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5 de mai de 2014

das ilusões perdidas

“E você acha que sexo bom, porém frustrante, é o suficiente para continuar saindo com alguém? Principalmente quando não compensa nos outros quesitos?” – ...e assim começou uma exposição de motivos que virou um longo debate regado a boa música, bebíveis e fumáveis, numa noite animada entre amigos. 

Resumo algumas de nossas conclusões - e aviso: percam essa ilusão de viverem em um sistema paular (o mundo não gira ao redor do pênis! ... e sequer gira ao redor da imagem...).

Quando foi a última vez que você saiu com alguém levemente inquietante? Faltava ao tal moço, entre outras coisas, sair fora da caixa. Ser diferente e enxergar que aquela moça era diferente. Carro importado, roupas caras (seriam uniformes de manada?), endereço nobre, corpo malhado... essas coisas não cativam a todas. Há quem se interesse por pessoas, não por coisas e imagens.

O que agrega valor é ter respeito e consideração. Enxergar a pessoa como ser humano, não como um pedaço de carne ou um troféu para exibir aos outros. Machos padrão de manada tem certa dificuldade em entender que nem toda mulher está interessada no que eles tem e, certamente, essas não gostam de ser tratadas como coisas. Inteligência é um afrodisíaco mais poderoso do que qualquer cartão de crédito viu? Bons modos e educação, idem.

E o sexo frustrante? Não há tesão que resista a ele – ou, em outras palavras, a machos que juram que seu pinto é mágico e trepam como se estivessem em um filme pornô. Para começar, esse tipo de homem precisa entender que pau se compra em qualquer sex shop e que mulheres não são bonecas infláveis. Outra coisa: admirar a si mesmo no espelho enquanto tem outra pessoa ali com você é risível e brochante em nível épico!

Moços, quem os ensinou que morder clitóris é bom? Onde aprenderam que ficar enfiando dedos aleatoriamente, enquanto a língua não sabe o que faz, é bom? Se a mulher gosta de sexo e não faz questão do seu oral ou te pede para pará-lo... é porque o negócio é ruim, frustrante... ou pode ser só entediante mesmo... De qualquer forma, custa prestar mais atenção na respiração, nas reações, no corpo alheio? Ou será que eles gostam mesmo é de receber boquete burocrático sem graça desatento? Really?

E esse negócio de ficar metendo loucamente sem variar o ritmo e esquecer que o corpo inteiro é um órgão sexual? Onde esses moços aprenderam isso? Onde aprenderam que mãos e línguas não podem ser usadas no corpo todo? Quem os ensinou que reprisar sempre o mesmo roteiro é bom? Já ouviram alguma sinfonia na qual não houvesse variação de acordes, ritmos, instrumentos? Pelo amor de todos os deuses, ao fazer sexo, inspirem-se mais nos clássicos (ou mesmo em um Jimi Hendrix tocando sua guitarra)...

A conclusão é a seguinte: homens de filme pornô, desses que não prestam atenção nas necessidades alheias, agem assim nos outros aspectos da vida. O egoísmo do sexo é tentacular e atinge os outros quesitos. É sempre “eu, eu, eu”... e foda-se o que a outra pessoa gosta, quer ou precisa. Egocentrismo de macho: parabéns, está no caminho certo para não satisfazer ninguém nem sexualmente.


Mas... se houvesse intenção de satisfazer alguém, esse tipo de machinho sairia do mundo encantado? Seja como for, saiam da fantasia falocêntrica pelo bem de si mesmos. Sexo, assim como relacionamento, é para ser praticado a dois (ou três, quatro, cinco... cada um sabe seu ideal). Sozinho é masturbação. Não quer abandonar a ilusão do pau mágico? Compre uma boneca inflável e seja feliz sem colaborar para a insatisfação alheia.


ATENÇÃO - complemento importante: 
Diga não ao Homenzinho de Merda e Homenzinho de Merda: como identificar?


imagem retirada de lugardemulher.com.br


NOTA: resposta aos chorumes recebidos por causa desse texto AQUI