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18 de dez de 2013

o negócio

Em 2013, foram muitas as séries que entraram na minha vida – algumas delas não terão direito a uma segunda temporada, ao menos não para mim. Anos 80, vampiros, serial killers. Assuntos diversificados no cardápio de seriados que gosto de assistir. Sobre sexo, foram duas as novidades do ano: O Negócio e Masters of Sex. Aqui no Brasil, essas duas séries passaram na HBO e, para mim, foram as grandes surpresas de 2013.

Escrevi sobre Masters of Sex AQUI – já que, inevitavelmente, acabarei fazendo alguma referência à série, recomendo a leitura prévia. Fica a critério do leitor. Aviso a quem gosta de seriados que nem toda surpresa é boa ou positiva. O Negócio foi a decepção do ano. Meu pensamento quando via as chamadas na HBO era “nossa, parece interessante”. Comecei a assistir e dá-lhe surpresa ruim.

Enquanto Masters of Sex consegue tirar o foco de atenção das cenas de sexo e nos transportar para a época, para como era tratado esse tabu... bem, a coisa menos pior de O Negócio são as cenas de sexo. Algumas soam, inclusive, falsas. Tentou-se uma sutileza que não acontece, um realismo que diversas vezes soa inverossímil. Se nem nas cenas de sexo os atores convencem...

O elenco é, em geral, um equívoco – a começar pela protagonista: Rafaela Mandelli não convence no papel de Joana/Karin. Suas companheiras no tal negócio, Maria Clara/Luna e Magali, vividas pelas atrizes Juliana Schalch e Michelle Batista, são possivelmente as únicas atuações convincentes, juntamente com o Oscar (par de Luna, vivido pelo ator Gabriel Godoy). O resto... eu diria que, de vez em quando, aparece algum coadjuvante convincente, quase sempre algum cliente das moças. As atuações, em geral, parecem forçadas.

Masters of Sex surpreende, positivamente, com estereótipos presentes em narrativas com temas batidos. O Negócio, ao contrário, conseguiu a proeza de estereotipar os estereótipos e, em diversas ocasiões, torná-los obsoletos, não críveis, sem personalidade. Clichês não se resumem às personagens, porém. Até mesmo o marketing e a publicidade acabaram sendo clicherizados, estereotipados. O roteiro, em suma, é ruim e não apresenta muitos desenvolvimentos interpessoais. Uma história pessoal com personagens impessoais.

Sobrevivi ao ritmo de narrativa sem agilidade, arrastado. Resisti às atuações pífias de um roteiro ruim. Agüentei a edição mal feita (em alguns momentos, parece ter sido feita com pressa). A fotografia, às vezes, deixa a impressão de não ter sido pensada, pesquisada, feita com capricho. O figurino? Nada de especial, bom ou ruim. Sim, assisti a todos os episódios – esperança é a última que morre, não é isso?

Chega-se ao final sem que haja conquista. O Negócio, definitivamente, não me conquistou. A esperança de que a série melhorasse foi morrendo a cada episódio (alguns, inclusive, não consegui assistir inteiros). O mercado da prostituição de luxo é um tema que poderia ser explorado de variadas formas. A idéia da série era muito boa. O resultado? Não valeria, em minha opinião, uma segunda temporada.







>Leia AQUI uma resenha sobre a série que saiu à época do lançamento/estréia – hoje, após a já finada primeira temporada, devo discordar do autor dessa resenha: não é interessante de assistir nem na meia dúzia inicial de episódios<