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21 de jun de 2014

Ai Rutinha (metáforas)

Querer esfaquear o som do carro. Uma crônica. Pós McDonalds. No feriado. Ai Corpus Cristi gordo... É isso. Queria esfaquear o som daquele carro quando tocou aquela música. Sensação ruim que dá o sofrimento auditivo causado pela emissão de certos sons viu... Por que justo essa pessoa faz isso? (e não conseguir não gostar dessa pessoa que faz isso... é o quê?)

Então justo algumas pessoas que tinham reputação ilibada no quesito compartilhamento de textos interessantes/inteligentes/engraçados... Por que justo essas pessoas estavam compartilhando ESSE texto? Juro: quando li o título, achei que era algo humorístico. Quis esfaquear a tela do computador! Sensação ruim... a (minha) leitura, as pessoas endeusando acriticamente, mulheres lamentando “olha aí porque estou solteira”... mimimi.

Não vou nem falar dos homens porque né... Dispenso os manés. Esses aí, que você generaliza como sendo todos. E nossa... graças aos deuses não são! Por que outra razão eu continuaria insistindo neles? (além, é claro, de sentir tesão nessa raça) No fim das contas, são as diferenças que importam. E é isso que você parece não (querer) enxergar...

Masculinidade... Feminilidade... Não entendi querer questioná-las fazendo exatamente aquilo que o conceito delas já faz: estereotipar, generalizar, moldar, uniformizar. Quanto aos homens, nem me incomoda... eu mesma já encontrei tantos idiotas estereotipados que perdi as contas! (de repente, eles se tocam que não precisam ser assim...) Muito mais do que mulheres, inclusive...

Desprezar as possibilidades de individualidades e, principalmente, de vontades, femininas é o que me incomoda no seu texto. Nada daquilo, por exemplo, me representa – embora eu também seja da geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivada a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a minha independência. And yet... Oi? 


Ao contrário... No que diz respeito a relacionamentos e a papéis sociais, a maioria de nós foi criada para submeter (a alguém), agradar (a alguém), respeitar (a alguém), investir (em alguém), abrir mão (por alguém), ter medo (de alguém), silenciar (por alguém). Coloque os alguéns no plural para todos os verbos! Esta é a realidade. Em nível individual e coletivo. No sexo e fora dele. Independente da classe social – e o texto faz menos sentido ainda se o pano de fundo da história for uma cidadezinha do interior (como a da minha família) ou do sertão nordestino... na qual essas mulheres são ainda mais escassas.

E eu poderia falar de outros países e culturas, aproveitar os times da Copa e buscar a realidade daquelas nações que estão sendo representadas em campo... Permanecer no Brasil basta. Nossa realidade contemporânea é múltipla e diversa o bastante, em todos os aspectos, para ilustrar fossos. E em qualquer assunto. Basta esse espaço amostral país-continente.

Poderia ser lida como uma crítica ao machismo estrutural, pela exposição de homens despreparados para lidar com essas novas mulheres... Com boa vontade. Convenhamos: ficou mal feito. O que há ali é uma exposição das neuras e inseguranças femininas, sem ligá-las, de fato, ao machismo estrutural e, por outro lado, resumindo toda a feminilidade a ter um homem... Ai, preguiça sabe. Liberdade para sequer pensar em qualquer coisa que qualquer homem vá pensar sobre minha liberdade, cadê?

E eu poderia falar de outras mulheres, afinal conheço várias e já li várias... Permanecer em mim basta – posso ser meu espaço amostral. Minha personalidade é múltipla e diversa o bastante para ilustrar que, criada para ser independente e ganhar o mundo, não sou representada. Fui criada para pensar sobre o que o homem quer e agir de acordo com isso viu – eu e a maioria; foi e continua sendo. Seja livre e independente (do mundo), mas submissa nos relacionamentos (heteros, porque deusolivre homos!).

De repente, leio um texto que pretende discutir a nova mulher, mas acaba por resumir tudo a pensar em como o homem vai lidar com essa nova mulher. Se ela é nova, e o mundo é velho... O que ela, sujeito da ação e da mudança, quer? Tenta-se fugir da submissão feminina submetendo-a (e justamente a o que o homem quer). Mais um texto falando de liberdade feminina e ligando-a a vontade do homem, pautando-a por ela... Apenas.

A incrível geração que foi criada para não perceber que está no século XXI e que foda-se o que o homem quer. Apenas mais um texto repressor - e pior: escrito de forma a aparentar ser libertário! Não caia nessa hein! Liberdade, desde que aprovada-entendida-vista pelo ponto de vista masculino ou ligada a ele? 

Pra mim ficou um “ai, sou livre e independente”... “ai, por isso estou solteira”... “ai, ele não me quer”... “ai, vou ficar pra titia”... “ai...tudo girando em volta da vontade do homem”. Mas... Daí terminei a leitura me perguntando: e o que essas mulheres querem? Esse tipo de hominho medroso? É isso aí a vontade dessa mulher? E na boa... se essa mulher se importasse com o que o homem quer, ela seria quem é? Liberdade de foda-se, cadê?

Pois é... ando dando tanta importância aos jogos da Copa que, em meio a intermináveis compartilhamentos de textos e imagens copísticos, um texto não relacionado com futebol me chamou a atenção. A Marjorie Rodrigues escreveu uma excelente resposta AQUI – como continuei com um mal estar engasgado mesmo após ler essa resposta que me representa, resolvi comentar o ‘original’ também.








That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.