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28 de jun de 2014

Na torcida (metáforas)

Logo mais a seleção entra em campo contra o Chile, nas oitavas de final. Ainda não se sabe qual o resultado, mas já sabem qual minha torcida. Sem revanche contra o Anderson – de uma forma ou de outra, (seja qual for o motivo, a depender da interpretação de cada teoria conspiratória diferente), mereceu perder. Torço pelo Lyoto mesmo – é um lutador que admiro.

Era o que eu pensava enquanto pintava minhas unhas de verde. Estou na torcida pelo Brasil sim – não pela seleção. Faço eu minhas próprias unhas. Gosto. Acho terapêutico. Um sinal de que não estou bem? Passar mais de 2 dias com as unhas largadas de qualquer jeito – não consigo. Me dá tanta agonia quanto outras pessoas mexendo nas minhas unhas (mais um motivo para eu mesma arrancar bifes meus).

Chatice isso. Parece que, por ser brasileira, tenho obrigação de estar torcendo pelo Brasil e vibrando com os avanços da seleção. É compulsório vibrar com uma seleção na qual não acredito? (nem como time eu acredito gente...) Coisa mais falsa. Pois que perca – logo mais ou nas quartas. Por mais que eu goste da desculpa para encontrar amigos... Gosto mais do país – e o Brasil não merece esse campeonato, não neste momento.

Ainda assim, pintei as unhas de verde. Verde! Eu, que estou quase sempre com unhas vermelhas... Sinal de que estou torcendo por um atleta brasileiro sim. Um que eu admiro por diversos motivos diferentes, enquanto lutador e indivíduo (e se o tema fosse MMA ou artes marciais, me alongaria nas explanações... mas estamos em Copa!). Não gosto de assistir futebol nem como espectadora. Chato. Enfadonho. Prefiro patinação artística (no gelo), campeonatos e demonstrações de lutas, danças de variados estilos... vôlei... até campeonato de pôquer! 


Motivos pra torcer pelo Brasil? Lyoto. E posso falar uma opinião minha – pessoal e intransferível? No dia em que ele, de fato, incorporar o Mr. Miyagi... aí a porra fica séria! Aprendi a nunca, jamais, em hipótese alguma, subestimar um japa. Em nada. Historicamente, nem um americano. E, infelizmente, sempre um brasileiro. Então façamos nossas apostas.

A mezzo-alemã mezzo-brasileira, porém com alma italiana, (eu!), resolveu checar o Google – achei que era um pouco mais confiável do que o coleguinha que falou da luta no último jogo. Não era só em julho? É, só semana que vem... #xatiada Tudo bem. Justifico minhas unhas verdes, aos outros, dizendo que estou torcendo pelo Brasil. Afinal, de uma forma ou de outra, estou mesmo.



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

26 de jun de 2014

Velha Copa (metáforas)

Era um domingo qualquer. Da Copa. Eu, empolgadíssima com Bélgica x Rússia. Tão animada que saí para caminhar, sentar embaixo de alguma árvore, fumar um cigarro. Cazuza era a trilha sonora. Nossa,“amo a pessoa que inventou o mp3!” – era meu pensamento enquanto escolhia a música no ipod.

Quantas fitas cassete eu deveria carregar apenas para ter a quantidade de cazuzas que tenho no ipod? Quantos cds? A diferença que isso faz em viagens de carro... Santo inventor do mp3, declaro amor eterno a ti! Ao inventor do vaso sanitário também (by the way, provavelmente a maior invenção da humanidade!). Pensamentos dominicais que não cessaram no dia seguinte. Nem podiam.

Quem nunca teve que rebobinar fitas (cassete ou vídeo)? Well... muita gente. O verbo rebobinar ainda existe? Não bastava ter jogo da seleção na minha cidade – tinha que ter visita de parentes distantes. Estranhamente, fui simpática com todos eles (de verdade). É... sinceridade. Duplo fio. Cuts both ways. Como minha prima estava envelhecida! Minha sobrinha, filha dela, uma mocinha já. Eu olhava no espelho e não via a minha idade? Ou ela não aparecia aos meus olhos?

Fato é que a sobrinha... Deuses, como está grande! Linda! Ela refletiu melhor do que qualquer espelho: estou velha. G-ZUIZ! E as postagens dos coleguinhas naquela rede social? Selfies e demais fotos felizes no estádio. Jogo da seleção, né. Vamos ostentar! Puff... Uns, pareciam de fato felizes. Sorria com eles. Outros, tão verdadeiros quanto bolsas de marca da feira dos importados (ou da 25 de março, as you wish) – desses, rio.

Os coleguinhas que me chamaram a atenção, entretanto, foram os (alguns) da época do colégio (1º e 2º graus para nós, velhacos que não fizemos ensino médio). Nas fotos-ostentação diretamente do estádio nacional. Acho que uns poucos da época caloura-universitária também – esses, mais raros. O que aconteceu com os(as) gatos(as) da época do colégio? (os alguns) Cadê a gatice/gostosura desse povo?

Falamos de alguns, apenas. Mas... se nem os escritores (e demais articulistas das palavras, seja em que meio for) geniais são lidos... e se, nem quando lidos, agradam a todos... Ofenda-se quem escolher, deliberadamente, se ofender. No dia seguinte, meu choque era pensar que a época do colégio foi há quantos anos?... É. Um uruguaio morde um italiano, xingo algo em italiano gesticulando e ... A primeira vez que estive por lá foi quando?... É. Velhaca. Fim.

And yet... Ainda “somos tão jovens”. Que clichê. Às vezes, sinto que somos mais idealistas do que as gerações mais novas. Alguns de nós, apenas. Não há país no mundo que eu ame mais do que o Brasil. Inexistente. Relação de amor e ódio. Queria, do fundo do coração, que nossa seleção perdesse – se não nas oitavas, nas quartas. Quero, não nego, respondo às acusações de reacismo quando eu me importar com elas.



Sim, futebol faz parte da cultura brasileira – assim como machismo, racismo, ‘jeitinho’, corrupção, homofobia, prostituição infantil, violência doméstica... e tantas outras coisas bacanas. Embora eu goste da festa e de ver pessoas em festa, prefiro que as pessoas fiquem em luto (talvez isso as leve a refletir, talvez uma derrota da seleção sirva como gatilho, talvez...). Precisamos de mudanças – e sabemos que uma vitória do Brasil seria certeza de manutenção do sagrado partido.

Não sei quem virá ou poderia vir. Já votei no PT por precisarmos de mudanças – mais tarde, recobrei a razão. Continuamos precisando de mudanças e, convenhamos, o PT não será o motor delas... (nem PSDB, Dudu/Marina, e tantos outros que estão por aí...). O Brasil ganhar a Copa significa manutenção automática do status quo... Que ele ao menos seja sacudido ou leve umas mordidas.

De pouquinho em pouquinho... Quem garante que o Dia D (de Demolição), um dia, não chega? Desacreditá-lo logo de cara é que não gera nem cócegas... (e me chamam de pessimista, apenas por torcer para qualquer um, menos o Brasil, ganhar essa Copa?). De qualquer forma, desconsidere tudo isso que foi dito – ou não. Alguns dias de Copa e uma velha rabugenta e ranzinza, apenas. 



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.


24 de jun de 2014

Obrigada Brasil (metáforas)

É, obrigada. Independente do resultado daquele jogo ruim, toda vez que você entra em campo o guardião da minha cama fica mal... Aconteceu ontem de novo. Fogos de artifício, buzinas, gritos, vuvuzelas... O bichano fica estressado, assustado, se esconde embaixo da cama, não come nem dorme direito.

Guardião da cama ANTES da Copa


Por mim, esse negócio primitivo chamado futebol não existiria. Além do barulho (e da sujeira!) que polui a cidade, é tudo cheio demais. Cheio de coisinhas do tempo das cavernas. Cheio de preconceitozinhos. Cheio de clichês e de senso comum. Argh! Não odeio copas por motivos de: desculpas para encontrar as pessoas. Apenas. Ou seja... (dá para notar que não sou das fãs do esporte e dos festejos, espero)

Num desses encontros com as pessoas, entre um copo de cerveja e um de qualquer outra coisa, surgiu o assunto Passaporte Sexual. E eu... What the fuck? Já provei carne brasileira, argentina, colombiana, francesa (vive La France!)... Mas sou daquelas que até solteira, estudando em outro país, acaba topando com brasileiro (no princípio, geralmente se aproximam achando que sou gringa...rs...). Por que estavam falando disso? Ah, Copa.

Aparentemente, segundo dizem, “as únicas pessoas que estão gostando da Copa são as putinhas que estão dando pros gringos" e está "aberta a temporada de fingir que é gringo pra pegar a mulherada" (e essas são das coisas mais meigas que vi/li/ouvi por aí). O tom depreciativo, às vezes revoltado, com que as pessoas dizem as coisas é uma verdadeira aula de etiqueta! Atrás de uma tela de computador – ou solto pelo álcool – o ser humano é um poeta!

Engraçado como não se fala assim, nesse tom depreciativo-revoltadinho, quando são os machos brasileiros honrando suas bolas correndo atrás de gringa loira né... O assunto, as putas, são as gringas loiras, lógico! O macho brasileiro só se deu bem comendo uma gringa ué. Do mesmo jeito que o macho gringo só se deu bem comendo uma puta brasileira ué. Honra às bolas!

Ai ai... o futebol pode até ser uma caixinha de surpresas, mas essa previsibilidade museológica  que o transforma num micro cosmo tosquinho da realidade... ai... isso mata. Às vezes, é tudo mais previsível do que comédia romântica! Risível. Com um quê de surpreendente. Se ao menos fosse boa a surpresa... Mas nem nisso o ser humano surpreende?


Leia também:



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

22 de jun de 2014

Inveja (metáforas)

A Copa – ou meu desgosto por ela – gera mais material do que eu pensava. Olho... fico entediada... não aguento mais futebol futebol futebol... escrevo sobre alguma coisa argh que aconteceu naquele dia em que eu não aguentava mais futebol. That’s it. Já que na Copa, no país sede da Copa, em uma cidade sede de jogos, fica difícil fugir da Copa (e, consequentemente, do futebol)... Todo dia é um não agüento mais futebol em minha vida.

Sabe o que é? Tô naquele período da vida em que prefiro ficar trancada num quarto e, nos intervalos tomar um vinho... do que ir beber em um bar cheio de gente. Bem, não estou falando de ficar trancada em um quarto sozinha né...(entendam como quiserem...)... nem de dar uma de Heleninha. Nesse contexto... Às vezes, passeio pela cidade (devo admitir que a iluminação/decoração da Copa está bacana) e, outras vezes, fico trancada no quarto acompanhando postagens (em redes sociais, blogs, sites de notícias). 

crédito da foto: Nicolau El-moor 

Futebol futebol futebol. Política política política. (e se fossem postagens interessantes, inteligentes, com abordagens diferenciadas... não, sempre a mesma patifaria...) Até aqui no meu próprio blog, direta ou indiretamente, futebol. E política. Pelo menos não estou postando selfies sorridentes em estádios, naqueles jogos que eu mesma não assistiria, de seleções que ninguém dá a mínima...

Viver em sociedade se tornou mais insalubre com essa disseminação (e mobilidade) da internet. A cafonice das pessoas ficava debaixo do tapete sabe. A ignorância, a coitadice e a falta de ticos e tecos também. A lista never ends! Preconceitos, violências, desrespeitos – e talvez seja positivo que estes estejam saindo debaixo do tapete... (tudo nesta vida depende do referencial adotado, do interlocutor, do receptor...)

Inveja (inveja mesmo!) tenho dos amigos que estão agora neste exato momento ali no Hellfest Open Air, na França. E duvido que eu seja a única, entre nossos amigos, que também preferia estar lá... em vez de estar no meio da Copa. Pessoal, vocês tem o DEVER de curtirem MUITOOOO! Inclusive, para representar a todos que preferíamos estar aí com vocês viu. Nos representem!

Aliás, nos esqueçam! Começaram a eurotrip postando fotos de lugares que me marcaram, dos quais tenho lembranças (boas e ruins) e amnésias (go figure!). Estou lembrando (ou não). Estão vivendo. Nem pensem em mim ou em qualquer outra pessoa que esteja por aqui. Esse sofrimento (‘entediamento’?) é nosso.


That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.





NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

21 de jun de 2014

Ai Rutinha (metáforas)

Querer esfaquear o som do carro. Uma crônica. Pós McDonalds. No feriado. Ai Corpus Cristi gordo... É isso. Queria esfaquear o som daquele carro quando tocou aquela música. Sensação ruim que dá o sofrimento auditivo causado pela emissão de certos sons viu... Por que justo essa pessoa faz isso? (e não conseguir não gostar dessa pessoa que faz isso... é o quê?)

Então justo algumas pessoas que tinham reputação ilibada no quesito compartilhamento de textos interessantes/inteligentes/engraçados... Por que justo essas pessoas estavam compartilhando ESSE texto? Juro: quando li o título, achei que era algo humorístico. Quis esfaquear a tela do computador! Sensação ruim... a (minha) leitura, as pessoas endeusando acriticamente, mulheres lamentando “olha aí porque estou solteira”... mimimi.

Não vou nem falar dos homens porque né... Dispenso os manés. Esses aí, que você generaliza como sendo todos. E nossa... graças aos deuses não são! Por que outra razão eu continuaria insistindo neles? (além, é claro, de sentir tesão nessa raça) No fim das contas, são as diferenças que importam. E é isso que você parece não (querer) enxergar...

Masculinidade... Feminilidade... Não entendi querer questioná-las fazendo exatamente aquilo que o conceito delas já faz: estereotipar, generalizar, moldar, uniformizar. Quanto aos homens, nem me incomoda... eu mesma já encontrei tantos idiotas estereotipados que perdi as contas! (de repente, eles se tocam que não precisam ser assim...) Muito mais do que mulheres, inclusive...

Desprezar as possibilidades de individualidades e, principalmente, de vontades, femininas é o que me incomoda no seu texto. Nada daquilo, por exemplo, me representa – embora eu também seja da geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivada a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a minha independência. And yet... Oi? 


Ao contrário... No que diz respeito a relacionamentos e a papéis sociais, a maioria de nós foi criada para submeter (a alguém), agradar (a alguém), respeitar (a alguém), investir (em alguém), abrir mão (por alguém), ter medo (de alguém), silenciar (por alguém). Coloque os alguéns no plural para todos os verbos! Esta é a realidade. Em nível individual e coletivo. No sexo e fora dele. Independente da classe social – e o texto faz menos sentido ainda se o pano de fundo da história for uma cidadezinha do interior (como a da minha família) ou do sertão nordestino... na qual essas mulheres são ainda mais escassas.

E eu poderia falar de outros países e culturas, aproveitar os times da Copa e buscar a realidade daquelas nações que estão sendo representadas em campo... Permanecer no Brasil basta. Nossa realidade contemporânea é múltipla e diversa o bastante, em todos os aspectos, para ilustrar fossos. E em qualquer assunto. Basta esse espaço amostral país-continente.

Poderia ser lida como uma crítica ao machismo estrutural, pela exposição de homens despreparados para lidar com essas novas mulheres... Com boa vontade. Convenhamos: ficou mal feito. O que há ali é uma exposição das neuras e inseguranças femininas, sem ligá-las, de fato, ao machismo estrutural e, por outro lado, resumindo toda a feminilidade a ter um homem... Ai, preguiça sabe. Liberdade para sequer pensar em qualquer coisa que qualquer homem vá pensar sobre minha liberdade, cadê?

E eu poderia falar de outras mulheres, afinal conheço várias e já li várias... Permanecer em mim basta – posso ser meu espaço amostral. Minha personalidade é múltipla e diversa o bastante para ilustrar que, criada para ser independente e ganhar o mundo, não sou representada. Fui criada para pensar sobre o que o homem quer e agir de acordo com isso viu – eu e a maioria; foi e continua sendo. Seja livre e independente (do mundo), mas submissa nos relacionamentos (heteros, porque deusolivre homos!).

De repente, leio um texto que pretende discutir a nova mulher, mas acaba por resumir tudo a pensar em como o homem vai lidar com essa nova mulher. Se ela é nova, e o mundo é velho... O que ela, sujeito da ação e da mudança, quer? Tenta-se fugir da submissão feminina submetendo-a (e justamente a o que o homem quer). Mais um texto falando de liberdade feminina e ligando-a a vontade do homem, pautando-a por ela... Apenas.

A incrível geração que foi criada para não perceber que está no século XXI e que foda-se o que o homem quer. Apenas mais um texto repressor - e pior: escrito de forma a aparentar ser libertário! Não caia nessa hein! Liberdade, desde que aprovada-entendida-vista pelo ponto de vista masculino ou ligada a ele? 

Pra mim ficou um “ai, sou livre e independente”... “ai, por isso estou solteira”... “ai, ele não me quer”... “ai, vou ficar pra titia”... “ai...tudo girando em volta da vontade do homem”. Mas... Daí terminei a leitura me perguntando: e o que essas mulheres querem? Esse tipo de hominho medroso? É isso aí a vontade dessa mulher? E na boa... se essa mulher se importasse com o que o homem quer, ela seria quem é? Liberdade de foda-se, cadê?

Pois é... ando dando tanta importância aos jogos da Copa que, em meio a intermináveis compartilhamentos de textos e imagens copísticos, um texto não relacionado com futebol me chamou a atenção. A Marjorie Rodrigues escreveu uma excelente resposta AQUI – como continuei com um mal estar engasgado mesmo após ler essa resposta que me representa, resolvi comentar o ‘original’ também.








That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.

20 de jun de 2014

Sobre objetos (metáforas)

É claro que todos amamos ser objetificados. Por fãs, por pessoas aleatórias, pela pessoa que amamos, por quem sentimos tesão. Amamos que alguém – ou todas as opções – nos objetifique. Não deixamos, entretanto, de ser sujeitos e agentes da nossa objetificação (consentida!).

Me dá um tesão louco ver a pessoa na qual tenho tesão com tesão. Entende? Só um exemplo. E tenho nojo, verdadeiro asco, de demonstrações de estar com tesão vindas de gente aleatória, desconhecida. Adoro ser chamada de puta – e odeio que me chamem de puta. O que há entre as situações não é uma grande diferença: é um abismo mesmo o que as separa.

Não enxerga (ou acha mais cômodo não enxergar) esse abismo? Colega, se jogue no abismo – faça esse favor ao mundo. E as crianças mimadas, embora adultas, que não sabem lidar com nãos, com não estou interessada? Partem para violência, ou chantagens emocionais, ou vitimismo, ou xingamentos, ou desmoralização, ou “insistência’’ (ou uma combinação delas). Previsibilidade chata essa hein.

Medo de olhar para o abismo? Been there, done that. Not anymore. Já tive medo. Já olhei. Já me joguei sem para quedas. Já escalei de volta. Sento em sua beirada e conversamos. E você? Um dos meus hábitos estranhos é, enquanto consulto o Houaiss (por alguma dúvida de ortografia), olhar palavras novas (e G-ZUIZ! A quantidade de palavras na minha língua nativa que não sei o significado é incontável...).

Eis que agora procurava pelo para quedas (uso do hífen, bláblábla... por que procuro, se optarei pelo que eu achar melhor?). Me deparei com o adjetivo parafrênico – referente a parafrenia. What the fuck is parafrenia? Pesquisar.

substantivo feminino
Rubrica: psiquiatria. Diacronismo: obsoleto.
designação genérica de um conjunto de problemas mentais que inclui a demência precoce e a paranóia.

Estou paranóica, ou o Houaiss acaba de me enviar uma mensagem subliminar? Ou estaria o país tomado por uma demência coletiva em relação à Copa e às Eleições? Ou eu estou completamente paranóica quanto à existência de tal demência (coletiva e individual)? Foda-se. Falávamos de objetos – fugi do assunto, mas eram os objetos da Copa


O pessoal que está reclamando da objetificação dos jogadores deveria dar uma olhada, atentamente, nos sites de notícias, celebridades, esportes... Tudo relacionado à Copa. Musas da torcida. Torcedoras (insira aqui uma nacionalidade) gatas. Ex-affair de (insira aqui jogador). Affair/namorada/noiva/esposa de (insira aqui jogador). Marias chuteiras. Bandeirinha. Repórter. (sempre com foco nos “atributos físicos”).

Compare a quantidade disso aí do parágrafo anterior, com a quantidade de publicações objetificando os jogadores (ou chamando-os de comedor, bem dotado, forte... que tipo de depreciação aparece, ou se aparece?). Em uma competição masculina... a objetificação maior continua sendo a feminina. A depreciação, também. Apenas uma projeção da realidade? Um recorte do tema estudado, para teorizar sobre o todo? Os objetos da Copa são apenas um recorte, uma representação, dos objetos da realidade: mulheres, mostly.


Objetificação... Consentida? Nem sempre. Avaliem antes de serem cúmplices. Durante e depois da Copa. No todo e nas partes. Sem mimimi. Sem relativizações, justificativas e todo esse blábláblá decorado do senso comum que sofre de demência coletiva. Ou assumam-se ruminantes e parem de dizer que vieram do macaco (aliás, tadinho do macaco que tem um ancestral em comum conosco...).

Partiu olhar qual a nossa parte na profundidade deste(s) abismo(s), antes de creditar-lhe(s) a outrem ou a alguma entidade superior? Individual e coletivamente – em diversos assuntos e temas.

That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.





NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.


18 de jun de 2014

Pequenas porções (metáforas)

Tentei usar unhas verdes ontem. Sabe como é, jogo da seleção. Não deu certo. Hoje, voltei ao vermelho. Talvez, as roupas também devam voltar ao luto habitual. “Eu sou um negro gato” – por favor, na voz de Marisa Monte.

Estou enjoada. Não sei se é apenas físico (ou se há uma parcela de enjôo de você que somatizou e está se manifestando fisicamente... ou pode só ter sido aquela torta com palmito e um requeijão estranho do almoço... sei lá). Enjoadíssima, segurando a vontade de vomitar. Quase. Chegou perto quando li a resposta.

“Estou com saudades”. Cri cri cri. De repente, a fala brilhante: “hehehe”. Gênio! Bela resposta. Para perder alguém. Oi? Tinha preguiça. Tenho enjôo. De você e de toda essa politicagem que tem sido feita por aí (política e não politicamente falando). Tudo se resume a mais do mesmo. Inclusive grandes seleções passando vexame – ai, jogo(s) medonho(s).

Imagem: The Time-Tested Genius of Absurdity (by sgibb on deviantART)

Pequenas porções. De amor. Tem gente que não sabe dá-las. E, de repente, se surpreendem com uma morte prematura que, ao outro, parecia premeditada. Tem gente que as dá. E, de repente, se surpreendem com pequenas porções recebidas. E tem você – aquela gente que não sabe dá-las e que as dá.

Um dia a discussão chega – silenciosa ou não. Se um dia lhe perguntei algo com a voz doce... (e veja bem, não é sexy, nem manhosa – é doce!). Não é preciso estar apaixonado para escrever sobre como é estar apaixonado: basta já ter estado. Uma, duas, três... sei lá quantas vezes! Parecia não querer. De repente, queria. Depois, não queria. Isso aí são pequenas porções de tortura – para quem está apaixonado.

A gente sente que isso aconteceu ou está em vias de acontecer. A gente escolhe também. Se já aconteceu, podemos continuar nisso ou não. Se está em vias de acontecer, podemos dar espaço para que aconteça ou não. Escolhas. E o clichê, confirmado pela vida, é que toda escolha é uma renúncia.

Cada um está disposto a renunciar coisas diferentes. Cada um pode, em diferentes épocas da vida, estar disposto a renunciar coisas diferentes. O que renuncio hoje, provavelmente não é o que renunciaria há 15 anos. And yet... continua sendo. Coisas que a gente pensa assistindo a um enfadonho jogo Brasil e México, regado a cevada, plantas e boa cia.

Não bastasse o futebol... essa Copa...  Aguardem o FlaxFlu 24 horas por dia que virá! É... Essa merda chamada 2014 também é ano de eleições. Tudo uma merda – da minha vida pessoal ao panorama político-econômico-social mundial. Não sei se procede, mas a mim parece um ano regido por Shiva. Força na peruca que ainda não foi nem metade!

Sabia que amanhã é feriado? Mais um, em pleno período feriadístico que acontece de 4 em 4 anos. Segunda também será feriado viu. É chato que eu tenha vontade de te ver e pense em usar os períodos de copa como mais uma desculpa para estar contigo?... Ao mesmo tempo, às vezes prefiro ficar em casa sozinha, assistindo Alemanha x Portugal, Espanha x Chile... ou apenas lendo, vendo um filme. Eu e meu gato, em silêncio. Chocolate derrete na boca...



Essa semana, já ganhei pequenas porções de amor – vieram disfarçadas de ‘mini-chocolates’ e de sinceridade/consideração. Partiram de pessoas diferentes, e isso me faz feliz. Nessa mesma semana, também já ganhei pequenas porções de indiferença – vieram disfarçadas de... (estou optando por ignorá-las, pelo bem da minha sanidade). Se não me faz bem, melhor ignorar. Mantra interior foooodaaaa-seeee em linguagem Budista-coloquial de rua.

O que odeio? (em você, em situações, em jogos, em politicagens, etc...) Esse roteiro pré-escrito... que me dava preguiça... Ai, me dando enjôo sabe... S.E.M. N.O.Ç.Ã.O. A.P.E.N.A.S. Ignorando... ou tentando.

That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.





NOTA: semana passada publiquei, voluntariamente, uma série de cinco textos – não sobre a mesma história, mas sobre o mesmo tema – um pequeno projeto de Pequenas Crônicas do Cotidiano do Amor (ou Pequenas Crônicas Cotidiano-Amorosas?). Desejando que a (des)ilusão esteja convosco, pois ela está entre nós. Sem maniqueísmos. Os textos, de segunda a sexta, foram: Colérica; Declarações Simbólicas; Começo, Meio e Fim; Apenas; Hoje.

Acho que esta semana comecei, involuntariamente, uma nova série – com número indefinido de textos; o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro é ESSE.





16 de jun de 2014

Prioridades x Copa (metáforas)

Apenas isso. Nada pessoal, de verdade. Não, você não fez nada errado e não te odeio nem guardo mágoas. Você foi importante, não é mais. Desimporta, de verdade. Não faz mais parte, não encaixa mais e, algumas vezes, causa até sintomas desagradáveis.

Prefiro ter por perto quem me traga apenas energias boas. Vibrações positivas. Que me faça vibrar de modo a procurar meu melhor. Amor para mim, por exemplo, não é uma prioridade por si mesma, tampouco a amizade. Podem passar a ser ou deixar de ser – depende, entre outros fatores, do que estou recebendo. Trocas, interesses... por que não?

Todos temos. Todos trocamos no dia a dia. A diferença está em o quê, como. Há quem busque status ou bens materiais. Há quem busque fidelidade no modelo patriarcal da coisa. Há quem busque honestidade, sinceridade. Há quem busque sexo. Há quem busque uma mistura dessas coisas. E há cada um de nós, que não sabemos o que estamos buscando até que encontremos.

Então cada um de nós segue um caminho. Que podem voltar a se cruzar ou não – e não entendo porque certas pessoas, na ânsia de reviver um passado que não existe mais, tentam forçar o cruzamento de caminhos (próprios ou alheios). Acontece (ou não), aceitemos. Às vezes, as pessoas apenas não querem – aceitemos isso também.

E cada um, indivíduos e povos, tem sua prioridade. Muita brasilianidade pode fazer mal – no cotidiano e em conjunto. Não consigo admirar quem prioriza o que me desimporta. E admiração é uma base necessária para o respeito, a confiança, o querer melhorar. Que se dane quem me pede respeito e ajuda a foder geral sem KY – sim, Dilma, vá tomar no cu! E que se dane quem fica deslumbradinho escrevendo e compartilhando que torcida do Japão ajuda a limpar estádio depois do jogo.

Espanta torcedores levando embora o lixo? Já pararam pra pensar que... Isso só é notícia em país de gente porca, que nunca ajuda a limpar (ou a cuidar e manter limpo) nada? Aplaudir os japoneses todos querem... já seguir o exemplo e serem 'civilizados' no dia a dia... Muito difícil né? Prioridades...

Hello! Eles só fizeram o que gente civilizada deveria fazer: levar um saquinho de lixo para levar embora o lixo que ajudaram a produzir. Será coincidência que eles reconstruam tudo após um tsunami mais rápida e eficientemente do que construímos um estádio? Será coincidência que aqui a gente encontre lixo em cachoeiras dentro de parques nacionais? (aliás... custa levar saquinho de lixo pras cachus minha gente?!? Custa?!?).

Não é a toa que aquelas ilhazinhas medíocres são aquele país foda. E que esse continente foda seja esse país medíocre. Decisões diárias, que partem não só da política e dos políticos, mas também de cada cidadão, todos os dias. Individualmente, talvez caiba somente a cada um pensar em sua fodisse e em sua mediocridade – e definir suas prioridades a partir disso.

Pequenas noções de civilidade mostradas por torcedores japoneses. Pequenas lições não aprendidas por nós em mais de 500 anos. E o assunto inicial do texto perdeu-se (ou não). Relevem. Comemoro goleada da Alemanha com a mesma indiferença com a qual acompanho jogos do Brasil. E, talvez, me afaste assim... com certa indiferença. A verdade é que certas coisas cansam – e que cada um tem a sua própria versão das certas coisas que cansam.

Se o país, a pessoa, a situação... se seja o que for... Cansou? Mude-se ou se mude. Não adianta cobrar mudanças externas, quando as internas não são feitas, tentadas. Para cada dedo que aponta há, no mínimo, três apontando de volta. Que tal, em política e na vida, parar de procurar e apontar os erros alheios?... E, em vez disso, olhar para si? Procurar em si?

O quê? Cada um sabe. A verdade é que, se não mudarmos como indivíduos, não podemos esperar mudanças no coletivo. Seja este coletivo: um solteiro e seu gato, um casal, uma família com filhos, uma cidade, um país, um grupo de amigos. E, de alguma forma, tenho procurado ficar mais próxima a pessoas que queiram algumas mudanças, em todos os níveis de agrupamentos... E não sei mais ficar perto de quem apóia – direta ou indiretamente – injustiças, linchamentos (físicos ou morais).

Em nível coletivo. E individual. That’s all folks. Enough com essas metáforas do dia proporcionadas pela Copa


E não custa lembrar, como bem disse meu amigo Diogo Ferreira, biólogo: “Os japoneses realmente são muito educados... eles catam o lixo do estádio e matam as baleias e golfinhos que cagam nos oceanos! Vocês deveriam aprender com eles...”  Tudo tem seu pró e seu contra – a vida não é esse maniqueísmo burro que divide tudo numa luta entre bem e mal. A realidade não é feita de mocinhos e vilões (apenas, mas também).






13 de jun de 2014

Hoje (pequenas crônicas)

Nada de ira. Raiva, se existir alguma, só de mim. É algo mais próximo de tristeza sem, no entanto, ser triste. Desapontamento. Decepção. Descrença. Com a própria estupidez. Com o dejavù. Com o outro. Quase chorei. As lágrimas paravam no momento em que iam escorrer. O olho afogava-se, para em seguida dar lugar a uma inspiração profunda, a uma expiração lenta e cansada. Por vezes, ofegante.

Vontade genuína de cometer um homicídio. Isso desmontaria mais a vítima, do que dar-lhe um abraço apertado de saudades? Sinceramente, não sei. Também tenho vontade genuína disso. E de encher-lhe de beijos. Castrá-lo, enquanto lhe faço aquela oralidade sem palavras. Distrair-me com seu cheiro frustraria meus planos – apenas isso. Tento manter a aparência de calma, carente... Evito brigas à distância... De perto, distraio-me.

Tolo. O narcótico não é o falo. É aquele invisível campo de força magnético, embora superficial, que envolve a pele. É o efeito do olfato. É a saliva. A proximidade física é um fator agravante sobre vontades. A obviedade, o como se sobrepõe, é algo patética. Inocente. Pueril. Instintiva. Manter a distância, nesses casos, pode vir a ser fatal.

And yet... Não é um sentimento físico. Esperava alguma história lógica? E quem lhe disse que o amor – ou a falta dele – é lógico? Às vezes, me sinto tão idiota... Em vez de tapa na minha cara, me olho no espelho e rio. Não sei bem o que eu esperava... mas não era nada daquilo. Inesperado. Se bom ou ruim, o tempo dirá.

O que eu esperava? Lide com a realidade, oras. Ela se localiza entre o sonho e o pesadelo. Não é nada daquilo, e é aquilo tudo. Tangível. Por vezes, (in)existente. Real para quem a vive. É essa efemeridade, esse aqui e agora, hoje, presente... que pode durar mais um dia ou mais um ano. Expectativas frustradas? Excedidas? Esgotadas.

Esgotamento... Do quê? Ainda quero engolir inteiro, embora não o faça. Quem nunca? Hoje, ontem, amanhã. Quem nunca? Medo do tamanho da felicidade e de sua complementar, a tristeza. São, ou não, inversamente proporcionais? Maior queda... Puff. Quem nunca? (Pensamentos aleatórios, apenas). Te lamber inteiro...

Ou não. Talvez devesse ser exposto na cozinha de Hannibal Lecter. Jantar romântico. Você, como prato principal. Me lambuzo. Sinto seu gozo escorrer, enquanto afio as facas. Desisto de usá-las. Esgotada. Um não sei o quê temperado com um gosto amargo, doce, envolvente. Senhoras e senhores, mais um ser humano vira motivo de piadas por culpa de um anjinho com complexo de Legolas.


É o que temos para hoje. Excruciante. Sinta como leveza ou como esmagamento. Andar sobre as águas ou nelas se afogar. Inconstantes amantes. Heróica – ou heroinísticamente? – falando... Uma droga cuja abstinência é excruciante. Cuja presença, por outro lado, atenua qualquer coisa... até a própria ausência. Vem cá, mal necessário... Seja qual for. Te mastigo inteiro. 




"Pega da vida tudo o que ela te der, seja o que for, sempre que te interesse e possa dar certo.
A tragédia é o mais ridículo que há e nada vale mais do que a risada.
Onde não puderes amar, não te demores"
Frida Khalo - 1907-1954



> Pequenas Crônicas começou AQUI. Esse que você acabou de ler é o quinto e último, de um total de cinco textos. Obra de ficção e portadora de figuras de linguagem – então stop the mimimi!


Not to be continued.

12 de jun de 2014

Apenas (pequenas crônicas)

“Não sei o que ele sente”. Foda-se. Não sei nem o que eu sinto – só sei que sinto. O quê, exatamente? Sei lá. Deveria me importar? Disposição, tenho. Para muitas coisas, exceto para jogos. Cansadinha dessa improdutividade, sabe? Jogos... Preguiça deles. Em que ponto da escala evolutiva o ser humano aprendeu que era excitante e divertido se fazer de difícil? Só por jogar?... Acho brochante. Improdutivo. Gasto desnecessário de energia. Se joga!

Se quebrar é inevitável, se jogar é opcional. Releituras poéticas realistas. C’est La vie. Uma variante, elegante, de shit happens. Sentimentos conflitantes: a fratura menos exposta vem com a ‘jogação’ ou com a falta dela? A exposição, não abre caminhos inexplorados? Abrir-se não é, também, um libertar-se? De velhos vícios, de velhos medos... Old habits die hard.

Não tatuei essa palavra à toa no meu corpo. Sou viciada nisso. Liberdade. Essa (in)segurança que só ela é capaz de me proporcionar. Não sei pensar uma relação em sua ausência. Ruim com ela, pior sem ela. Não sei viver sem ela – a liberdade – e não quero que ninguém precise viver sem ela. Ela está entre nós – dever estar!

Se houver uma onipresença, é a dela, da liberdade. Individualidades, que se mantêm e que se somam. Sem essa de fusão! Em vez de um uníssono, no mínimo três: as duas iniciais e a intersecção delas. União, talvez. Um conjunto matemático de cálculos incertos. Cheio de tangentes.

A geometria espacial, na qual retas se tornam curvas... Tato, olfato, paladar, audição... e visão. Fissão ou fusão, quem se importa? A energia, de repente, está indo e vindo, numa troca, numa mistura. O roteirista dessa nossa vida está sempre se embebedando, se drogando... Cicatrizes são compulsórias. C’est La vie. Acontece com ou sem nossa autorização expressa.

Pelo menos curte, sorri (in)finitamente... até que o corte venha. Ele virá – passem a vida toda juntos... um dia alguém morre antes do outro, causando uma ferida profunda, quase incurável. Se joga! Antes das lágrimas vem os sorrisos – aqueles imprevistos, naturais, cheios de... Chocolate! Se tivesse que descrever o que lhes dá aquela aura de felicidade, descreveria como chocolate.

Um Lindt. Kopenhagen. Algum dos mais suculentos. É, chocolates podem ser suculentos. Então monto um manual de como agir com ele em minha cabecinha, passo a passo. O roteiro está escrito, estudado, pensado. Quando ele chega... Esqueço os atos, as cenas. Recebo-o aos beijos e abraços; frágil e assertiva. Por que brigar se podemos aproveitar melhor nosso tempo? Alguém seguiu alguma das sugestões do roteiro? Recomendações inúteis diante de improvisos e de açúcar.


 


Atuações... Quanta desnecessidade sendo vendida como algo necessário. Lei da Oferta e da Demanda. Eu? Apenas gosto desses momentos de tirar o fôlego... a dois. Perco o ar enquanto me acho. Sem usar símbolos de posse, como um cadeado, para representar nada. Ideia profundamente perturbada, não? Anular as agências das pessoas envolvidas, colocando-as em uma masmorra?

Talvez amar seja um verbo perturbado. Sua negação também o seja. Mas precisa ser destrutivo das subjetividades? Apenas gosto. E perco o ar.




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To be continued...

11 de jun de 2014

Começo, Meio e Fim (pequenas crônicas)

Quem foi o idiota que enfiou nas cabeças das pessoas que todas as coisas passam por essas etapas? A única etapa verídica é o que há entre. Entre aquele sentimento que começou sabe-se lá onde. Entre aquele sentimento que morreu sabe-se lá onde (e que pode nem morrer!). “Quem, como, quando, onde, por quê?” podem servir ao lead jornalístico, jamais à vida real.

Quem? Eu. Como? Não sei. Quando? Não sei. Onde? Não sei. Por quê? Sei menos ainda. Shit happens. Sabe de nada, inocente. Às vezes, penso que me fudi. Outras vezes, a sensação de ter me fudido é tão boa que me entrego a ela. Quando você responde com “saquei”... Respiro. Inspiro. Mentalizo coisas fofinhas e bonitinhas… Às vezes, substituo por máquinas medievais de tortura. Respiro. Inspiro.

Penso na luz dourada. Na luz violeta. Na rosa. O cheiro que aparece é sempre o mesmo: esse perfume que nem a Sephora vende. Essa conexão instantânea das minhas células olfativas com as epiteliais... E fodam-se os neurônios! Queria ser mais elegante… Desço do salto, aquele que nunca uso, quando inspiro, sinto… Ai.
 
Um silenciador em uma arma de fogo. Um botãozinho emburrecedor? Uma coisa não-física que era também física. Algo que ultrapassava qualquer fronteira e definição prévia. Sem começo, meio e fim. Contínuo. Crescente. Indefinido, de possibilidades (in)finitas. Dentro, possivelmente – com todas as dubiedades que a palavra aceita… (in)finitas.

Foda-se se “o pra sempre sempre acaba”. Se mudarem as estações... viva as vindouras, não as passadas. Sem prisões desnecessárias. Sem essa de começo, meio e fim. Já está pensando no final, antes de chegar ao meio? Coisa tacanha, mesquinha, idiota. Os entres são o que importa. Viva-os.

Não é conselho de auto-ajuda. É gente que já se fudeu (muito!) afirmando: a gente se fode, nascemos para o mundo nos foder sem KY. Que pelo menos a fudelança seja em boa cia, não é mesmo? Enquanto durar. Sem imortalidade, posto que é chama. (In)finito. Escutar a música e dançá-la – melhor do que a surdez ou a paralisia?

O cinismo da vida... Impossível abandoná-lo após certo ponto, certa quantidade de socos no estômago. Pessimismo latente, sempre. A eternidade é essa. And yet... Se joga! Já se fudeu tanto que uma a mais, uma a menos… e se? Pode ser que. As cicatrizes, ao mesmo tempo em que se tornam mais profundas, doem menos. Arrisca. Com medo sim... quem disse que não? 


 


Do pó vim e ao pó retornarei. Na primeira pessoa do plural. Nós. Tomando um veneno anti-monotonia enquanto verbos são conjugados. Beijar. Lamber. Abraçar. Chupar. Abraçar. Pegar. Sentar. Sentir. Engolir. Observar. Adormecer. A concordância verbal poderia ser um pouco mal feita… Ai. Não é. Verbos fortes. Intransitivos. Se bastam. Operam sozinhos, embora em conjunto.

The End. Or Just the beginning.




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To be continued...

10 de jun de 2014

Declarações Simbólicas (pequenas crônicas)

Estava pensando em representações simbólicas. Jogo da velha VS. Xadrez. “Velha” ou “xeque-mate”. Manteve o hífen no novo acordo ortográfico? Houaiss me disse que sim. Ilustrativo; o outro, visualmente mais simples, exprime melhor o significado em imagens.

Xeque-mate:
n substantivo masculino
Rubrica: enxadrismo.
ataque decisivo ao rei, peça mais importante do jogo de xadrez, em que não há qualquer possibilidade de fuga ou defesa, o que implica o término da partida com a consequente derrota do jogador atacado.




E é isso. Você tomba como o rei, sem possibilidade de fuga. Mas não é uma derrota. É algo mais simples, mais alegre. Em que o adversário é, também, vencido – o que não significa, necessariamente, uma derrota. Podem ser pontos interligados, sorrindo por dentro. Uma fuga que não aconteceu, para que os sorrisos viessem. Aquela sensação boa de entrega.

Sexo se faz com qualquer um. Intimidade se divide. Saudade, sente-se. Você poderia engolir a pessoa – mas não o faz porque gosta daquela individualidade, daquela imperfeição. Fascina-se cada vez mais pela paz que a presença daquela pessoa te dá. Gosta de ficar trancada em um quarto com aquela pessoa. Quer engoli-la inteira, mas não o faz.

Os defeitos são, às vezes, tão irritantes que dá vontade de cobrir a criatura de pancadas! E você cobre de abraços e beijos. Ama aqueles abraços e aqueles beijos. Quer matar o dono deles. Às vezes. Quer viver nos braços dele – mesmo quando quer matá-lo! Fodam-se as borboletinhas.

Quando me lembro que sempre perdia as partidas de xadrez para meu pai na infância... Treinava, estudada os manuais, analisava todas as alternativas de jogadas possíveis... Na vida real, aparecia sempre aquela jogada imprevista – afinal, pessoas não tem manual – e xeque-mate. Eu sempre ficava atônita. Devo estar atônita.

A pessoa mais errada de todas... against all odds... É a pessoa mais certa. Odeio gente grudenta. Ao mesmo tempo, o queria mais grudentinho. É ridículo. Todos somos, fomos ou seremos ridículos em algum ponto de nossas vidas. E nos sentimos tão bem, sendo ridículos... Paradoxo dos paradoxos. Detesto gente grudenta, e quero, eu mesma, ser grudenta (luto contra!...rs...).

Mas se eu não quisesse, não teria acontecido. True. E nada mais inverídico. Não quis. E não teve não querer.

Ridículo como um xeque-mate pode ser só um jogo da velha... O senso crítico, quanto à própria ridicularia, se expande e modifica. E tudo isso me ocorreu enquanto eu internalizava a palavra do Senhor... ao ponto de transformá-la em cinzas. Horizontes expandidos. O destino, de fato, é o único que cospe e goza na cara de todos. Deve mijar também. E rir depois. Criminoso hediondo.

Não quero fazer nada hoje a noite... a não ser aproveitar a sua cia, amar você. Sabe como é?... Ridículo. E faz favor de não aparecer só no domingo a noite, sob pena de xingamentos e grosserias.




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To be continued... 

9 de jun de 2014

Colérica (pequenas crônicas)

Então eu estava de cama. Que bom que posso ficar de cama! Comemoro ficar acamada sem precisar dar satisfações a ninguém. Desnecessário fingir que “está tudo bem” quando a vontade é se entupir de ibuprofeno e deitar em posição fetal no escuro... Com sorte, ter uma queda de pressão por causa do medicamento e adormecer ali.

Minha pressão sempre cai com esse remédio e é um alívio não precisar me manter de pé, tentando não ceder, me enchendo de café e açúcar para não desmaiar. Bom humor de mentira – e é claro que todos percebem a mentira. Sorriso cinza, amarelado, desbotado. A produtividade tem uma queda maior do que a pressão...

Posição fetal, no escuro. Adormecer com medicamentos. Acordar como se tudo não tivesse passado de um pesadelo. Uma navalha, cega, raspando as paredes do útero. Não sei qual outro órgão daria essa mesma sensação, se raspado por dentro, por uma navalha cega... os tentáculos da dor atingem, por dentro, pernas, lombar... Do umbigo para baixo, tudo dói... e a dor vem por dentro, desse centro irradiador. Uma ‘Hiroshima&Nagasaki’ particular, interna.

Uma vez por mês. Doze vezes por ano. É a quantidade de dias nos quais eu gostaria de arrancar um órgão específico do meu corpo, apenas para nunca mais precisar passar por isso. Desde os 11 anos de idade. Desumano isso! Tortura. Irônico que seja o útero a me causar tamanho flagelo.




Estava assim, deitada no escuro, quando ele deitou ao lado e perguntou qual era a sensação. Tentei descrever com palavras. Acredito que minha cara de doente terminal explicou melhor. Em vez da bolsa de água quente, um abraço quentinho, aconchegante. Sonhei com um hambúrguer.

Acordei horas depois, sem dor. Com fome. “Vamos tirar uma ‘selfie’ pós-sexo?”. Hahahaha. Ainda fica chateado porque comecei a rir, sem pausa, até engasgar com as gargalhadas? “Era pra você ficar indignada e me xingar...”. “Vem cá que te mostro minha indignação”. Uma coisa leva à outra... e saímos para comer um hambúrguer.

Aquele artesanal, delicioso, que não tem o ‘gourmet’ no nome e não custa uma fortuna. Acompanhado de batatas de verdade. Por um burguer cotidiano define – mas não dá ideia do prazer que o paladar sente ao comer... degustar. Tipo meu estado... a cara define, mas não dá idéia da dor, da vontade de arrancar o útero para se livrar daquilo.

Tato, olfato, audição e paladar se unem depois – um pouco desordenados, mas harmônicos, como o jazz. Um pouco sinfônicos; inspirados, por vezes em Wagner, por vezes em Debussy. De repente... caóticos? Algo que soe como ‘The Great Gig in The Sky’?... Jamais lineares, porém. O engraçado é que a cólica, as sensações que ela provoca, são assim também. A única linearidade entre todas elas é a presença da dor.


E assim, após quase causar um incêndio, inicio esse pequeno projeto de Pequenas Crônicas do Cotidiano do Amor (ou Pequenas Crônicas Cotidiano-Amorosas?). Quem nunca, não é mesmo? É lícito. "Não se apaixonarás” é inviável – quem nunca? Pequenas Crônicas esta semana, para quem ama e para quem odeia o Dia dos Namorados. Que a (des)ilusão esteja convosco, pois ela está entre nós. Sem maniqueísmos. De segunda à sexta – fim.


To be continued...

6 de jun de 2014

o que é família?

Preconceito e fanatismo são duas coisas que cegam tanto, mas tanto... que as pessoas desligam o tico e o teco e viram jegues, quadrúpedes ruminantes que nem se dão ao trabalho de pensar um pouquinho. Exemplo disso é a enquete da Câmara sobre o conceito de núcleo familiar.

Quase 62% dos votantes concordam com a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família. Quero crer que essa maioria seja somente ignorante, mas a realidade me diz que votaram assim por serem contra as famílias formadas por dois pais ou duas mães (homofobia pura e simples!). A cegueira, preconceituosa e fanática, que odeia homossexuais, faz essa maioria excluir todas as outras possibilidades... Chega a ser surreal.

O pior é que ignoram o óbvio: todas as outras famílias que não se enquadram no padrão “união entre homem e mulher” são excluídas – mas deveriam ser amparadas pelo tal estatuto caso algum dia ele venha a existir. Estamos em 2014 D.C. e as pessoas continuam dando passos rumo à Idade Média? É isso mesmo produção?

Não entrarei no mérito das famílias homoafetivas, apesar de claramente ser este o motivo principal que levou a maioria a votar dessa forma. Não concordo com essa definição. “União entre homem e mulher”? Façam-me o favor! Esse conceito débil e arcaico de família exclui muito mais do que os homossexuais. Tenho amigos e familiares que estão criando seus filhos sozinhos. Mãe solteira (ou pai solteiro) e seus filhos não são famílias? Mãe e filho não formam uma família? Pais que se divorciaram e estão fazendo de tudo para manter uma vida funcional e aprazível para eles e seus filhos não são uma família? A avó, tia ou qualquer parente que está criando o filho de um familiar falecido... não é família?


Família é tão mais do que a união entre homem e mulher... Uma pena que o preconceito e o fanatismo de muitos os impeça de enxergar coisas óbvias.


3 de jun de 2014

o aborto e a revogação da portaria 415

Mentiras foram tão espalhadas pelos “pró-vida”, que o governo voltou atrás e revogou a portaria que regulamentava o atendimento aos casos de aborto (já previstos em lei!) pelo SUS. É minha gente, o aborto NÃO foi liberado no Brasil nem por esta agora falecida portaria e nem por nenhuma outra – alegar isso é, no mínimo, um misto de má fé com ignorância.

Mentiras a parte, encaremos os fatos. A ilegalidade não impede a prática do aborto, só a torna menos segura e mata mais mulheres. Gente da classe alta simplesmente paga o aborto quando precisa e quem mais morre, nesta equação, são as mulheres pobres. E, apenas para ficar no caso de país vizinho, em 6 meses de legalização o Uruguai não registrou mortes de mulheres por aborto e é um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo.

A política pública do governo uruguaio tem o objetivo de diminuir a prática de abortos voluntários a partir da descriminalização, da educação sexual e reprodutiva, do planejamento familiar e uso de métodos anticoncepcionais, assim como serviços de atendimento integral de saúde sexual e reprodutiva. Dá para entender que isso é bem diferente de colocar o aborto como um método contraceptivo e banalizá-lo?

Não falem absurdos como “engravidou porque quis”... A saúde no Brasil é tão boa assim que todas tem acesso a atendimento médico adequado, contracepção segura, educação sexual e reprodutiva? Por acaso o SUS (e a saúde nacional em geral) é uma ilha de excelência apenas nesse aspecto? Saiam da Torre de Marfim pelo amor dos deuses... A realidade passa longe disso!

SE houvesse uma estrutura na qual todas as mulheres DE FATO tivessem acesso à educação sexual e reprodutiva, exames, métodos contraceptivos adequados... e SE, associado a isso, houvesse uma estrutura na qual tivessem acesso a atendimento psicológico no caso de uma gravidez indesejada... e SE, associado a isso, houvesse uma estrutura na qual tivessem acesso ao aborto seguro... Gravidezes indesejadas seriam impedidas, mortes de mulheres seriam impedidas e abortos seriam impedidos. Mas é difícil pro fundamentalismo enxergar e entender isso né...

Minha posição, pessoal e intransferível, pode ser encontrada aí na barra lateral (basta clicar na tag aborto). Deixo alguns links com textos sobre a revogação dessa portaria e sobre o assunto para quem se interessa pelo tema: