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8 de jan de 2014

a ignorância do eleitor típico

Quando publiquei o trecho original, eleições estavam a caminho. Já que eleições estão a caminho novamente, fiz uma tradução (a esperança de que algum eleitor leia e pense antes de votar é a última que morre né...rs...). Toda e qualquer tradução perde um pouco do sentido do texto original, então para quem lê em inglês, leia AQUI.


A “IGNORÂNCIA RACIONAL” DO CIDADÃO TÍPICO*

O eleitor típico é, portanto, "racionalmente ignorante" sobre as escolhas que melhor serviriam ao interesse do eleitorado ou de qualquer maioria dele. Este ponto é mais evidente em eleições nacionais. O ganho de um eleitor por estudar questões e candidatos, até que fique claro qual voto é, verdadeiramente, em seus interesses, é dado pela diferença entre o valor para o indivíduo (ao invés da sociedade) do "certo" e do "errado" em resultados eleitorais, multiplicado pela probabilidade de que uma mudança de voto do indivíduo irá alterar o resultado da eleição. Uma vez que a probabilidade de que um eleitor típico mude o resultado da eleição é muito pequena, o cidadão comum em geral é racionalmente ignorante sobre assuntos públicos – seja um médico ou um motorista de táxi.

Às vezes, informações sobre assuntos públicos são tão interessantes que adquiri-las apenas por esta razão é válido; esta situação parece ser a mais importante fonte de exceções à generalização de que os cidadãos comuns são racionalmente ignorantes sobre assuntos públicos. Da mesma forma, indivíduos de algumas profissões especiais podem receber recompensas consideráveis ​​em bens privados se adquirirem conhecimento excepcional sobre bens públicos. Políticos, lobistas, jornalistas e cientistas sociais, por exemplo, podem ganhar mais dinheiro, poder ou prestígio a partir do conhecimento de assuntos públicos. Ocasionalmente, o conhecimento de políticas públicas pode gerar lucros excepcionais em bolsas de valores ou outros mercados.

O fato de que os benefícios da iluminação individual a respeito dos bens públicos são geralmente dispersos por todo um grupo ou nação, ao invés de concentrados sobre o indivíduo que carrega o custo de se tornar iluminado, explica muitos fenômenos. Explica, por exemplo, o critério "homem morde cachorro" do que é notícia. Se os telejornais fossem assistidos ou os jornais fossem lidos apenas para obter as informações mais importantes sobre assuntos públicos, eventos de pouca importância pública seriam ignorados e as complexidades da política econômica, assim como análises quantitativas de problemas públicos, seriam enfatizadas. Quando a notícia é, ao contrário, em grande parte uma alternativa a outras formas de diversão ou entretenimento para a maioria das pessoas, curiosidades intrigantes e itens de interesse humano são demandados. Da mesma forma, eventos que se desdobram de maneira suspeita ou escândalos sexuais entre figuras públicas são totalmente cobertos pela mídia. Funcionários públicos, muitas vezes capazes de prosperar sem dar aos cidadãos um bom valor para seus impostos, podem recair em um erro que é simples e marcante o suficiente para ser noticiável. Protestos e manifestações que possam ofender uma parcela significativa do público são notícias desviantes e, portanto, chamam a atenção para argumentos que de outro modo seriam ignorados.

A ignorância racional do eleitorado – e, portanto, das maiorias – significa que as maiorias frequentemente falham em enxergar seus verdadeiros interesses. Podem ser vítimas de predações que não percebem. Podem ser persuadidas por argumentos, superficiais e plausíveis, de que uma determinada política é do interesse da maioria ou da sociedade como um todo, quando na verdade só serve a algum interesse especial. Quando consideramos os incentivos voltados para grupos de interesses especiais, vemos que esse problema é muito grave.

*tradução livre de trecho do livro "Power and Prosperity", de Mancur Olson 





“Ao mesmo tempo, ele também diz que a habilidade de acumular riqueza é determinada pelo sucesso que os indivíduos podem ter na arena de competição política. Ganhar benefícios do Estado, ou ter o poder coercitivo do governo ao seu dispor, é mais importante do que ser um membro produtivo da economia.” – trecho do resumo que fiz desse livro. Se interessar, leia AQUI.