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30 de mai de 2014

o zumbi reincidente

Ele resiste a tiros, fogo, decepamento. Passam-se anos, criam-se distâncias, colocam-se até oceanos no meio... adianta? O zumbi reincidente sempre levanta do túmulo para perturbar de alguma forma. Usar a psicologia infantil e ignorar não funciona, mandar se fuder tampouco. Em algum momento, a volta dos mortos vivos acontece sem ter sido requisitada.

Quem são esses zumbis? O que os motiva? De onde vem e para onde vão? Do que se alimentam? Como escolhem suas vítimas? Como ficar imune aos seus ataques? Que arma funciona contra eles? Perguntas... algum médium se dispõe a receber Freud para que ele possa tentar respondê-las?

É cada coisa que olha... Estou quase pedindo para ser internada em um hospício, já que o mundo pirou e lá dentro pelo menos os loucos estão medicados. Um dos ataques zumbis mais recentes foi recebido por essa maravilha chamada internet. Duas linhas, apenas.

“Estou com um menino Lindo da Suécia, toda vez que beijo vejo você. Não tem como vc esta em cada toque”

Oi? Qual é o problema dessa pessoa? Qual a sua fantasia mórbida? A quem tenta convencer com isso? Até hoje tentando se enganar sobre a própria sexualidade? Já não passou da idade da negação não? Acha que isso excita alguém, além dele mesmo? Amiguinho, viva plenamente sua sexualidade sem precisar da aprovação alheia e sem precisar justificar nada. Principalmente, sem encher o saco que nem tenho, já que nada tenho a ver com isso.

No cenozoico, tive um relacionamento com esse morto vivo – e espero que ele finalmente pare de tentar se encaixar em um padrãozinho heteronormativo que, obviamente, não é para ele. Seja feliz e me esqueça! Sobretudo, pare de tentar preencher as expectativas alheias quanto a uma sexualidade que não é a sua – a única pessoa que você deixa de agradar fazendo isso é a si mesmo. 






NOTA: Achei estranho o ataque zumbi, afinal posso não ser a menina boazinha delicadinha estilo Sandy, mas estou à milhas de distância de ser, digamos, masculina. Um homem o faz lembrar de mim? Oi? Investigações posteriores sobre o assunto apontaram, entre outras coisas, que o menino lindo da Suécia é, na verdade, uma travesti. Uma loira linda. Então, coleguinha zumbi, pare de se referir a ela como “o menino”. Quer continuar negando a si mesmo? Ok, mas não negue a identidade alheia.



27 de mai de 2014

por que tirar a dança da dança?

Dança vai muito além da estética... das aulas fitness que tem se proliferado por aí. Dia desses, me deparei com um texto que diz um pouco do que penso sobre o assunto e achei que valia a pena a tradução. Deixo o original, 'Ballet-Themed' Workouts: Why Take the Dancing Out of Dance?, para quem lê em inglês. Segue minha tradução livre:


Hoje vi mais um daqueles anúncios ao lado do meu navegador, tentando me vender mais uma daquelas aulas de treino de balé-temático. Ele tinha todas as características habituais: uma foto de uma jovem instrutora, magra, uma referência a Cisne Negro, uma declaração sobre bundas tonificadas, e, claro, a promessa de "parecer" (não mover-se, sentir-se, ou ser) uma bailarina. Claro, este treino não conteria qualquer técnica de balé e, certamente, nenhuma dança real.

Como bailarina de longa data, fico desanimada com tais movimentos comerciais, que conseguiram tirar a dança da dança. Ainda mais importante, eu vejo essa tendência de "treino de barra" como um sintoma de uma cultura que ensina as pessoas – especialmente as mulheres – a ter um relacionamento com seus corpos só do lado de fora – como eles parecem aos outros – ignorando a experiência interna do movimento.

Lembro-me da afirmação do crítico de arte John Berger sobre ambos os assuntos, pinturas e vida: "Os homens atuam e as mulheres aparecem”. As mulheres não podem agir sem estar constantemente cientes de sua aparência para um observador externo. Embora eu certamente não diria que os treinamentos masculinos ignoram a aparência, podemos ver claramente que este movimento de fitness focado no feminino – especificamente reivindicando fazer alguém parecer uma bailarina sem agir como uma – desempenha a noção de que os corpos das mulheres importam apenas pela forma, não pela função.

Às vezes, fico realmente surpresa como a maioria das pessoas tem uma visão tão limitada do objetivo do movimento e dos corpos. Quando digo às pessoas que sou uma estudante de dança, ou que danço 25 horas por semana, uma resposta comum é: "Uau, isso deve ser realmente um bom exercício."

Exercício – Tenho que me segurar para não rir. Como bailarinos, passamos anos internalizando as nuances da técnica, aprendendo coreografias, engajando-nos em processos criativos, aprimorando a arte, e aprendendo a tornarmo-nos destemidos e emocionalmente expostos no palco.

Dizer que dança é bom como exercício é como dizer que programação de computador é bom para a prática de habilidades de digitação: claro, isso acontece, mas não é o ponto principal.

E enquanto eu adoraria que mais pessoas apreciassem a arte do profissional da dança, tão importante quanto é o papel que a dança pode ter na vida dos não-profissionais que nem sequer se consideram "bailarinos". A dança tem sido usada ao longo da história como uma forma de ligação cultural, experimentação religiosa, cortejo, narração de histórias e diversão. Então, por que devemos apagar tudo isso de nossas vidas para concentrar exclusivamente em bundas malhadas?

Na verdade, sou um pouco cética em relação a todo o conceito de "exercício" como nós atualmente o compreendemos, o ato de mover o corpo isolado do resto de nossas experiências de vida. O movimento está confinado a uma hora programada do dia, escolhido especificamente para um fim estético particular, e divorciado, tanto quanto possível, de qualquer atividade intelectual ou emocional. Talvez seja um sintoma da dualidade cartesiana corpo-mente à qual continuamos nos mantendo agarrados: você pode ser um corpo por uma hora e, em seguida, voltar a ser uma mente para o resto da sua vida, mas os dois não devem se sobrepor.

Muito está em jogo com a nossa concepção de corpo e movimento. Muito tem sido dito sobre como ideais de beleza, tais como os vendidos nestes anúncios de fitness, impactam a auto-estima e a saúde mental – e com razão: estatísticas publicadas pela Associação Nacional de Anorexia Nervosa e Distúrbios Associados afirmam que 91 por cento das universitárias pesquisadas ​​tinham tentado fazer dieta e 35 por cento dos "seguidores de dietas normais” eventualmente se envolvem em dietas patológicas.

Entretanto, até movimentos populares de imagem corporal (pensem na campanha "Real Beleza" de Dove) reforçam a idéia de compreender e apreciar o corpo do lado de fora, dizendo às mulheres que elas realmente parecem "lindas". Mas e se começássemos a apreciar os nossos corpos para fazer, sentir e ser, em vez de apenas parecer?

O treinamento em dança nem sempre está associado à positividade corporal, mas mostra muitas maneiras de entender e apreciar o seu corpo que não estão relacionadas à aparência. Eu amo meu corpo porque ele me permite voar por meio de 20 minutos de saltos intensos. Eu amo meu corpo por causa da gama de possibilidades de improvisação que ele desbloqueia. Eu amo meu corpo por causa do prazer que sinto ao enviá-lo a um fluxo de coreografia contemporânea fluido. Na verdade, eu amo meu corpo, pois ele me permite levantar de manhã e caminhar e ver, ouvir e respirar.

Se você quer fazer essa aula fitness de treino de barra, vá em frente. Mas confie em mim, se você se der a chance de realmente experimentar internamente o movimento em seu corpo fora dos 60 minutos de levantamento de pernas – quer se trate de uma aula de balé iniciante, dançar nua em seu quarto, ou apenas tirar um momento para observar a sensação de seus músculos correndo através de seus ossos, sua pele acariciando seus músculos enquanto você rola para fora da cama de manhã – vale a pena.





A dança é para todas as idades e para todos os corpos!
“Danza y la edad no parece ser un matrimonio hecho en el cielo, pero a mi entender no deben ser vistos con escepticismo. A través de mi larga experiencia como bailarín , coreógrafo y director artístico , y a través de mis encuentros con las culturas de Asia oriental y los aborígenes australianos , me he enterado de que poseemos la habilidad de bailar a lo largo de toda nuestra vida y que debe ser valorada y respetábamos – Sí , estamos en condiciones de bailar “Desde el vientre materno hasta la tumba ” ….!
 Leia esse texto na íntegra AQUI

22 de mai de 2014

coincidências

Coincidência é um termo utilizado para se referir a eventos com alguma semelhança, mas sem relação de causa e efeito. Nelson Rodrigues dizia que “Deus está nas coincidências”... Bom, às vezes, pode ser só o diabo mesmo (isso se acreditar-se que essas entidades existem...). Em um mundo ideal, coincidências seriam só coincidências, mero acaso. No mundo real...

De 1º de março a 19 de maio, aconteceram muitos conflitos e mudanças na minha vida e na vida de pessoas próximas. Coincidentemente, Marte estava retrógrado (reflitam!).

Meu gato e as formigas compartilham a mesma preferência vegetariana e atacam sempre a mesma planta. Coincidentemente, dentre as várias plantas que tenho em casa, a preferida deles é a única que eu não gostaria que fosse atacada.

Se brigas e desentendimentos entre X e Y só acontecem ou pioram sempre que Z se aproxima muito de um dos pólos (ou dos 2)... E se, ao haver uma briga grande entre Y e Z, coincidentemente Z coloca a culpa em X ou Y...

Se você acertar 10 vezes e errar uma, coincidentemente é dessa uma que todos se lembrarão e é por ela que te definirão.

Geralmente, quem mais julga os outros é quem menos ajuda e, coincidentemente, quem bota mais lenha na fogueira (esperando o circo pegar fogo?).

Quem pede conselhos costuma ignorá-los e, coincidentemente, se pedir sua opinião sobre alguma coisa, pedindo sinceridade, se afastará ou ficará indignado caso você seja de fato sincero.

Até hoje, o ex-chefe que mais se esforçou para desqualificar meu trabalho (e de outras pessoas!), coincidentemente é aquele que praticava assédio moral com seus funcionários e, se fossem mulheres, também assédio sexual.

Mortos vivos costumam aparecer para perturbar a vida alheia, coincidentemente, quando os outros nem se lembram mais deles e/ou estão envolvidos emocionalmente com alguém.

Sempre que alguém escrever, falar ou fizer alguma digressão sobre o ser humano, coincidentemente haverá alguém que se sentirá ofendido, tomará como indireta e vestirá a carapuça.

Este blog saiu da hibernação, coincidentemente, junto com a chegada do luto.

Coincidências? Acho que não.




20 de mai de 2014

mulheres pós Idade Média

Por incrível que pareça, no período renascentista a posição da mulher sofreu um retrocesso. No feudalismo, seu espaço de atuação política era maior, já que a política se realizava a nível comunal. A formação dos Estados Nacionais e o processo de centralização do poder caminham de mãos dadas com o maior afastamento da mulher da esfera pública. Além disso, a reintrodução da legislação romana implicou uma redução dos direitos civis da mulher. Surgem restrições ao seu direito de adquirir bens por herança, reger seus próprios bens e representar-se na justiça.

Se durante a Idade Média a mulher atuou em praticamente todas as profissões, a partir do Renascimento determinadas atividades tornam-se gradativamente domínio masculino e as Corporações de Ofício se fecham à participação feminina. É durante este período, quando o trabalho se valoriza como instrumento de transformação do mundo, que o trabalho feminino passa a ser depreciado. Afastada de determinadas profissões, também se constrói uma ideologia de desvalorização da mulher trabalhadora.

Neste contexto, as mulheres não deixaram de trabalhar, já que as necessidades materiais e de sobrevivência sempre exigiram que o fizessem. A desvalorização do trabalho feminino, traduzida concretamente na atribuição de menor pagamento à mão de obra feminina, encontra sua lógica no processo de acumulação de capital, no qual a super exploração do trabalho da mulher (e do menor) cumpre função específica.

Não houve um afastamento da mulher da esfera de trabalho; sim formas próprias de sua inclusão. Ela é totalmente afastada de determinadas atividades, como a fabricação de cerveja e de velas, a serralheria e a fundição. Mesmo com presença significativa em determinados ramos de produção, como a indústria da seda e têxtil em geral, desempenha as atividades menos qualificadas e de menor remuneração.

Diante de tais empecilhos, a participação feminina no mercado de trabalho adquire peculiaridades. A partir do século XVII e, sobretudo, no século XVIII, contingentes cada vez maiores de mulheres passam a realizar trabalhos a domicílio, contratadas por intermediários. Atualmente, este tipo de trabalho ainda é largamente exercido pela mão de obra feminina, particularmente na indústria de confecção e em atividades domésticas.

Junto com a valorização do trabalho ocorrida neste período, cresce o respeito pela ciência e a preocupação com a aquisição do conhecimento. E, enquanto a instrução masculina se desenvolve em vários níveis, a educação feminina retrocede tanto na preparação profissional, quanto na formação intelectual. Não há registros de mulheres freqüentando universidades até meados do século XIX! Desaparecem médicas, cirurgiãs, advogadas. A obstetrícia, como um ramo do conhecimento científico ao qual só os homens tinham acesso, retira das mulheres o monopólio da profissão de parteira.

O ensino público e privado se expande na Europa e, ao mesmo tempo, a defasagem entre o número de escolas masculinas e femininas é imensa (em 1790, na Diocese de Rouen, por exemplo, a relação entre escolas para meninos e para meninas é de 4 por 1). Esta defasagem se dá em termos quantitativos e, também, no que se refere à qualidade do ensino. O currículo das meninas enfatizava o aprendizado das prendas domésticas e sua escolarização não as preparava para o ensino superior, que, aliás, sequer lhes era acessível.

É de se estranhar que as primeiras vozes de contestação feminina registradas pela história moderna se dirijam contra a desigualdade sexual no acesso à educação e ao trabalho? É de se estranhar qual a posição da mulher ainda hoje, no século XXI? Um pouco de história, além de não fazer mal, ajuda a compreender muito do que é o presente viu.


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19 de mai de 2014

a política imita a vida?

Mas é claro que sou egoísta. Desconheço quem não o seja. Há, porém, diferenças entre tipos de egoístas. Alguns passam por cima de qualquer pessoa e/ou coisa, sem se importar com o que podem causar, para conseguir o que querem. Outros apenas colocam-se em primeiro lugar e batalham para conseguir o que querem, sem agir para prejudicar ninguém. Em ambos os casos, nosso egoísmo pode causar danos a outrem – a diferença é a intencionalidade ou a falta dela.

Todos defendem seus interesses – isso serve para a política, serve para a vida. O lastimável é que muitos escolham como defesa a desqualificação do oponente. Isso é degradante, vil, baixo... e não politiza ou conscientiza nada, nenhum assunto. Discussões nas quais a base do argumento é desqualificar o outro nada mais são do que engodo – mas quem quiser cair nisso que o faça (e tome cuidado para não cair em sua própria armadilha depois).

Politicamente, a baixaria ainda nem começou (esperem a Copa dizer adeus... aí o fundo do poço mostrará sua profundidade infinita!). Na vida, tenho visto muita gente agir como a militância demente. Mais do mesmo, em qualquer uma dessas esferas. Em vez de apontar os próprios acertos, realizações, mostrar opções e soluções, comprometer-se com algo... perde-se o foco com vitimização, ataques, exposição dos erros alheios. Fala-se do outro e não se fala de si.

A política imita a vida? Ou seria o contrário? Há quem esteja tão acima do resto, que sua sensibilidade não se deixa atingir? Para além da hipocrisia que todos, em maior ou menor grau, temos... o problema de qualquer sujeito está nos interesses que ele representa – e é isso que deveria estar no foco de qualquer debate (não a persona individual). Fugir disso é um erro grosseiro em todos os aspectos.

Infelizmente, a regra é a perda de foco. Contraditório e ampla defesa são usados para desqualificar os outros, não para a própria qualificação. É sempre o maniqueísmo burro do bem contra o mal, quando a realidade mostra que estas duas categorias são inexistentes por si mesmas. O que há são interesses egoístas em jogo – e são eles que devem ser debatidos, analisados. Diante do cenário político atual, eu gostaria de fugir do planeta durante alguns meses (mudar de país já ajudaria!). Gostaria, também, que pessoas não agissem como militantes dementes fora da política (a vida não é uma disputa de PSDBistas e PTistas, pelo amor dos deuses!).

Em relacionamentos (sejam eles amorosos ou não), pequenos detalhes fazem grandes diferenças, orgulho é sinônimo de burrice quando se gosta, deve-se tolerar e respeitar que cada um tem seu tempo e, além disso, as mais belas frases são ditas no silêncio de olhares, toques, abraços... Todo tipo de relacionamento envolve convivência, comunicação e atitudes que devem ser recíprocas. Companheirismo, cumplicidade, lealdade e respeito... Bons relacionamentos se desenvolvem quando há empatia e sinceridade entre os envolvidos. E se esses clichês (verdadeiros!) não serão muito vistos em 2014 na política, que ao menos sejam aplicados em nossas vidas pessoais...


17 de mai de 2014

gatos e simulacros

Odeio mostrar minhas fragilidades – as verdadeiras, não seus simulacros – para as pessoas em geral. Receio. Esses simulacros da realidade que todos construímos é sempre, em maior ou menor grau, um escudo. Realisticamente falando, só não tem medo de se machucar quem nunca sentiu um punhal atravessando o peito, quem nunca sentiu falta de ar e de chão.

Gato escaldado tem medo de água quente... e, às vezes, a vontade de entrar na água é maior do que o medo de se escaldar. É quando as fragilidades são mostradas. Dificilmente deixa de haver aquele conflito inicial, como um gato colocando a patinha na água e retirando rapidamente, assustado e querendo pisar logo n’água (ou em qualquer outro lugar – eles são mestres nisso, até para ensaiar um salto de um lugar novo... são cautelosos e curiosos...).

Arredios no início. Observadores. Experimentam assim mesmo. Confiam em poucas pessoas. Preocupam-se com menos ainda. Geralmente, sentem como as pessoas estão e, dificilmente, aproximam-se com a única finalidade de animar alguém – quando o fazem, estão cativados. Não são mais aquele animal indomável traiçoeiro do senso comum.

Sim, gatos são indomáveis. Só fazem o que é de seu interesse mesmo. Porém, quando se entregam, estão entregues e jamais se virarão contra. A relação, para eles, não inclui controle: é troca. E se acharem que não estão recebendo o tratamento recíproco, se afastam, até fogem... Não há nada de traiçoeiro neles – ao contrário, são leais e preferem a solidão à traição.

Um gato não vai adular seu dono apenas para agradá-lo ou receber algo em troca – para ele, sequer existe um dono e a adulação, quando acontece, é real, doada. Não adianta querer adestrá-lo – ele só doa o que quer doar, só faz o que quer fazer, só se apega a quem quer... e só mostra esse apego quando perde o medo. Aí o simulacro dá lugar à vulnerabilidade...



 

16 de mai de 2014

filmes teen anos 80

Uma noite na cia da amiga insônia, zapeando entre os canais de TV a cabo, estava começando Sixteen Candles (Gatinhas e Gatões, no título em português), de 1984, no Telecine Cult. Há anos não assistia esse filme, sequer lembrava de toda a história. Assisti e faço algumas observações e comparações com filmes atuais sobre a mesma temática.


 


Trinta anos depois, o que aconteceu com Molly Ringwald, a musa teen dos anos 80? Virou mãe de protagonista na série adolescente The Secret Life of the American Teenager.

Molly jamais seria musa de nada atualmente. Lembrando e pesquisando rapidamente os filmes dos anos 80, percebi que protagonistas daquela época eram mais reais, mais parecidas com gente normal que encontramos no dia a dia. As musas teen emagreceram e ficaram mais plastificadas, perfeitas, irreais, inalcançáveis e seguem um padrão mais photoshopado


 


Há 30 anos, os personagens principais de todos os filmes adolescentes eram menos perfeitos, homens eram menos anabolizados, cabelos femininos de propaganda de xampu e peitorais masculinos esculpidos não eram a regra. Havia, como sempre houve na indústria cultural, um padrão de beleza... menos irreal, porém.

O que aconteceu com os pais dos filmes? O culto à juventude e à magreza parece ter se estendido a eles. Hoje em dia pais aparentam serem mais jovens, mais magros, usam mais botox e se parecem menos com pais da vida real.

Os temas dos filmes teen permanecem basicamente os mesmos – acho até que atualmente os filmes são, inclusive, mais conservadores e moralistas (apesar de mostrarem mais corpos perfeitos em exposição). A grande mudança, se existe alguma, é uma completa photoshopização dos protagonistas desses filmes. Que mensagem isso passa para os adolescentes?


 

14 de mai de 2014

o pau grande e o homem pequeno

De repente, um blog desconhecido (este que vos fala), que dificilmente recebe comentários, passou a recebê-los nos últimos dias, todos no mesmo texto e, devido ao chorume, não aprovados (já falei que isto aqui não é uma democracia?...rs...). Aparentemente, sou uma louca mal comida que não gosta de homens. Faltou me chamarem de gorda, boba, chata e feia. É só falar da performance sexual masculina, como nesse texto, que os ofendidinhos aparecem do Além?

Me chamou de mal comida? Bom, por este tipo de machinho que vive no sistema paular, sou mal comida mesmo – eu e todas as mulheres, aliás. Toda mulher que conheço tem um desses no histórico. E as queixas de todas são basicamente as mesmas. Além disso, todas trocariam um gatíssimo de abdominal bem definido por um menos bonito que fizesse direito e tivesse emocional bem resolvido. Não é lenda urbana.

Então sorry, mas pau se compra mesmo em qualquer sex shop e beleza pode até abrir o apetite, mas não serve a mesa. Coincidentemente, a maioria desse tipinho se acha a última coca-cola do deserto gelada com gás. Se garantem com o superficial e esquecem do essencial (no sexo e fora dele). E sabe esse negócio de postar fotos do abdômen em redes sociais? Apenas parem!

A minha opinião é que se houve quem ficasse ofendidinho por um texto que não fala de todos os homens, mas apenas de um tipo deles é: ou o cidadão precisa urgentemente voltar para as aulas de interpretação, ou é do tal tipo e não gostou de seu retrato.

“E se fosse um texto falando de mulheres que parecem bonecas infláveis?” – me perguntou um conhecido. Sabe por que não me sentiria pessoalmente ofendida? Porque não sou uma delas. E já pensaram (óbvio que não!) que, de repente, o que vocês classificam como mulher boneca inflável pode ser só uma mulher profundamente inserida nessa cultura machista que diz a ela para ser a tal bonequinha sem vontade à disposição do macho? E, se detestam tanto bonecas infláveis, por que tratam mulheres como se fossem uma?

Mimimi... mas não tem como adivinhar... mimimi... mas mulher finge... STOP the mimimi. Ok, fingir é uma burrice e um caminho para a insatisfação pessoal – desaconselhável. Mas façam-me o favor! A insensibilidade é tanta que não conseguem prestar atenção em contrações musculares involuntárias, respiração ofegante que pára por alguns instantes, mamilos enrijecidos, etc? Só prestam atenção no próprio pau mesmo?



Momentos de sabedoria de Samantha Jones:
“It is so refreshing to be with someone who likes to fuck outside the Box”
("É tão refrescante estar com alguém que gosta de transar fora da caixa")
"Fuck me badly once, shame on you. Fuck me badly twice, shame on me”
("Foda-me mal uma vez, vergonha sua. Foda-me mal por duas vezes, vergonha minha")
“You’re nothing but a big dick with a little man attached”
(“Você não passa de um pau grande com um homem pequeno anexado”)



 


NOTA: 
Não existe mais a opção de comentários (nem mesmo moderados) por aqui. Leu e gostou? Compartilhe com os amigos. Leu e não gostou? Compartilhe com os inimigos - mas vá derramar chorume em outro lugar ou converse com seu terapeuta.

12 de mai de 2014

Ney e os militontos

Pouco mais de duas semanas depois do grande piadista negar o mensalão e exaltar as conquistas da Terra Encantada em uma entrevista à TV portuguesa, Ney Matogrosso escancarou, durante um programa no mesmo canal, algumas verdades do Brasil real. Ao ouvir a pergunta “Como está o Brasil?”, Ney começa respondendo com “Existe um enorme desconforto” e continua: “O governo brasileiro está gastando bilhões de reais para fazer estádios, enquanto nos hospitais públicos as pessoas estão sendo jogadas no chão, em cima de um paninho”.

Ney falou sobre educação, transporte público, Bolsa Família e corrupção antes de fazer a pergunta que deveria ser feita por todos: “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar na Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”.


 


Foi o bastante para destilarem todo tipo de ignorância, incluindo homofobia, contra Ney. Motivo: ele ousou criticar o Sagrado Partido. Cadê o espanto? Basta criticar a política de distribuição de renda do governo PT para ser demonizado. O Bolsa Família foi colocado em um pedestal e qualquer um que faz uma crítica ao programa, fundamentada ou não, é transformado em um ser desprezível merecedor de todo o ódio – e esse pedestal é usado como escudo a qualquer crítica às inúmeras cagadas do governo.

Apesar de seus erros, o Bolsa Família ainda é necessário. Ney, ao falar sobre o programa, demonstrou desconhecimento e repetiu o senso comum – como pessoa pública, não precisava ter sido tão ignorante. Isso, entretanto, não invalida o resto de sua fala e a entrevista foi, em geral, positiva. É mentira que o Brasil não está a maravilha divulgada pelo PT? É mentira que esse negócio de todos terem virado classe média é uma falácia? É mentira o fascismo da polícia? É ruim um artista desse porte falar sobre essas coisas e ainda lembrar um caso emblemático, como Amarildo?

Quando os militontos entenderão que criticar o PT não significa apoiar o PSDB (e vice-versa)? Esse maniqueísmo cego é demência viu...




“(...)Tudo nesse governo é capitalista. Não há nenhuma política de esquerda em que possamos usar aquele atenuante “ah, o governo tem problemas, mas tirou 30 milhões de pessoas da miséria…“. Sério? Mesmo? Quando um governo gerencia um Estado privilegiando sempre os mais ricos, até mesmo na “política” de Direitos Humanos, ele produz miséria ao invés de combatê-la. Ao produzir miséria e miseráveis e usar o braço armado desse Estado contra qualquer oprimido que tente se rebelar/protestar, ter uma única política que tira pessoas da miséria e depois as joga na selva do capitalismo não é tirar pessoas da miséria, mas uma política social-democrata de redução de danos que no final das contas atrela essas pessoas ao voto de gratidão nesse governo. Isso é a velha política clientelista dos coronéis de outrora maquiada de “política social de distribuição de renda”. Tanto assim que os índices de desigualdade social permanecem os mesmos. Tirou pessoas da miséria? Sim, mas mantém a política que produz a miséria e os miseráveis.
O fato é que transformar miseráveis em consumidores não os transforma automaticamente em cidadãos. (...) Observar e evidenciar isso não é mérito nenhum além de não ser cego.”

11 de mai de 2014

perdas e danos

Dificilmente tomo decisões que envolvam perdas e que possam me causar danos sem pensá-las antes, sem pesar prós e contras. Isso não significa, entretanto, que eventualmente eu não venha a me arrepender de uma decisão tomada. Isso também não significa que a decisão seja sempre a certa: apenas que estou preparada para conviver com as erradas e enfrentar as conseqüências delas.

O FODA-SE é isso e, nem sempre, vem desacompanhado de reflexões, questionamentos. Ignorei danos que poderia causar, ao abraçar minhas perdas? Ainda em luto, #xatiada. É sempre necessário mudar, mas eu não estava preparada para algumas mudanças. Em que tipo de tratamento se retira, bruscamente e sem aviso prévio, a tarja preta das pessoas? Sem tatame, com insônia. Nem a melatonina está resolvendo – ao contrário, me dá raiva olhar para ela. 


 


Talvez sejam só esses hormônios loucos à flor de pele como nunca estiveram antes... mentira, já estiveram. Detesto carne e a desejava sangrando... agora quero explodir o mundo – e que a carne que desejo vá junto com ele. Onde já se viu detestar carnes em geral, e ter vontade de comê-las? Cadê a camisa de força?

Mais de um mês de renúncia involuntária, somado a duas semanas de renúncia voluntária. E são as coisas boas que me fazem ter saudades, questionar escolhas. A necessidade de mudança vem da consciência de algo que se tenta sustentar e que já não serve mais, como um ritual ineficaz, que teima se repetir desnecessariamente. Revisão de conceitos – e é justamente daí que vem a transformação.

Mudanças não são garantias de que algo dará certo ou será bom. A incerteza de sucesso deveria ceder ao medo? Experimentar novas estratégias, sem medo, vem da necessidade de transformação que dá origem a um novo lugar... que nos leva a um novo estar. E nada impede que o novo estar, o novo ser, não seja para sempre. Nada é. A eternidade é uma mentira.

Não sou. Estou. Posso voltar a ser ou não. E, talvez, jamais tenha sido.



9 de mai de 2014

Machado se revira no túmulo

Basta qualquer busca rápida no Google para achar reportagens e pesquisas que mostram sempre o mesmo: Brasil ocupa últimas posições em ranking internacional de educação. Faça o teste. Procure também sobre analfabetismo funcional. Os resultados são sempre vergonhosos. Nossa educação não vai mal, vai péssima mesmo. Talvez tenha vindo daí meu espanto quando soube que o Ministério da Cultura está patrocinando o assassinato de clássicos da literatura brasileira.

Minha dor veio da notícia de que uma escritora muda obra de Machado de Assis para facilitar a leitura. Ela decidiu reescrever clássicos da literatura brasileira já que, segundo ela, os estudantes se desinteressam de alguns livros porque certas palavras são difíceis. Vai, então, reescrevê-los. A primeira vítima é “O Alienista”, de Machado de Assis, a história do médico de loucos que terminou, ele próprio, no hospício.

Impressão minha ou a educação no país é que virou coisa de loucos e está no manicômio? Literatura não é só o que se diz: é, também, como se diz. E não seria uma das funções da escola ampliar o vocabulário dos estudantes? Além de ajudá-los a conhecer as particularidades de estilo dos autores? Se fosse português arcaico vá lá, adapte-se para o atual... mas não é o caso.

O que me dói mais nessa violência cultural é que Machado é justamente meu escritor brasileiro favorito. E o problema em Machado não é a língua: os textos são até simples no que diz respeito ao vocabulário. Seu diferencial é outro e está no estilo do autor. A questão é ele ser dado aos estudantes sem que estejam maduros para entendê-lo e apreciá-lo – e com esse pacto de mediocridade na educação, jamais estarão.

Tenho o hábito de fazer velhas e novas leituras (ou re-leituras... pois cada vez que releio um livro, ele se mostra diferente – ou eu o assimilo de outra forma, talvez). Exemplo disso é Machado de Assis. Não gostei quando me foi apresentado. Tive que reler, anos mais tarde, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. Descobri outros romances, além de contos e crônicas do autor. Acho que jamais serei capaz de compreender plenamente a complexidade presente em suas obras... Não deixo de me surpreender a cada re-leitura.

Machado, assim como tantos outros, nos é apresentado de sopetão, na adolescência. Sem a interdisciplinaridade e a maturidade que suas obras pedem. Perdem, dessa forma, em atratividade. Acho que todo o sistema educacional está estruturado para que as pessoas não desenvolvam suas habilidades, não se interessem sequer pela prática de atividades físicas (há coisa mais enfadonha do que aula de educação física no colégio?...).

Precisamos repensar o próprio ensino de literatura. Esse sistema de ensino (des)educacional espera o que de obras clássicas? Que estudantes saibam apenas a trama, o básico da história, para passar no Enem e no vestibular? A experiência da leitura não se reduz a isso e, se for apenas para conhecer a história, é melhor nem obrigá-los a ler. 

Jeitinho brasileiro é isso: em vez de melhorarem e reformularem aspectos da educação para que os estudantes tenham condições de ler e apreciar um clássico pelo que ele é e representa, cometem-se assassinatos de obras. Parabéns a todos os envolvidos e aos que aplaudem esse tipo de coisa.


Leitura complementar: Os clássicos às machadadas


IMPORTANTE: 
Já assinaram a petição para impedir a alteração das palavras originais nas obras de língua portuguesa? Leia do que se trata e assine AQUI (compartilhe essa petição!)


8 de mai de 2014

estupro na Casa Branca

Na semana passada, a Casa Branca lançou uma campanha que pretende mudar a forma como os Estados Unidos enfrentam os abusos sexuais. No vídeo, pede-se aos homens do país que sejam parte da solução – palmas para a iniciativa, já que a maioria dos estupros é cometida por homens.

Finalmente uma campanha que foca no alvo certo: o estuprador. Já estava na hora de alguém de peso chamar atenção para o que é negligenciado: ensinar os estupradores a não estuprarem (em vez de ensinar vítimas a se protegerem) e dizer aos outros que devem tomar alguma atitude caso vejam um estupro acontecendo.

A mensagem do vídeo é clara e simples: todos tem responsabilidade. Não há exceções; não há desculpas. Para qualquer um fluente em inglês com o mínimo de capacidade cerebral, fica bem claro que não se está acusando todos os homens de serem estupradores e nem se excluindo os estupros masculinos. Mas...

Basta dar uma lida nos comentários do youtube para ver que iuzomismo não é exclusividade brasileira, nem a falta de conexões neurais. É tanto chorume, tanta ignorância sobre fatos, tanta mudança de assunto, tanta gente ofendidinha e tanta culpabilização das vítimas que não sei se choro, rio, vomito ou faço petição para que todos voltem às aulas de interpretação (e, quiça, às aulas de língua inglesa!).


 


Lá e aqui, o desconhecimento sobre o que é cultura do estupro e os mitos que rondam o assunto são bem semelhantes. Palmas para a globalização da ignorância! As pessoas conseguem acessar a internet para defecar comentários, mas não conseguem fazer o mesmo para pesquisar um pouco... (por sinal, se discordar e/ou duvidar de algo que ler aqui, pesquise!)

Por lá, Margo Paine fez uma pesquisa com universitários, publicada em Body Wars, e os resultados mostraram que 30% estuprariam caso não houvesse consequências legais e 83% concordam com a frase "algumas mulheres parecem que estão pedindo para ser estupradas". Quando ela substituiu a palavra estupro por "sexo forçado" (que são sinônimos), 54% disseram que "forçariam sexo".

Por aqui, a pesquisa publicada pelo IPEA no fim de março mostrou que 58% dos brasileiros acreditam que menos estupros aconteceriam se as mulheres “soubessem se comportar” e 26% acreditam que mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas. Pelo que já li em outras pesquisas, observo no dia a dia e já ouvi de outras mulheres, eu diria que estes números estão subestimados.

Toda mulher conhece alguém que já sofreu estupro ou tentativa de. Sabe aquele monstro que ataca nas sombras e nos becos, ou o doente mental, ou o psicopata? Mito. A maioria dos estupros é cometida por conhecidos da vítima. E estupro, lá como cá, é absolvido, normalizado, tolerado e até mesmo incentivado pela sociedade.

“Que roupa ela usava?", "onde estava?", "estava sozinha?”, “foi na casa dele?”... essas e outras perguntas retiram a responsabilidade do culpado e a transferem para a vítima. O que as mulheres encontram quando denunciam é toda uma apatia e um despreparo do Estado para lidar com vítimas dessa violência, agravada pela culpabilização da vítima contida nas tais perguntas.


7 de mai de 2014

linchamentos e responsabilidades

Uma mulher foi espancada após boatos em rede social e morreu. Parece uma caça às bruxas da Idade Média, mas é Brasil em 2014. De acordo com o boato da internet, ela teria sequestrado crianças e praticado bruxaria. Familiares, mídia e conhecidos da vítima tem dito que ela não era agressiva, lia a Bíblia, tinha transtorno bipolar e, além disso, não há provas de que ela tenha praticado algum crime – muito da discussão tem sido sobre quem é Fabiane.

Importa discutir quem ela era? Linchamentos são justificáveis se a vítima não tiver reputação ilibada? Supondo que ela fosse uma bruxa que mata criancinhas, uma turba ensandecida teria o direito de linchá-la? Linchadores tem autorização para fazer justiça com as próprias mãos desde quando? São criminosos, independentemente de quem for a vítima.

Justiçamentos, linchamentos e similares não podem ser justificados sob hipótese alguma, seja a vítima inocente ou não. Mesmo que houvesse pena de morte no Brasil – e não há – o responsável pela sua aplicação seria o Estado. O responsável pela aplicação da justiça é o Estado. Qualquer coisa diferente disso é voltar ao estado de natureza de Hobbes.

Antes de entoarem mantras como “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos só defendem bandidos”, lembrem-se que qualquer um pode ser vítima desses justiçamentos. Ademais, tenham um pouco mais de responsabilidade no uso de redes sociais e pesquisem antes de acreditar em qualquer coisa. Sugiro que conjuguem sempre os verbos questionar e pensar, sobre qualquer assunto, inclusive sobre si mesmos.

Dizer a verdade, para muita gente, é ficção. A verdade, para muita gente, soa como ficção. Ao mesmo tempo, inúmeras ficções apresentam-se como verdadeiras. Antes de falar mal de algo ou alguém (on e offline), por exemplo, pense no todo que aquele algo ou alguém representa. Antes de apoiar, também. Esse maniqueísmo de bem e mal deveria ser colocado em desuso. A falta dele, que é não ter posicionamento crítico algum, também.

6 de mai de 2014

as vacinas e os imbecis

Vacinas são geralmente produzidas a partir de bactérias ou vírus (ou partes deles) mortos ou enfraquecidos, ou ainda de toxinas. Ao inserir no organismo esse tipo de substâncias, o corpo combate o agente estimulando a síntese de anticorpos, além de desenvolver a chamada memória imunológica, tornando mais fácil o reconhecimento do agente patogênico em futuras infecções e aumentando a eficiência do sistema imune em combatê-lo.

Atualmente, existem vacinas para diversas doenças (gripe, malária, poliomielite, febre amarela, rubéola, hepatite, hpv, tétano, etc) e até mesmo contra determinados tipos de alergias. As campanhas de vacinação conseguiram controlar e erradicar doenças... mas... epidemias de doenças que achávamos coisa do passado tem aparecido por aí.

Devemos muito desse reaparecimento a movimentos antivacina. É saudável questionar a ciência e a medicina em vez de acreditar cegamente em qualquer coisa, mas deixar de vacinar contra algumas doenças é muita vontade de retroceder. Sinceramente, esses movimentos antivacina são a prova de que a humanidade ainda será extinta pela burrice!

Já é demonstração de estupidez acreditar no criacionismo e condenar o evolucionismo – afinal, faz muito sentido acreditar na Bíblia e desacreditar na biologia. Deixar de vacinar por crenças infundadas e ideologias toscas sem comprovação beira à irresponsabilidade e, para piorar, não coloca em risco somente a pessoa não vacinada... em tempos de globalização, doenças se espalham com a velocidade de um clique. Não vacinar ali pode significar uma epidemia acolá.

Parabéns para os idiotas. Parabéns mesmo. Não bastassem os governos ao redor do mundo não investirem corretamente na prevenção de doenças, ainda ganham o reforço da crença de imbecis.


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5 de mai de 2014

das ilusões perdidas

“E você acha que sexo bom, porém frustrante, é o suficiente para continuar saindo com alguém? Principalmente quando não compensa nos outros quesitos?” – ...e assim começou uma exposição de motivos que virou um longo debate regado a boa música, bebíveis e fumáveis, numa noite animada entre amigos. 

Resumo algumas de nossas conclusões - e aviso: percam essa ilusão de viverem em um sistema paular (o mundo não gira ao redor do pênis! ... e sequer gira ao redor da imagem...).

Quando foi a última vez que você saiu com alguém levemente inquietante? Faltava ao tal moço, entre outras coisas, sair fora da caixa. Ser diferente e enxergar que aquela moça era diferente. Carro importado, roupas caras (seriam uniformes de manada?), endereço nobre, corpo malhado... essas coisas não cativam a todas. Há quem se interesse por pessoas, não por coisas e imagens.

O que agrega valor é ter respeito e consideração. Enxergar a pessoa como ser humano, não como um pedaço de carne ou um troféu para exibir aos outros. Machos padrão de manada tem certa dificuldade em entender que nem toda mulher está interessada no que eles tem e, certamente, essas não gostam de ser tratadas como coisas. Inteligência é um afrodisíaco mais poderoso do que qualquer cartão de crédito viu? Bons modos e educação, idem.

E o sexo frustrante? Não há tesão que resista a ele – ou, em outras palavras, a machos que juram que seu pinto é mágico e trepam como se estivessem em um filme pornô. Para começar, esse tipo de homem precisa entender que pau se compra em qualquer sex shop e que mulheres não são bonecas infláveis. Outra coisa: admirar a si mesmo no espelho enquanto tem outra pessoa ali com você é risível e brochante em nível épico!

Moços, quem os ensinou que morder clitóris é bom? Onde aprenderam que ficar enfiando dedos aleatoriamente, enquanto a língua não sabe o que faz, é bom? Se a mulher gosta de sexo e não faz questão do seu oral ou te pede para pará-lo... é porque o negócio é ruim, frustrante... ou pode ser só entediante mesmo... De qualquer forma, custa prestar mais atenção na respiração, nas reações, no corpo alheio? Ou será que eles gostam mesmo é de receber boquete burocrático sem graça desatento? Really?

E esse negócio de ficar metendo loucamente sem variar o ritmo e esquecer que o corpo inteiro é um órgão sexual? Onde esses moços aprenderam isso? Onde aprenderam que mãos e línguas não podem ser usadas no corpo todo? Quem os ensinou que reprisar sempre o mesmo roteiro é bom? Já ouviram alguma sinfonia na qual não houvesse variação de acordes, ritmos, instrumentos? Pelo amor de todos os deuses, ao fazer sexo, inspirem-se mais nos clássicos (ou mesmo em um Jimi Hendrix tocando sua guitarra)...

A conclusão é a seguinte: homens de filme pornô, desses que não prestam atenção nas necessidades alheias, agem assim nos outros aspectos da vida. O egoísmo do sexo é tentacular e atinge os outros quesitos. É sempre “eu, eu, eu”... e foda-se o que a outra pessoa gosta, quer ou precisa. Egocentrismo de macho: parabéns, está no caminho certo para não satisfazer ninguém nem sexualmente.


Mas... se houvesse intenção de satisfazer alguém, esse tipo de machinho sairia do mundo encantado? Seja como for, saiam da fantasia falocêntrica pelo bem de si mesmos. Sexo, assim como relacionamento, é para ser praticado a dois (ou três, quatro, cinco... cada um sabe seu ideal). Sozinho é masturbação. Não quer abandonar a ilusão do pau mágico? Compre uma boneca inflável e seja feliz sem colaborar para a insatisfação alheia.


ATENÇÃO - complemento importante: 
Diga não ao Homenzinho de Merda e Homenzinho de Merda: como identificar?


imagem retirada de lugardemulher.com.br


NOTA: resposta aos chorumes recebidos por causa desse texto AQUI