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26 de dez de 2014

au revoir


“Para se tornar quem você quer ser, você precisa sacrificar quem você é”

...Será?...

Só sei que já não sou mais. E aproveito o ano novo para dizer que o tesão (em escrever aqui!) se foi. Não me reconheço mais neste endereço, embora esteja em todas as linhas aqui rabiscadas. Aproveito o ano novo para me desligar da blogosfera. Aviso por consideração, afinal há leitores que passam para ver se tem novidade. Agradeço pelas visitas ao longo desses anos. Obrigada pelas dezenas de visitas diárias. Os textos permanecerão publicados para consulta – de repente, podem ser úteis aos que aparecerem aqui por acaso.


Au revoir.






NOTA: caso alguém esteja se perguntando, já que ainda faltam alguns dias para o 1º de janeiro... meu ano novo começa hoje, data do meu nascimento. E é esse o ano novo que, de fato, me interessa. E, embora eu saiba para onde quero ir, não tenho a menor pretensão de saber para onde vou. Quer me presentear? Sugestões AQUI. Quer presentear a humanidade? Sugestão AQUI – o desejo para 2014 continua atual como desejo para 2015.


31 de out de 2014

a banalidade do mal

Alexander Soljenítsin (1918-2008), escritor russo, autor do monumental “Arquipélago Gulag”, escreveu que os piores vilões de Shakespeare já não metiam medo aos homens do século 20. Os relatos de Soljenítsin, que sofreu na pele os crimes do regime soviético, demonstram o perigo e a tragédia do momento em que a ideologia substitui a consciência.

(...)

Na era moderna, em especial no século passado, a política adquiriu cores de uma religião – ou de uma fé. Os modernos movimentos ideológicos de massa substituíram e aniquilaram a moral. Em nome de um ideal de sociedade, tudo torna-se possível: matar, roubar, mentir, corromper. Nada é pessoal. É tudo em nome do partido, da raça, da nação. Quando estamos munidos de uma ideologia, é possível eliminar da agenda moral a consciência do mal como parte de nós mesmos.

Václav Havel (1936-2011), escritor e político checo, ressaltou que a ideologia é uma forma ilusória de se relacionar com o mundo. Ela oferece os seres humanos a ilusão de uma identidade, de dignidade, de pertencimento e torna mais fácil a aceitação. Ela permite que as pessoas enganem a sua consciência e que a ocultem de si mesmos. É um véu, atrás do qual os seres humanos podem esconder a sua própria existência caída, sua banalização e sua adaptação ao coletivo. É uma desculpa que todos podem usar – desde o verdureiro, que esconde seu medo de perder o emprego por trás de um alegado interesse na unificação dos trabalhadores do mundo, até o mais alto funcionário público, cujo interesse em permanecer no poder pode ser camuflado em frases sobre o serviço para a classe trabalhadora e para a sociedade. A principal função da ideologia é, portanto, proporcionar às pessoas a ilusão de que a sociedade está em harmonia com a ordem humana e em rumo linear à salvação.

Considerações semelhantes foram feitas por Hannah Arendt (1906-1975), filósofa política alemã de origem judaica. Em tempo: quem puder, assista ao filme de Margarethe von Trotta. Ela narra especificamente os anos da vida de Arendt em que ela assistiu ao processo de julgamento de Eichmann e relatou sua experiência para os leitores da revista “The New Yorker” – que depois se transformou no livro “Eichmann em Jerusalém – um Relato sobre a Banalidade do Mal” (Companhia das Letras).

(...)

Quando foi convidada para acompanhar o julgamento, Arendt já era uma filósofa renomada, especialmente pelo livro “Origens do Totalitarismo“, de 1951. Nessa obra, ela realçou a singularidade do totalitarismo como nova forma de governo baseada na organização burocrática de massas e apoiada no emprego do terror e da ideologia. Hannah Arendt coloca o nazismo e o stalinismo diante do mesmo tribunal – uma novidade para a época – e ressalta que as origens dos totalitarismos do século 20 estavam nas ideias, nas convicções e nos ideais, tanto das elites como dos povos.

No entanto, após assistir ao processo de Eichmann, Arendt teve certeza de que suas explicações anteriores não bastavam para esclarecer a transformação de um cidadão comum em um assassino genocida. O totalitarismo tinha sido possível não somente graças a uma tropa – mas graças a personagens quaisquer e banais, facilmente dispostos a abdicar sua faculdade de pensar em prol da fidelidade ao grupo ou do projeto político que tanto defendiam.

O que mais impressionou nos relatos de Arendt foi a caracterização de Eichmann. O tenente-coronel nazista não foi descrito como um monstro ou um exaltado. Se assim fosse, sua loucura poderia explicar o horror de seus atos e o manteria afastado das pessoas comuns, diferente de nós. Mas não. Era um banal – um primo, parente, amigo, acolhedor e colega. Era um cidadão comum – disposto a praticar atos monstruosos em nome da sua ideologia. O monstro cede lugar a um funcionário medíocre, um arrivista incapaz de refletir sobre seus atos ou de fugir aos clichês burocráticos.

Nada disso serve de desculpas, ressalto. A culpa original de Eichmann é usar a fidelidade ao grupo como justificativa para suprimir a capacidade de pensar. Graças a isso ele se torna capaz de agir como se não existissem considerações morais. Obedecia a ordens, sem considerar as implicações delas. Ao tornar-se instrumento do funcionamento coletivo, ele abriu mão de sua individualidade e do diálogo com sua consciência.

Como ressaltou Contardo Calligaris, psicanalista italiano radicado no Brasil, há algo na dinâmica de nossa subjetividade que faz com que parar de pensar seja uma tentação constante, como se qualquer desculpa (ideológica, por exemplo) fosse boa para fugir da solidão, que é a condição do diálogo moral de cada um com sua consciência. Calligaris afirma que “o coletivo (a nação, o partido, o sindicato, a torcida, a gangue, o grupo adolescente de amigos, a própria família) não oferece apenas ideologias e desculpas: ele fornece uma função para cada um de seus membros. Com isso, não preciso pensar para decidir minha vida – preciso apenas preencher minha função. É bom o que é funcional ao grupo – ruim, o que não é”.

(...)

A história do século 20 ensinou que não há nada mais opressor do que tornar a humanidade em um projeto, que sempre será imposto de cima para baixo. A necessidade de criar o novo homem e de promover o bem comum está nas raízes de todos os totalitarismos do século passado. Criar nova sociedade por meio de um projeto político sempre exigirá que se esvaziem dos indivíduos todas as suas verdades e necessidades “egoístas” em nome da coletividade, que será representada por um partido ou por um condutor das massas – em certos casos, por ambos.

É apenas o foro íntimo que coloca os freios à banalidade do mal. Qualquer ofuscamento do indivíduo representa a morte da moral e da consciência. Pensem nisso antes de agitar uma bandeira, aderir a movimentos de massa, vestir a camisa de um partido ou de um clube. Deixem de usar a primeira pessoa do plural e comecem a escutar a primeira pessoa do singular: o solitário e insubornável “eu”.


*o texto acima não é de minha autoria e pode ser lido na íntegra AQUI



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27 de out de 2014

o saldo das eleições: luto

É tanto absurdo absurdante que tive o desprazer de ler nessa terra de ninguém – conhecida também como internet – ou presenciar ao vivo e em cores... que só me resta o luto. #R.I.P.racionalidade #R.I.P.lucidez #R.I.P.respeito Uma pena que respeito esteja em desuso – e que hipocrisia esteja tão ‘na moda’ (e de todos os lados!). Defendem a democracia pregando preconceito, ódio e pensamento único? Really?

Crianças mimadas que não sabem perder... Crianças mimadas que não sabem ganhar... Parabéns! Continuem canonizando candidatos e partidos com essa paixão cega inexplicável que cala qualquer razão. Iludidos, continuem preocupados com o destino do Lobão, o nariz do Aécio, a gagueira da Dilma... Talvez a fantasia transforme magicamente o que move a máquina e o Brasil se torne um conto de fadas. Ou o cérebro dessas crianças está em greve?

Continuem empobrecendo qualquer debate sério com rótulos. Coxinhas. Petralhas. Playboys. Comunistas. Infectados. Gayzistas. Reacionários. Continuem destilando preconceitos mesquinhos contra nordestinos ou, quem sabe, contra paulistas. Burros, todos eles. Continuem repetindo ad nauseum, como crianças birrentas, coisas como “chupa” ou “chora” ou pedindo a separação do país daqueles “nordestinos burros e miseráveis”. Isso lhes traz algum regozijo perverso?

Sabia que esses rótulos contribuem para a desumanização do outro? Dessa forma, não vemos o outro como um ser humano, com direitos, sonhos, planos, medos e esperança... Ah, esses jogos de palavras usados para denegrir e diminuir quem pensa diferente! O eleitorado se perdeu em meio a ofensas e discussões/argumentos sem sentido. Os próprios candidatos, alguns mais do que outros, esqueceram que o debate é feito de ideias e não de acusações pessoais...

Eleitores de Dilma não necessariamente são comunistas comedores de criancinhas e eleitores de Aécio não necessariamente são elitistas conservadores neoliberais. Muitos, em ambos os casos, são. Outros apenas tem uma visão diferente para alcançar o mesmo fim. Outros, ainda, votam coagidos por medo de perder o que conquistaram – seja um cargo, uma bolsa ou o lucro de sua empresa. Todos, porém, tem o mesmo direito de escolher o candidato que quiserem – e essa escolha, por mais que nos pareça péssima ou por mais que não seja de fato uma escolha, sim uma coação, não nos dá o direito de agirmos como seres primitivos, odiosos, indecentes e estúpidos.

Pessoalmente, acho mais do que equivocada a reeleição de Dilma. Gostaria de estar errada, mas prevejo tempos difíceis para o Brasil – econômica, social e institucionalmente. Gostaria de estar errada, mas prevejo que não teremos avanços em relação aos direitos humanos e das minorias. Gostaria de estar errada, mas prevejo crises graves nos próximos anos – política, econômica, institucional e social. Gostaria de estar errada, mas quem vai pagar a conta disso tudo é essa mesma população que reelegeu Dilma, com ênfase nos mais pobres e humildes.

"There's no such a thing as a free lunch". O projeto social do PT tem uma falha grave: não é economicamente sustentável. Alguém ou algo tem que pagar essa conta e, seja quem for, é um agente econômico que, como tal, depende da estabilidade econômica. Que me desculpem os crédulos, mas o PT já demonstrou ser incompetente nessa área (a economia)... Como defensora das causas sociais e por não acreditar que Dilma possa ser diferente de Dilma, votei no PSDB – e exatamente para salvar as condições econômicas que possibilitariam dar continuidade e sustentação aos projetos sociais iniciados na Era FHC e melhorados na Era PT.

Gostaria de estar errada em todas as minhas previsões – mas sinto que, no futuro, muita gente se arrependerá do ovo de serpente que ajudou a chocar... Espero estar errada. Até lá, que as pessoas possam comemorar ou lamentar sem serem babacas. Sabiam que dá para argumentar e defender seu lado sem ser babaca? Que dá para discordar sem babaquice e xingamentos/ofensas gratuitos aos outros? Que dá para ficar indignado ou muito feliz sem a necessidade de baixar o nível e misturar preconceitos mesquinhos à indignação ou à felicidade? #R.I.P.racionalidade #R.I.P.lucidez #R.I.P.respeito Uma pena que respeito esteja em desuso – e que hipocrisia esteja tão ‘na moda’ (e de todos os lados!).



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Democracia birrenta








21 de out de 2014

2º turno entre sujos e mal lavados

Deixemos de lado competências municipais, estaduais e federais – afinal, isso não é uma aula de direito constitucional... Também deixemos de lado competências do legislativo, do judiciário e do executivo pelo mesmo motivo. Na dúvida, tem um pdf da nossa carta magna AQUI e o Google existe – use-o!!! (e se duvidar de qualquer coisa que está aqui exposta, use o tal do Google e pesquise... juro que não dói)


A imagem acima, por enquanto, é a única que vi compartilhada em redes sociais que se aproxima do verossímil. É tanta bizarrice, tanta coisa retirada de contexto histórico nacional e internacional... tanto #reginaduartefeelings... Que a vontade se divide entre correr para as montanhas e recomendar cirurgias corretivas oftálmicas. Essa queda de QI – generalizada! – que tem acometido as pessoas nessas eleições é preocupante...  

Está indeciso quanto ao seu voto no próximo dia 26? Compare o sujo com o mal lavado e não leve a sério o que nenhum militante de nenhum dos dois lados diz. Afinal, para o pessoal que perdeu os óculos seu escolhido é o retrato da perfeição e a solução para todos os problemas, enquanto o outro é o demo. Ademais, estude a constituição e entenda: sozinho, o presidente não pode resolver ou piorar coisa alguma... Esse eterno país do futuro por acaso é uma ditadura? Existem as tais divisões de competências sabe...

Mais uma palavrinha para os indecisos (e para os adeptos do discurso do MEDO): Bolsa Família. NENHUM, repito, NENHUM!!!, presidente é louco ou burro ou idiota de acabar com esse programa no curto e no médio prazos. Políticos não são bonzinhos e, sejamos honestos, também não estão preocupados com a situação do povo (caso de fato se preocupassem, isso aqui não seria mais esse país pobre de gente deseducada né...). Políticos se preocupam com eles mesmos e já sabem que o Bolsa Família e outros programas sociais lhes dão apoio. Logo, sejamos realistas: NENHUM seria retardado de ser eleito e acabar com esses programas – ao contrário, a tendência é mantê-los e quiçá ampliá-los e/ou melhorá-los, já pensando nas eleições de 2018.


Aécio é o candidato do capital? Ok. E Dilma favoreceu deliberada e efetivamente o capital. Dilma representa a esperança de reforma política? Really? Mas o PT aprofundou alianças com os setores retrógrados do sistema político brasileiro em defesa da governabilidade e não realizou nenhum movimento em direção à reforma política... nem mesmo quando, em junho de 2013, a conjuntura social favorecia o rompimento com esses setores e a reforma política. Na época, o PT e o governo Dilma preferiram estreitar as alianças espúrias e apoiar a repressão às jornadas de junho. Se hoje Aécio faz alianças com membros de setores retrógrados visando ser eleito, o PT faz isso há 12 anos visando à governabilidade. 

Dilma defende como uma importante conquista social e econômica o aumento do consumo... Mas esquece deliberadamente (ou ignora) que não foi empreendida a reforma tributária, que não foi criado o Imposto sobre Grandes Fortunas, que não foi auditada a dívida pública, que a parcela rica da população permanece rica e a parcela mais rica permanece riquíssima, e que vivemos em um momento (planetário!) no qual não devemos expandir o consumo, mas sim criar estratégias de justa distribuição da riqueza e promover o decréscimo e a redução do consumo.

No governo Dilma o ensino superior continuou se expandindo? Ok... só que a maioria das instituições de ensino superior, que são privadas, oferece uma educação de péssima qualidade, cujo fim é a formação de mão-de-obra semi-qualificada e barata para o mercado de trabalho e nosso nível de analfabetismo funcional entre portadores de diploma de curso superior é altíssimo! Sem falar que estamos sempre entre os últimos em testes internacionais que medem a qualidade da educação dos níveis fundamental e médio...

A exploração do pré-sal é garantia de um futuro melhor para o Brasil? Hahaha... faz-me rir! É imprescindível e urgente adotarmos uma nova matriz energética, além de desenvolvermos e investirmos em fontes de energia renováveis e não-poluentes (hello mudanças climáticas!). E as políticas energético-desenvolvimentistas do governo Dilma estão aprofundando a devastação sócio-ecológica e desrespeitando os direitos das comunidades tradicionais. Outra coisa: o novo Código Florestal, retrocesso para o meio ambiente, por acaso foi aprovado no governo do PSDB?

No governo Dilma a área cultural recebeu investimentos em toda a cadeia produtiva? Risos né. Dilma nomeou, para o Ministério da Cultura, Ana de Hollanda, que promoveu um profundo retrocesso no setor, em relação às conquistas das gestões de Gilberto Gil e de Juca Ferreira. Dilma representa os interesses e os direitos da população LGBT? Essa população passou os últimos 4 anos desamparada pelo governo Dilma, durante o qual foram revigorados os laços com o conservadorismo religioso no Congresso Nacional, políticas públicas LGBT’s existentes ou planejadas foram extintas e novas políticas públicas efetivas não foram criadas. No caso de políticas públicas para os direitos das mulheres, houve mais retrocesso do que avanço e os poucos avanços devem-se à atuação da militância, não ao governo.

Numa área que me interessa, a Política Externa, Dilma efetivamente fez o que de bom? Cri...cri...cri... Barão do Rio Branco se revira no túmulo, só digo isso. Uma área na qual existia uma política de Estado e não de governo... na qual a excelência na formação dos quadros dava o tom... Descarrilhamento e desdirecionamento geral e irrestrito! Só falta mesmo ter indicação política para fazer parte dos formuladores de política externa, em vez de estudar muito para isso... Oh wait, já querem fazer isso ...

Aécio será melhor do que Dilma nisso tudo? Não sei e há sérias dúvidas... Mas não posso falar nada sobre ele como presidente. Não posso compará-lo a FHC, como não posso comparar Dilma a Lula. É necessário que haja contextualização histórica-econômica-social, nos níveis nacional e internacional, para tecer quaisquer comparações. O Brasil (e o mundo!) de 2014 não pode ser comparado, levianamente e sem contextualização, com o Brasil dos anos 90 ou do início desse século. Posso comparar Dilma com Dilma, apenas. E se eu acreditasse que Dilma será diferente de Dilma, talvez considerasse votar nela... mas deixei de acreditar em Papai Noel há tempos. Que me desculpem os cegos ou usuários de alucinógenos pesados, mas esse país imaginário do pleno emprego, da inflação sob controle e sem pobreza, no qual a saúde, a educação, a mobilidade, a segurança, a geração de energia e a infraestrutura vão bem... olha, esse não é o mesmo país no qual vivo. 

A verdade é que ambos, Dilma e Aécio, estão de mãos dadas com o capital, com setores retrógrados, com fundamentalistas religiosos, com a corrupção. Ambos mentem – sobre si e sobre o outro. Ambos exageram – sobre si e sobre o outro. Ambos insistem em comparações que não podem ser feitas sem que haja uma contextualização histórica-econômica-social, que leve em consideração o nacional e o internacional. Ambos só chegaram onde chegaram por indicações – de amiguinhos e/ou de familiares. Ambos tem telhado de vidro cheio de rachaduras. Ambos terão uma situação difícil a enfrentar para colocar o Brasil nos eixos e um congresso que, no mínimo, dará trabalho.

Porém, entre continuar com Dilma e tentar com outro, fico com o outro – e, exceto Levy doido Fidelix e pastores de qualquer raça, eu ficaria com qualquer outro. No caso, é Aécio. Poderia ser Marina, Luciana, Eduardo... Continuar com o relacionamento atual, que vai mal, com desrespeito, falta de confiança, abusos e agressões não né... Se o próximo pode ser pior, igual ou melhor, por que continuar com o que está ruim? Se fosse um namoro/noivado/casamento, seria mais racional e pragmático continuar com quem é bacana no discurso e nas aparências, mas só dá desgosto... ou tentar com quem tem grandes probabilidades de dar desgosto, mas pode acabar surpreendendo e sendo bacana?

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NOTAS:
- não sou militante de nenhum partido, não votei em Aécio no 1º turno e não falei da presidência de Aécio por um motivo óbvio: ele nunca foi presidente e, portanto, não posso falar dele como chefe do executivo federal. Não falo de hipóteses do que poderia ser... só do que foi ou é.
- voto em Aécio, agora, pelo mesmo motivo que me levou a votar em Lula em 2002: quem está aí já deu o que tinha que dar, então troquemos (preferiria, entretanto, testar e dar chance a um novo partido... mas parece que a maioria não...).
- para refletir: por muito menos nosso coleguinha Collor sofreu impeachment...
- algumas partes desse texto são de autoria de Fabiano Camilo e foram retiradas DAQUI.


12 de out de 2014

les enfants qui sont morts

A gente sabe que a criança morreu quando não acredita mais. Cedo ou tarde, cinismo e descrença batem à porta, entram sem pedir licença. C’est la vie. Nada se pode fazer quanto a isso. O mundo traz o óbito, as pessoas apenas enterram o cadáver. Aos pouquinhos, sem que se perceba, crianças morrem diariamente. Petrificam, talvez.

O tempo, bom ou ruim, passa. Esgota-se. Se fim ou começo estão próximos, ninguém sabe. Às vezes, o telefone toca. Às vezes, os toques provocam leve taquicardia, ou falta de ar, ou quem sabe um suspiro alimentado pela decepção. Apenas uma vela acesa, que vai encolhendo. A parafina, ela termina. O pavio vai junto. Apaga-se a chama.

Saudade. Do quê? Aquela presença na ausência. O que diria se pudesse? Um sorriso, um abraço forte, o silêncio. A fala seria esta. Mesmo? Talvez uma lágrima completasse o discurso. Diálogos que seguem silenciosos. (In)felizmente. Não se sabe ainda a causa mortis, enquanto algo ainda sobrevive, intacto.

Vem aqui, dialoguemos em silêncio. Sem parênteses. 

moi... hier?... aujourd'hui?... demain?...

Só uma necessidade. “Me desculpe, errei”. Só. Para aquele sorriso, aquele abraço forte, aquele silêncio. O da presença. “Está tudo bem”. Prometa que não fará mais isso e estamos conversados. Não é assim o perdão? A presença é a confirmação dele. Um beijo, um afago e não se fala mais nisso. Não era assim quando éramos pequeninos seres crentes e dialogávamos em silêncio com nossos pais?
 
A gente sabe que a criança continua viva quando ainda há crença. Sorrisos sinceros e bobos, sem rancor. C’est la vie. Nada se pode fazer quanto a isso. O mundo desaba, as pessoas apenas retiram o cadáver dos escombros. Aos pouquinhos, sem que se perceba, crianças ressuscitam diariamente. Brincam, talvez.

O eterno je ne sais quoi do futuro. Incerto. Inocente e pueril. Vivo no brilho dos olhos e no sorriso. Infantil crença (burra?). A realidade pode solapar sonhos? Ou recomece sempre e molde a realidade?




>obra de ficção baseada em fatos reais, domésticos ou não, portadora de figuras de linguagem<





6 de ago de 2014

sou ryca!!!

Senhoras e Senhores, graças ao PT, descobri que a maioria das pessoas com as quais convivo são praticamente milionárias! Pessoal, não reclamem de não conseguirem nem pagar aluguel: vocês também são riquíssimos! RYCASSSSS!!!

São uns piadistas mesmo... De acordo com essa classificação da SAE, alguém que more sozinho e ganhe 2,5 mil reais pertence à altíssima classe alta. Gostaria de propor uma experiência para esses piadistas: tentem pagar aluguel, educação, transporte, alimentação, água, luz, telefone, produtos de limpeza, vestuário... (e sem incluir supérfluos!) com 2,5 mil reais. D.U.V.I.D.O. (e, depois de tentar isso sozinhos, tentem fazer isso tendo filhos para criar!)

Classe alta deveria incluir supérfluos, certo? Agora, caros piadistas, incluam em sua contabilidade o pagamento de internet, idas a bares e restaurantes, uma viagem de vez em quando, gastos com carro (pois classe alta não usa transporte público por aqui), TV a cabo, alguma atividade física/academia, convênio de saúde, remédios quando houver necessidade, curso de idiomas... Esses piadistas conseguiriam viver bem, confortáveis, sem aperto, com 2,5/3 mil reais? D.U.V.I.D.O.




Uma conta rápida: aluguel médio de uma quitinete nas áreas centrais da capital (a altíssima classe alta vive em áreas nobres, certo?) sai por mil reais. Agora tente com os 1,5 mil que sobram pagar o resto das contas e incluir supérfluos... Aham, senta lá! Nem falo em casa própria porque é impossível essa classe altíssima, mesmo os sortudos que ganham uns 5 mil por mês, comprar um imóvel em área nobre...

Viajando pelo Brasil – o que inclui interior de 4 regiões – jamais acreditei nessa conversa para boi dormir de que a classe média brasileira tinha aumentado exponencialmente. O que vi por aí é muita pobreza, gente se virando para ter o básico do básico e olhe lá. Eis o milagre da multiplicação: classificar como classe média quem não consegue viver com o mínimo de condições dignas e como classe alta quem chega apertadíssimo ao final do mês. Que alegria! Estamos RYCOOOSSSS!!!

E não entendam errado, não quero mais pobreza – ao contrário, gostaria que todos fossem, de fato, classe média e pudessem, no mínimo, ter acesso com folga ao básico descrito no 2º parágrafo. E sejamos honestos: se já está difícil para quem eles chamam de altíssima classe alta, imagine para o resto...


Mas já que estamos RYCOOOOSSSS... a hidratação com champagne dessa semana será onde mesmo?

30 de jul de 2014

sobre peso

Por tudo que já li (e não me refiro a revistas de moda e dicas de celebridades) e por tudo que já ouvi (de médicos, nutricionistas, biólogos, educadores físicos, etc), não caio na armadilha de defender a obesidade como algo saudável. Sejamos honestos, sem hipocrisia: obesidade não é saudável a médio e a longo prazos (cadê estudos científicos que digam que sim?)... mas... diversos hábitos de pessoas não obesas também não são saudáveis e podem trazer problemas de saúde a médio e a longo prazos (ou não?). Portanto, me impressiona a que nível nojento chega a gordofobia que está impregnada na sociedade.

Ontem liguei a TV enquanto almoçava e descobri que gordos não servem para ser professores. Há gente sendo reprovada em perícia médica por causa do peso! Expectativas futuras de que a pessoa possa vir a ter algum problema de saúde são impedimento para assumir o cargo? Questiono: magros não podem vir a ter algum problema de saúde futuramente? Se ambos, magros e obesos, podem futuramente ter problemas de saúde, por qual motivo só um dos grupos é reprovado na perícia médica?

Juro, tive indigestão assistindo aquilo... Gritei mentalmente sozinha “Como assim?!!! Que absurdo é esse?!!!”. Perca peso e aí você pode ser um bom professor, é isso mesmo produção? Posso dizer que fiquei indignadíssima? Gordofobia institucional é too much para a minha cabeça... (e tenho nojo de uma coisa dessas #prontofalei) Enquanto isso, milhares de pessoas (especialmente mulheres) sofrem de problemas relacionados à auto imagem... E como não? A moda chama essa mulher da foto abaixo de plus size!!!!!


No outro lado da balança, temos a anorexia. “A sociedade ao longo dos tempos sempre procurou estabelecer padrões estéticos e comportamentais aos seus indivíduos. Estes padrões variam de cultura a cultura e vão se alterando, pressionando as pessoas a se adaptarem de maneira a serem aceitas. Atualmente, há uma divisão de padrões estéticos, entre o corpo malhado de grande massa muscular e a referência da moda, muito magra e alta. O bombardeiro da mídia com esses padrões esteticamente perfeitos tem reflexos como a venda desenfreada de suplementos e medicamentos emagrecedores, intervenções cirúrgicas e a prática de atividade física desordenada, entre outros. Nesse contexto, no qual impera uma ditadura estética, há um crescimento de distúrbios relacionados à alimentação e à imagem”.

Isso não é inocente – nada no que diz respeito a padrões estéticos e comportamentais é inocente. “Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”, diz Naomi Wolf em O Mito da Beleza. Portanto, antes de aderir a dietas da moda ou não se aceitar, pense um pouco. Cuidar da saúde, se alimentar de forma mais saudável, não ser sedentário... tudo isto é ok e o corpo, nosso templo sagrado, agradece – mas a quem interessa toda essa obsessão pelo corpo perfeito? A quem interessa que haja tanto foco no corpo pela estética, não pela sua funcionalidade?


Deixo, por fim, um trecho do texto Mulheres Famintas: “A insatisfação das mulheres com suas medidas e com sua imagem é permanente, e um profundo sentimento de inadequação se estabelece em suas vidas fazendo com que se sintam sempre impossibilitadas de sentir-se bem com seus corpos e imaginando que jamais corresponderão a um ideal de beleza que não tem nada a ver com elas. Um tempo e uma energia sem fim são desperdiçados dedicados às dietas, medidas, roupas, dietética e cosmética.” E quem ganha com isso, definitivamente, não são as mulheres.


Leia também:





Dica de Filme: Tem filhos ou pretende ter? Não tem filhos, mas acha ridículo proibir a publicidade voltada para crianças? Assista a esse documentário e tente parar para pensar e refletir só um pouquinho vai... Bem interessante, e levanta diversas questões que vão bem além do peso (inclusive aquela parte que ninguém quer admitir - a omissão parental - de delegar a educação e o cuidado com seus filhinhos à "babá tv/internet/videogame"...)

20 de jul de 2014

dia do amigo

Dizem que hoje é Dia do Amigo. E existe um dia específico para celebrar e relembrar amigos? Desnecessária essa data. Amigo é aquela pessoa de todos os dias e de dia nenhum. Explico. Ou não. Tempo e distância são coisas inexistentes nesse negócio chamado amizade que, ao contrário do que dizia o poeta, é um amor que morre sim.

Pessoas se afastam por inumeráveis motivos – quase todos ligados a mudanças. Muda-se de cidade, emprego, país, continente, estado civil, opinião, humor. Todas essas mudanças não são, per se, motivos para a morte. O que provoca a morte é a adição de ingredientes como falsidade, traição, insensibilidade, egoísmo... Quem nunca teve um amigo que morreu por algum desses temperos?

Aceita a morte que dói menos. Fique em luto se necessário. Não se pode mudar os outros, apenas nossas reações a eles. De repente, esse amor que nunca morre apenas definhou até morrer e ninguém percebeu – ou fingiram não perceber. Pouco importa. Perder tempo com isso é deixar de usar esse tempo com quem está vivo.

Já que dizem que hoje é dia do amigo, balance a árvore da amizade para que caiam as maças podres. E só. Não vale a pena perder tempo com elas. Melhor ganhar tempo com aquelas pessoas com quais se pode ser. Os vivos. Aqueles com quais se pode ser quem se é, com todos os defeitos e qualidades que isso implica. E isso não significa que os vivos sempre devem concordar com tudo ou passar a mão na cabeça – o nome disso não é amigo... amigo é outra coisa.

Amigo é aquela pessoa cujas imperfeições combinam com as nossas. Sintonia pura e simples, que tempo e distância não são capazes de apagar. Que queremos bem (e que nos querem bem) apesar de. 


13 de jul de 2014

A Final, afinal (metáforas)

Antes de tudo, um pequeno aviso, ou lembrete – fica à escolha de quem o receber. Não comemorem o final da Copa e não vociferem a decadência da seleção. Eleições vem aí! A baixaria e a humilhação nem começaram. Corre-se o risco – grande! – de daqui a pouco estarmos com saudades da Copa... Ai que saudades de quando as postagens nas redes sociais eram brigas, discussões, versões, torcidas, distorções, verdades, mentiras... etc... Que saudades de quando era tudo sobre futebol.

É amigos... nas vésperas da Final debates acalorados sobre cotas raciais eram cortados de edições de programas de TV (e com justificativas pífias – ah, vá... no lo creo...)... E essas prisões com a justificativa de prevenir ações que pudessem perturbar a ordem pública no dia da decisão? Sabe quem pode ser preso para prevenir possíveis ações? Todo mundo. Todos. Ou não podemos, todos, amanhã cometermos um crime? O que garante que, amanhã, a mais sã das pessoas não possa surtar e matar alguém? Oi?

A desonestidade, ela não tem limites. Saudades de quando a paixão cega era o futebol. Prevejo eu mesma dizendo isso daqui a alguns meses. Ou semana que vem. Na verdade, os parágrafos antecedentes entregam. A saudade, ela já começou a existir. De onde vem o interesse para que não haja nenhum debate verdadeiro? "Numa terra de fugitivos, aquele que anda em direção contrária parece estar fugindo"... É, T. S. Eliot talvez estivesse certo.


O que interessa é algo mais simples. É TETRAAAAA!!! E a Argentina hein... palmas para eles também. Caíram de pé. Dois times guerreiros até o fim. Festa alemã e bico, cara emburrada – vaias para vocês, Messi, Dilma. Cara de criança mimada que ficou sem doce. Fique feliz pelo coleguinha, ele se esforçou mais do que você. Aprenda com ele e cresça, ao invés de desejar a queda alheia ou ficar de bico. Levante-se.

TETRAAA!!! Já a vi ser campeã duas vezes. Torci muito em ambas. Em 90, a direitista wannabe que festejava a queda dos comunistas e que, curiosamente, se transformaria na esquerdista wannabe manifestante que ia para a rua pedir a queda do capital. Ficou a imagem do Bial ao vivo, apresentando a queda do Muro de Berlim. O festejo, o orgulho. Antes de entender intelectualmente, eu já entendia psicologicamente... Cresci ouvindo meus avós e suas histórias.



Quando entendi, intelectualmente, o que tudo aquilo significava... Nossa! Hoje, festejo e orgulho maiores ainda. E mais genuínos do que no Tri. Daquela época, ficou até hoje o arrepio que o show The Wall me provocou quando assisti... (se há um show no qual eu gostaria de ter estado presencialmente, é esse). O arrepio daquele campeonato, repetido. Dessa vez, eu não vestia a camisa da seleção e não torcia agressivamente. Tranqüilidade. A vitória era certa...

Coração tranqüilo. Agressões não ganham o jogo. Tão pouco só o trabalho bem feito. Fica claro que, em momentos de definições, quem ganha o jogo é o emocional. Ele, que não é nem só coração e nem só cérebro. Ele, que envolve racionalidade e resiliência absurdas. E, enquanto escrevo esse texto, brasileiros provocam argentinos e várias brigas entre rivais são registradas no Rio de Janeiro... Desnecessário esse tipo de coisa, assim como a polícia sendo violenta para conter protestos. A vida era menos insalubre quando não existiam notícias em tempo real na internet.

Curioso que, mesmo com todo o avanço das tecnologias de comunicação e com o aumento das fontes emissoras, a maioria das pessoas continue desconhecendo muitas coisas... Curioso que a maioria continue com aquela velha opinião formada sobre tudo. Põe todo mundo para fumar um baseado e proíbam o álcool – certeza que haveria queda dos índices de agressividade sociais. Duvida?  

Depois de Tieta, os alemães ergueram a taça e em seguida divulgaram vídeo de agradecimento ao Brasil. Ações que fazem parte de um contínuo. O isolamento não combina com a nova Alemanha – país ou seleção. As marcas tem muito a aprender com eles. Nós, enquanto país ou seleção, também. Um pouco mais de jeitinho alemão vai bem, obrigada. Até a Merkel estava sorridente, gente!

Recebam vaias e aprendam com elas. Caiam. Parem. Respirem. Reflitam. Levantem. Aos pouquinhos. Amadurecendo a cada passo. Reinventando. Reconstruindo. Renascendo. Coincidência que as nações mais bem sucedidas, historicamente, sejam as mais resilientes em cada época? Coincidência que, sempre que apelam demais para o belicismo e para a megalomania, caiam? Algumas aprendem com o fracasso, outras não. Pessoas são assim também.

Individual e coletivamente, sejamos mais alemães. No que eles têm de bom. A perfeição não existe. Nossa fraqueza é a força deles, e vice-versa. Apenas nos esquecemos de nossa força e, ao mesmo tempo, não nos espelhamos na força alheia – ficamos presos a um mito de potência que não passa de uma lenda urbana. O país do futuro que nunca chega. O país do futebol que fede. Chega né... Menos crença e mais pragmatismo, por favor. Em tudo. Sem esquecer qual nossa força.

That’s all folks. Fim dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa. Se eu voltar a escrever sobre o mundial, será em tom nostálgico... Já que a ressaca (eleições) vem aí, conheça o relatório Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil. E já que falávamos de Alemanha e há quem tenha o mau gosto de fazer piadinhas com nazismo... faça um favor ao universo, leia Origens do Totalitarismo***, da Hannah Arendt... e reflita. Passado, presente, futuro. Lá, cá e everywhere. Observe. Algumas coisas mudam, outras permanecem. Interna e externamente.

Escolhas. Conscientes ou não. Escolha.


Leia também
A máscara do gigante



"Presta atenção nas pausas, as pequenas, que inesperadamente o destino te concede. Um dia, 'o-que-virá' surgirá assim." (Friedrich Doldinger)



***sobre ‘Origens do Totalitarismo’: Escrita em 1951, esta obra trouxe contribuição fundamental para a compreensão do totalitarismo, tanto no caso soviético, com a luta de classes, como no nazismo, com a luta de raças. Hannah Arendt apresenta um quadro completo da organização totalitária, a sua implantação, a propaganda, o modo como manipula as massas e se apropria do Estado com vistas à dominação total. A sua crítica da razão governamental totalitária ainda hoje é pertinente, numa época onde vigoram regimes com estas características e a democracia liberal não afastou por completo os vestígios de uma ideologia de terror que torna o homem supérfluo. Com a sua lúcida análise, percebemos por qual motivo o campo (de concentração) se encontra no âmago do totalitarismo.
No final, Arendt deixa uma “profecia” desconcertante: “As soluções totalitárias podem muito bem sobreviver à queda dos regimes totalitários sob a forma de forte tentação que surgirá sempre que pareça impossível aliviar a miséria política, social ou econômica de um modo digno do homem.”



9 de jul de 2014

Vergonha (metáforas)

Não é segredo qual era (e continua sendo!) minha torcida nesta Copa. A seleção que, para mim, apresentava o melhor futebol, educação, classe, assessoria de imprensa e que estava sendo a miss simpatia dessa competição nunca foi a brasileira. Quem ganha é quem está mais preparado, não quem tem ego, choro, megalomania... Deram um show de futebol e, fora dos gramados, demonstram respeito e civilidade (coisas que estão em falta por aqui).



Vergonha, caros patriotas que agora queimam bandeiras, não é perder de 7 a 1. Vergonha é que os vencedores respeitem nossa seleção mais do que os próprios brasileiros, aqueles que são brasileiros com muito orgulho e com muito amor apenas na vitória. Vergonha tenho dessa gente que queima a própria bandeira por causa de futebol... e dessa gente que agride torcedores adversários por comemorarem uma merecida vitória... e dessa gente que ataca ônibus, saqueia lojas, promove a violência... e dessa gente que agora xinga e ofende os jogadores do seu país, esquecendo que, bem ou mal, já estão entre os 4 melhores times do torneio. Isso tudo é comportamento de criança mimada que não sabe perder viu! 

Brasileiros mostram suas fraquezas fora de campo... (e não, não estou falando da seleção). E nas redes sociais, gente que eu julgava ter algum conhecimento e alguma cultura geral, tem defecado coisas como “melhor perder uma Copa do que duas guerras mundiais” (e outras piores falando de nazismo, holocausto e o escambau). Vergonha dessa gente também – custa pesquisar um pouco, usar o pai Google? Até 1870/71, nem existia Alemanha... no século XX, por causa das duas guerras, o país foi destruído duas vezes. E nós, independentes desde 1822, com esse território imenso, cheio de riquezas, sem grandes guerras... chegamos onde? Olhar para o próprio umbigo ninguém quer né.

Pesquisando e comparando a situação alemã e a brasileira em tudo... acho, ACHO, que eles ganham... e com uma vantagem maior do que 7x1 viu. A Alemanha goleia o Brasil dentro e fora de campo. E, de repente, falta à seleção brasileira e ao nosso país uma coisa que sobra na seleção alemã e no país deles: projetos de médio e de longo prazo... Não se constrói um time vencedor, muito menos uma nação vencedora, pensando no curto prazo.


Essa Copa foi e continua sendo super valorizada – para o bem e para o mal. O futebol é um fenômeno social. É impressionante como um esporte mobiliza tanta gente, promove tanta interação social, une povos... E, ao mesmo tempo, impulsiona reações desproporcionais como depredação de patrimônio, violência, etc. Será que não passou da hora de repensar o peso que o Brasil dá a esse esporte? Tomar resultados de campeonatos como parâmetro do próprio orgulho e auto estima é um pouco demais, não?

A incrível geração que não sabe perder. Essa torcida que vaia a própria seleção quando está perdendo e aplaude o adversário quando está ganhando é a mesma que se abstém de responsabilidades na sociedade em que vive. A Copa serviu para expor isso várias e repetidas vezes, jogo após jogo. Esta derrota, principalmente pela forma que se apresentou no pós-jogo, pode servir para o brasileiro tomar consciência de sua realidade, de si mesmo? Gostaria que sim, embora acredite que não.


Leia também:


texto sobre David LuizEnfim, um homem sensível



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

7 de jul de 2014

Virose (metáforas)

Vírus é aquela coisa chatinha que vai se espalhando sem muito controle até que identificada a causa de seu espalhamento, até que surja uma vacina... e o país está contaminadíssimo por uma virose chamada Copa. A contaminação ficou mais forte, insuportável e fora de controle desde que o santo foi quebrado. Tadinho dele... continua com seus milhões, sua Marquezine e foi alçado ao patamar de santidade.

A FIFA não vai punir o colombiano que fez a falta em Neymar e tem muita gente revoltadinha com isso. Todo jogador que agride deslealmente o outro pelas costas deve ser banido do futebol... é mesmo? Bom saber! Por essa lógica, o próprio Neymar (e tantos outros!) já deveria ter sido banido há tempos. Não é só porque é Copa que o cidadão é canonizado ok – existe inclusive todo um processo para a canonização junto ao Vaticano e neymala é tudo, menos santo.

"onde está Wally?", oops... onde está Neymar?

Sinto muito por ele? Lógico. A entrada nele foi dura e covarde, sofrer uma lesão é uma merda (e deve ser uma merda maior ainda isso acontecer no meio de uma competição importante!)... mas ele vai se recuperar, continuar ganhando seus milhões e fazendo suas macaquices. Faz parte. O curioso é que parece que outros esportes não existem e que tudo vai ótimo na terra da fantasia.

No mesmo fim de semana em que se decidiam os semi finalistas da Copa, um outro brasileiro competia pelo título de campeão. Lyoto perdeu a luta, mas jogou muito! De repente, o colombiano deu uma joelhada achando que estava numa competição de MMA... vai saber. De qualquer forma, tenho um questionamento: por que Neymar virou o coitadinho nacional e, na época, Anderson Silva virou motivo de chacota?

Na véspera da joelhada, tivemos mais um episódio de Lula on acid. O grande molusco novamente fazia declarações sob efeitos de alucinógenos (preferia quando ele bebia...). Faz todo sentido. Lula está on acid faz tempo – infelizmente, muita gente também está (on acid e vivendo de pão e circo). Tem jogo? Foda-se o resto. Fala-se mais no santo quebrado do que na queda de um viaduto que provocou mortes. O que são mortes se #vaitercopa, não é mesmo? Vírus forte esse viu...



Tadinhos dos jogadores milionários vítimas da violência de outros jogadores... Enquanto isso, fodam-se as vítimas de outra violência: a violência da corrupção, do descaso, da falta de fiscalização e de controle dos bens públicos, da ganância e da sede de poder dos políticos e da vergonha em que se transformaram as obras públicas. Corrupção mata e se transformou em uma doença endêmica no Brasil. Viadutos não caem por acaso; caem por obras mal planejadas e mal executadas.

Do que estão precisando para acabar com o boboalegrismo em torno da maravilha que está sendo essa Copa no país da procrastinação da infra-estrutura? Que caia um avião no estádio durante a final? Que parte de um estádio caia?





That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

2 de jul de 2014

Balanço da virada (metáforas)

Julho começou com muitas (in)definições.

Empate entre Europa e América nas quartas de final – o novo e o velho mundos com o mesmo número de representantes. Que me desculpem aqueles que, nas oitavas, torceram contra os colonizadores malvados... mas eu não consigo, por exemplo, torcer por time de país governado por ditador ou no qual direitos de minorias (mulheres e LGBTs, mostly) sejam mais desrespeitados do que por aqui.

Aliás, por que eu torceria para um país que não é o meu e com o qual não tenho nenhuma ligação jus solis ou jus sanguinis? Só para torcer contra algum outro? Só para vaiar algum outro? E que papelão vaiar o hino alheio hein... Expresso minha torcida publicamente. Empolgação maior com Alemanha do que com Brasil – por motivos vários, incluindo o futebol. 


Essa Copa já me rendeu muitas risadas causadas por (in)diretas. Uma pessoa vira e diz para outras, do meu lado e em voz alta, que acha ridículo brasileiro torcer para outra seleção ganhar a Copa... mimimi... blábláblá... “não torce pro Brasil, mas torce pra outra...”... mimimi... blábláblá. Tentou me dar uma “lição de patriotismo”, mas... Que deselegante dizer que é ridículo uma cidadã alemã torcer pela seleção alemã né... desculpa minha dupla nacionalidade

Além das quartas de final definidas, julho começou com Barbosão saindo de cena, beijo gay na novela que não assisto, retrocessos para os direitos reprodutivos femininos nos EUA, Aécio definindo vice, Sarkozy sendo detido... e, piada das piadas, secretário-geral da FIFA se dizendo preocupado com a embriaguez nos estádios (ué, mas não foi a FIFA que exigiu que se vendesse cerveja? Agora agüenta...). E cadê as manifestações durante a Copa? Acontecendo, e a galera apanhando – nada de novo no front.

Parêntese: não sou entusiasta nem eleitora do Aécio (e está difícil ser entusiasta e eleitora de quem quer que seja...). Porém, acho engraçado ver a militância do sagrado partido em polvorosa com a escolha de Aloysio Nunes pois, ao contrário do que pensam, esse vice está bem armado contra ataques da militância louca... Aguardem.

Toda festa muito grande vem com uma ressaca depois. Levando-se em consideração que eleições são o próximo capítulo... Todos tomaram seu engov antes da Copa? Há quem me julgue amarga, após essas metáforas do dia proporcionadas pela Copa... Que tal ler a série anterior a essa, as Pequenas Crônicas, antes de conclusões precipitadas?

Para quem, em tempos copísticos, só fala, pensa, acompanha e respira futebol, deixo uma pequena contribuição em forma de links sobre os assuntos que me chamaram atenção nessa virada de mês:

Copa do Mundo

As vezes em que a Copa foi cruel com elas – assédio, violência doméstica, estupro, machismo, exploração sexual... notícias que mostram que as mulheres são as maiores perdedoras do torneio.


Copa está mais bem organizada que Olimpíadas de Londres – o ponto principal, no entanto, não é o desempenho inglês, mas o preconceito contra países do sul.

Secretário-geral da FIFA diz estar preocupado com a embriaguez nas arenas – devido ao aumento da violência, não se descarta suspender venda de cerveja.

Não-Copa do Mundo

(antes de qualquer outra coisa, um assunto importantíssimo que vem sendo ignorado por aqui - e para o qual ainda não achei bons links em português) - recente decisão da Suprema Corte Americana
Could Hobby Lobby Affect Women Around TheWorld? , How Hobby Lobby Ruling Could Limit Access to Birth Control , Between the Lines of the Contraception Decision e Hobby Lobby is just the beginning –  retrocessos a vista para os direitos reprodutivos femininos nos EUA (agradeçam à Suprema Corte #sqn). Essa última década parece marcada por retrocessos nessa área (mundialmente falando) e o curioso é que os EUA são um país no qual tais direitos já estavam razoavelmente bem consolidados.

Espanha, a nova meca da maconha – os clubes de maconha proliferam na Catalunha, País Basco e em Madri como forma de ativismo.

Beijo de #clarina: expectativa x realidade – mais um beijo gay (causando polêmica para os defensores da moral e dos bons costumes), em mais uma novela que não assisto.

Sobre os 20 anos do Plano Real – este ano ainda ouviremos falar muito dos 20 anos do Plano Real, mas por motivos muito mais políticos e eleitoreiros do que por razões cívicas e históricas.

O fundamentalismo não é uma prerrogativa apenas do islamismo – a versão brasileira se materializa na difamação e perseguição sistemática da comunidade LGBT e de outras religiões, sobretudo as de matriz africana (só faltou falar da perseguição/pressão que os fundamentalistas tem feito contra os direitos reprodutivos das mulheres).

Imprensa cubana publica notícia sobre estupro pela primeira vez – a imprensa cubana publicou, pela primeira vez em meio século, uma notícia sobre a prisão de um estuprador (!)




That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.



NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.



28 de jun de 2014

Na torcida (metáforas)

Logo mais a seleção entra em campo contra o Chile, nas oitavas de final. Ainda não se sabe qual o resultado, mas já sabem qual minha torcida. Sem revanche contra o Anderson – de uma forma ou de outra, (seja qual for o motivo, a depender da interpretação de cada teoria conspiratória diferente), mereceu perder. Torço pelo Lyoto mesmo – é um lutador que admiro.

Era o que eu pensava enquanto pintava minhas unhas de verde. Estou na torcida pelo Brasil sim – não pela seleção. Faço eu minhas próprias unhas. Gosto. Acho terapêutico. Um sinal de que não estou bem? Passar mais de 2 dias com as unhas largadas de qualquer jeito – não consigo. Me dá tanta agonia quanto outras pessoas mexendo nas minhas unhas (mais um motivo para eu mesma arrancar bifes meus).

Chatice isso. Parece que, por ser brasileira, tenho obrigação de estar torcendo pelo Brasil e vibrando com os avanços da seleção. É compulsório vibrar com uma seleção na qual não acredito? (nem como time eu acredito gente...) Coisa mais falsa. Pois que perca – logo mais ou nas quartas. Por mais que eu goste da desculpa para encontrar amigos... Gosto mais do país – e o Brasil não merece esse campeonato, não neste momento.

Ainda assim, pintei as unhas de verde. Verde! Eu, que estou quase sempre com unhas vermelhas... Sinal de que estou torcendo por um atleta brasileiro sim. Um que eu admiro por diversos motivos diferentes, enquanto lutador e indivíduo (e se o tema fosse MMA ou artes marciais, me alongaria nas explanações... mas estamos em Copa!). Não gosto de assistir futebol nem como espectadora. Chato. Enfadonho. Prefiro patinação artística (no gelo), campeonatos e demonstrações de lutas, danças de variados estilos... vôlei... até campeonato de pôquer! 


Motivos pra torcer pelo Brasil? Lyoto. E posso falar uma opinião minha – pessoal e intransferível? No dia em que ele, de fato, incorporar o Mr. Miyagi... aí a porra fica séria! Aprendi a nunca, jamais, em hipótese alguma, subestimar um japa. Em nada. Historicamente, nem um americano. E, infelizmente, sempre um brasileiro. Então façamos nossas apostas.

A mezzo-alemã mezzo-brasileira, porém com alma italiana, (eu!), resolveu checar o Google – achei que era um pouco mais confiável do que o coleguinha que falou da luta no último jogo. Não era só em julho? É, só semana que vem... #xatiada Tudo bem. Justifico minhas unhas verdes, aos outros, dizendo que estou torcendo pelo Brasil. Afinal, de uma forma ou de outra, estou mesmo.



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

26 de jun de 2014

Velha Copa (metáforas)

Era um domingo qualquer. Da Copa. Eu, empolgadíssima com Bélgica x Rússia. Tão animada que saí para caminhar, sentar embaixo de alguma árvore, fumar um cigarro. Cazuza era a trilha sonora. Nossa,“amo a pessoa que inventou o mp3!” – era meu pensamento enquanto escolhia a música no ipod.

Quantas fitas cassete eu deveria carregar apenas para ter a quantidade de cazuzas que tenho no ipod? Quantos cds? A diferença que isso faz em viagens de carro... Santo inventor do mp3, declaro amor eterno a ti! Ao inventor do vaso sanitário também (by the way, provavelmente a maior invenção da humanidade!). Pensamentos dominicais que não cessaram no dia seguinte. Nem podiam.

Quem nunca teve que rebobinar fitas (cassete ou vídeo)? Well... muita gente. O verbo rebobinar ainda existe? Não bastava ter jogo da seleção na minha cidade – tinha que ter visita de parentes distantes. Estranhamente, fui simpática com todos eles (de verdade). É... sinceridade. Duplo fio. Cuts both ways. Como minha prima estava envelhecida! Minha sobrinha, filha dela, uma mocinha já. Eu olhava no espelho e não via a minha idade? Ou ela não aparecia aos meus olhos?

Fato é que a sobrinha... Deuses, como está grande! Linda! Ela refletiu melhor do que qualquer espelho: estou velha. G-ZUIZ! E as postagens dos coleguinhas naquela rede social? Selfies e demais fotos felizes no estádio. Jogo da seleção, né. Vamos ostentar! Puff... Uns, pareciam de fato felizes. Sorria com eles. Outros, tão verdadeiros quanto bolsas de marca da feira dos importados (ou da 25 de março, as you wish) – desses, rio.

Os coleguinhas que me chamaram a atenção, entretanto, foram os (alguns) da época do colégio (1º e 2º graus para nós, velhacos que não fizemos ensino médio). Nas fotos-ostentação diretamente do estádio nacional. Acho que uns poucos da época caloura-universitária também – esses, mais raros. O que aconteceu com os(as) gatos(as) da época do colégio? (os alguns) Cadê a gatice/gostosura desse povo?

Falamos de alguns, apenas. Mas... se nem os escritores (e demais articulistas das palavras, seja em que meio for) geniais são lidos... e se, nem quando lidos, agradam a todos... Ofenda-se quem escolher, deliberadamente, se ofender. No dia seguinte, meu choque era pensar que a época do colégio foi há quantos anos?... É. Um uruguaio morde um italiano, xingo algo em italiano gesticulando e ... A primeira vez que estive por lá foi quando?... É. Velhaca. Fim.

And yet... Ainda “somos tão jovens”. Que clichê. Às vezes, sinto que somos mais idealistas do que as gerações mais novas. Alguns de nós, apenas. Não há país no mundo que eu ame mais do que o Brasil. Inexistente. Relação de amor e ódio. Queria, do fundo do coração, que nossa seleção perdesse – se não nas oitavas, nas quartas. Quero, não nego, respondo às acusações de reacismo quando eu me importar com elas.



Sim, futebol faz parte da cultura brasileira – assim como machismo, racismo, ‘jeitinho’, corrupção, homofobia, prostituição infantil, violência doméstica... e tantas outras coisas bacanas. Embora eu goste da festa e de ver pessoas em festa, prefiro que as pessoas fiquem em luto (talvez isso as leve a refletir, talvez uma derrota da seleção sirva como gatilho, talvez...). Precisamos de mudanças – e sabemos que uma vitória do Brasil seria certeza de manutenção do sagrado partido.

Não sei quem virá ou poderia vir. Já votei no PT por precisarmos de mudanças – mais tarde, recobrei a razão. Continuamos precisando de mudanças e, convenhamos, o PT não será o motor delas... (nem PSDB, Dudu/Marina, e tantos outros que estão por aí...). O Brasil ganhar a Copa significa manutenção automática do status quo... Que ele ao menos seja sacudido ou leve umas mordidas.

De pouquinho em pouquinho... Quem garante que o Dia D (de Demolição), um dia, não chega? Desacreditá-lo logo de cara é que não gera nem cócegas... (e me chamam de pessimista, apenas por torcer para qualquer um, menos o Brasil, ganhar essa Copa?). De qualquer forma, desconsidere tudo isso que foi dito – ou não. Alguns dias de Copa e uma velha rabugenta e ranzinza, apenas. 



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.