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6 de dez de 2013

nostalgia e incompatibilidade (musical?)

Há muito tempo atrás, em uma galáxia distante, escrevi um pequeno texto irrelevante sobre coisas que me brocham na hora H. Nenhuma daquelas coisas deixou de ser brochante e, ao contrário, acho que minha tolerância a elas inclusive diminuiu. Tesão negativo, apenas.

Estes dias estive pensando: incompatibilidades musicais são motivo para um affair não seguir em frente? Como lidar quando a pessoa é uma delícia, mas gosta de ouvir sertanejo, funk e axé? Fator brochante detected, eu diria. A verdade é que acho bastante desanimador entrar no carro de uma pessoa, por exemplo, e a trilha sonora ser Jorge e Mateus ou Anitta. Meus ouvidos doem. Dependendo do tempo que eu for exposta ao som, posso desenvolver dor de estômago e outros desconfortos.

Não sou uma daquelas gentes pseudo cults chatas que só ouvem Chico e Debussy. No meu i-pod podem ser encontrados, entre outros: Rammstein, Pantera, Therion, Cazuza, Monobloco, Seu Jorge, Setrak, Hossam Ramzy, Wagner, Beetoven, Madonna, Shakira, Britney, Norah Jones, James Brown, Miles Davis, Pink Floyd, The Doors, Adele, Farofa Carioca, Ana Carolina, Blur, Lauryn Hill, Bauhaus, Bob Marley, Blitz, Loreena McKennitt, Mutantes, Queen, Placebo, Ofra Haza, O Rappa... enfim, essa pequena listinha já dá um bom exemplo de que o negócio é bastante eclético e que ouço de tudo, depende do humor e da situação.

Ressalva seja feita: os únicos estilos musicais que consigo ouvir a qualquer hora, em qualquer situação, com qualquer bom ou mau humor que eu esteja, são o jazz, o blues e as clássicas (ocidentais e orientais). Todos os outros estilos dependem do dia, hora, local e razão. O leque de coisas que ouço sem incômodo, musicalmente, é imenso. A pessoa precisa gostar de ouvir justamente aquelas coisas que não suporto? Murphy deve rir sozinho nesses momentos.

Brochei. Quase brochei. Não brochei. Quase brochei de novo. Desconheço o status atual de brochada. Me importo? Talvez outros fatores sejam mais brochantes que uma incompatibilidade musical. Ou não. A carne é fraca e poesia oral não é feita de palavras. A ironia e a dubiedade da última sentença soam imperceptíveis para qualquer pessoa que não a tenha escrito, confesso. Me importo?

Ao mesmo tempo em que pensava sobre isso, tive uma iluminação súbita (#ironicfeelings). As crianças, musical e culturalmente, estão sendo expostas somente a porcarias (cada vez mais porcas, eu diria). Desde quando? Não sou uma mocinha ingênua – sei que há, entre outras coisas mais sutis, reforço a papéis de gênero. Não quero discutir isso, assim como não quero discutir o sexismo de comerciais ou o sexo dos anjos assexuados.


Incompatibilidades musicais do presente me trouxeram certa nostalgia musical da infância, somente. Não apenas. Mas somente.