente do seu tempo (qualquer semelhança com dias atuais não é mera coincidência!).

Masters of Sex conta a biografia do obstetra William Masters e de sua assistente, Virginia Johnson – vanguardistas no estudo da sexualidade humana nos Estados Unidos. Por meio do relacionamento entre o par, a série explora o furor e a surpresa das descobertas. As cenas de sexo são, ao mesmo tempo, realistas e sutis. A produção de época é um charme à parte. A série consegue tirar atenção dos corpos nus e transportar-nos para a sociedade americana das décadas de 40 e 50. Naquela época, preconceitos, tabus e hipocrisias limitavam da vida privada à própria ciência (qualquer semelhança com o século XXI não é mera coincidência!).

Apesar de abordar um tema considerado tabu (até hoje minha gente, até hoje!) e de não dispensar cenas de relações sexuais, a série consegue colocar o sexo como algo acessório diante da complexidade das personagens e das relações interpessoais. Paradoxalmente (ou não!), as personagens não existem dissociadas de seu sexo, de seu gênero e de seu papel naquela sociedade. A transgressão e/ou a manutenção do status quo estão presentes em cada personagem – com o positivo e o negativo que cada um destes papéis possa ter, sem grandes maniqueísmos ou lições de moral.

Masters of Sex é baseada em um livro que não li, portanto não falarei dele (consulte o Google se quiser informações sobre isso!). Posso falar apenas sobre a adaptação para a TV após assistir aos 11 primeiros episódios (são 12 nessa primeira temporada que está acabando). Atores nos papéis certos, confortáveis com a pele (da personagem!) que estão habitando. Fotografia, cenografia, figurino, edição... tudo está bem cuidado na série, mas não seriam convincentes, por si só, sem atores que imprimissem veracidade às personagens e um roteiro bem feito.

Seja para puro entretenimento, seja para fazer um comparativo antropológico com a sociedade atual... Série recomendadíssima.






>Se não tem HBO em casa, a série pode ser baixada com facilidade AQUI e AQUI, além de assistida online AQUI.

>Para quem gosta de ler, uma dica de livro que fala de sexo é ESTE, do João Ubaldo Ribeiro - coloquei até link para o pdf lá hein... não tem desculpa para não ler este livrinho delicioso sobre a Luxúria (e, consequentemente, sobre o ser humano).