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19 de mai de 2014

a política imita a vida?

Mas é claro que sou egoísta. Desconheço quem não o seja. Há, porém, diferenças entre tipos de egoístas. Alguns passam por cima de qualquer pessoa e/ou coisa, sem se importar com o que podem causar, para conseguir o que querem. Outros apenas colocam-se em primeiro lugar e batalham para conseguir o que querem, sem agir para prejudicar ninguém. Em ambos os casos, nosso egoísmo pode causar danos a outrem – a diferença é a intencionalidade ou a falta dela.

Todos defendem seus interesses – isso serve para a política, serve para a vida. O lastimável é que muitos escolham como defesa a desqualificação do oponente. Isso é degradante, vil, baixo... e não politiza ou conscientiza nada, nenhum assunto. Discussões nas quais a base do argumento é desqualificar o outro nada mais são do que engodo – mas quem quiser cair nisso que o faça (e tome cuidado para não cair em sua própria armadilha depois).

Politicamente, a baixaria ainda nem começou (esperem a Copa dizer adeus... aí o fundo do poço mostrará sua profundidade infinita!). Na vida, tenho visto muita gente agir como a militância demente. Mais do mesmo, em qualquer uma dessas esferas. Em vez de apontar os próprios acertos, realizações, mostrar opções e soluções, comprometer-se com algo... perde-se o foco com vitimização, ataques, exposição dos erros alheios. Fala-se do outro e não se fala de si.

A política imita a vida? Ou seria o contrário? Há quem esteja tão acima do resto, que sua sensibilidade não se deixa atingir? Para além da hipocrisia que todos, em maior ou menor grau, temos... o problema de qualquer sujeito está nos interesses que ele representa – e é isso que deveria estar no foco de qualquer debate (não a persona individual). Fugir disso é um erro grosseiro em todos os aspectos.

Infelizmente, a regra é a perda de foco. Contraditório e ampla defesa são usados para desqualificar os outros, não para a própria qualificação. É sempre o maniqueísmo burro do bem contra o mal, quando a realidade mostra que estas duas categorias são inexistentes por si mesmas. O que há são interesses egoístas em jogo – e são eles que devem ser debatidos, analisados. Diante do cenário político atual, eu gostaria de fugir do planeta durante alguns meses (mudar de país já ajudaria!). Gostaria, também, que pessoas não agissem como militantes dementes fora da política (a vida não é uma disputa de PSDBistas e PTistas, pelo amor dos deuses!).

Em relacionamentos (sejam eles amorosos ou não), pequenos detalhes fazem grandes diferenças, orgulho é sinônimo de burrice quando se gosta, deve-se tolerar e respeitar que cada um tem seu tempo e, além disso, as mais belas frases são ditas no silêncio de olhares, toques, abraços... Todo tipo de relacionamento envolve convivência, comunicação e atitudes que devem ser recíprocas. Companheirismo, cumplicidade, lealdade e respeito... Bons relacionamentos se desenvolvem quando há empatia e sinceridade entre os envolvidos. E se esses clichês (verdadeiros!) não serão muito vistos em 2014 na política, que ao menos sejam aplicados em nossas vidas pessoais...