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27 de mai de 2014

por que tirar a dança da dança?

Dança vai muito além da estética... das aulas fitness que tem se proliferado por aí. Dia desses, me deparei com um texto que diz um pouco do que penso sobre o assunto e achei que valia a pena a tradução. Deixo o original, 'Ballet-Themed' Workouts: Why Take the Dancing Out of Dance?, para quem lê em inglês. Segue minha tradução livre:


Hoje vi mais um daqueles anúncios ao lado do meu navegador, tentando me vender mais uma daquelas aulas de treino de balé-temático. Ele tinha todas as características habituais: uma foto de uma jovem instrutora, magra, uma referência a Cisne Negro, uma declaração sobre bundas tonificadas, e, claro, a promessa de "parecer" (não mover-se, sentir-se, ou ser) uma bailarina. Claro, este treino não conteria qualquer técnica de balé e, certamente, nenhuma dança real.

Como bailarina de longa data, fico desanimada com tais movimentos comerciais, que conseguiram tirar a dança da dança. Ainda mais importante, eu vejo essa tendência de "treino de barra" como um sintoma de uma cultura que ensina as pessoas – especialmente as mulheres – a ter um relacionamento com seus corpos só do lado de fora – como eles parecem aos outros – ignorando a experiência interna do movimento.

Lembro-me da afirmação do crítico de arte John Berger sobre ambos os assuntos, pinturas e vida: "Os homens atuam e as mulheres aparecem”. As mulheres não podem agir sem estar constantemente cientes de sua aparência para um observador externo. Embora eu certamente não diria que os treinamentos masculinos ignoram a aparência, podemos ver claramente que este movimento de fitness focado no feminino – especificamente reivindicando fazer alguém parecer uma bailarina sem agir como uma – desempenha a noção de que os corpos das mulheres importam apenas pela forma, não pela função.

Às vezes, fico realmente surpresa como a maioria das pessoas tem uma visão tão limitada do objetivo do movimento e dos corpos. Quando digo às pessoas que sou uma estudante de dança, ou que danço 25 horas por semana, uma resposta comum é: "Uau, isso deve ser realmente um bom exercício."

Exercício – Tenho que me segurar para não rir. Como bailarinos, passamos anos internalizando as nuances da técnica, aprendendo coreografias, engajando-nos em processos criativos, aprimorando a arte, e aprendendo a tornarmo-nos destemidos e emocionalmente expostos no palco.

Dizer que dança é bom como exercício é como dizer que programação de computador é bom para a prática de habilidades de digitação: claro, isso acontece, mas não é o ponto principal.

E enquanto eu adoraria que mais pessoas apreciassem a arte do profissional da dança, tão importante quanto é o papel que a dança pode ter na vida dos não-profissionais que nem sequer se consideram "bailarinos". A dança tem sido usada ao longo da história como uma forma de ligação cultural, experimentação religiosa, cortejo, narração de histórias e diversão. Então, por que devemos apagar tudo isso de nossas vidas para concentrar exclusivamente em bundas malhadas?

Na verdade, sou um pouco cética em relação a todo o conceito de "exercício" como nós atualmente o compreendemos, o ato de mover o corpo isolado do resto de nossas experiências de vida. O movimento está confinado a uma hora programada do dia, escolhido especificamente para um fim estético particular, e divorciado, tanto quanto possível, de qualquer atividade intelectual ou emocional. Talvez seja um sintoma da dualidade cartesiana corpo-mente à qual continuamos nos mantendo agarrados: você pode ser um corpo por uma hora e, em seguida, voltar a ser uma mente para o resto da sua vida, mas os dois não devem se sobrepor.

Muito está em jogo com a nossa concepção de corpo e movimento. Muito tem sido dito sobre como ideais de beleza, tais como os vendidos nestes anúncios de fitness, impactam a auto-estima e a saúde mental – e com razão: estatísticas publicadas pela Associação Nacional de Anorexia Nervosa e Distúrbios Associados afirmam que 91 por cento das universitárias pesquisadas ​​tinham tentado fazer dieta e 35 por cento dos "seguidores de dietas normais” eventualmente se envolvem em dietas patológicas.

Entretanto, até movimentos populares de imagem corporal (pensem na campanha "Real Beleza" de Dove) reforçam a idéia de compreender e apreciar o corpo do lado de fora, dizendo às mulheres que elas realmente parecem "lindas". Mas e se começássemos a apreciar os nossos corpos para fazer, sentir e ser, em vez de apenas parecer?

O treinamento em dança nem sempre está associado à positividade corporal, mas mostra muitas maneiras de entender e apreciar o seu corpo que não estão relacionadas à aparência. Eu amo meu corpo porque ele me permite voar por meio de 20 minutos de saltos intensos. Eu amo meu corpo por causa da gama de possibilidades de improvisação que ele desbloqueia. Eu amo meu corpo por causa do prazer que sinto ao enviá-lo a um fluxo de coreografia contemporânea fluido. Na verdade, eu amo meu corpo, pois ele me permite levantar de manhã e caminhar e ver, ouvir e respirar.

Se você quer fazer essa aula fitness de treino de barra, vá em frente. Mas confie em mim, se você se der a chance de realmente experimentar internamente o movimento em seu corpo fora dos 60 minutos de levantamento de pernas – quer se trate de uma aula de balé iniciante, dançar nua em seu quarto, ou apenas tirar um momento para observar a sensação de seus músculos correndo através de seus ossos, sua pele acariciando seus músculos enquanto você rola para fora da cama de manhã – vale a pena.





A dança é para todas as idades e para todos os corpos!
“Danza y la edad no parece ser un matrimonio hecho en el cielo, pero a mi entender no deben ser vistos con escepticismo. A través de mi larga experiencia como bailarín , coreógrafo y director artístico , y a través de mis encuentros con las culturas de Asia oriental y los aborígenes australianos , me he enterado de que poseemos la habilidad de bailar a lo largo de toda nuestra vida y que debe ser valorada y respetábamos – Sí , estamos en condiciones de bailar “Desde el vientre materno hasta la tumba ” ….!
 Leia esse texto na íntegra AQUI