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12 de jun de 2014

Apenas (pequenas crônicas)

“Não sei o que ele sente”. Foda-se. Não sei nem o que eu sinto – só sei que sinto. O quê, exatamente? Sei lá. Deveria me importar? Disposição, tenho. Para muitas coisas, exceto para jogos. Cansadinha dessa improdutividade, sabe? Jogos... Preguiça deles. Em que ponto da escala evolutiva o ser humano aprendeu que era excitante e divertido se fazer de difícil? Só por jogar?... Acho brochante. Improdutivo. Gasto desnecessário de energia. Se joga!

Se quebrar é inevitável, se jogar é opcional. Releituras poéticas realistas. C’est La vie. Uma variante, elegante, de shit happens. Sentimentos conflitantes: a fratura menos exposta vem com a ‘jogação’ ou com a falta dela? A exposição, não abre caminhos inexplorados? Abrir-se não é, também, um libertar-se? De velhos vícios, de velhos medos... Old habits die hard.

Não tatuei essa palavra à toa no meu corpo. Sou viciada nisso. Liberdade. Essa (in)segurança que só ela é capaz de me proporcionar. Não sei pensar uma relação em sua ausência. Ruim com ela, pior sem ela. Não sei viver sem ela – a liberdade – e não quero que ninguém precise viver sem ela. Ela está entre nós – dever estar!

Se houver uma onipresença, é a dela, da liberdade. Individualidades, que se mantêm e que se somam. Sem essa de fusão! Em vez de um uníssono, no mínimo três: as duas iniciais e a intersecção delas. União, talvez. Um conjunto matemático de cálculos incertos. Cheio de tangentes.

A geometria espacial, na qual retas se tornam curvas... Tato, olfato, paladar, audição... e visão. Fissão ou fusão, quem se importa? A energia, de repente, está indo e vindo, numa troca, numa mistura. O roteirista dessa nossa vida está sempre se embebedando, se drogando... Cicatrizes são compulsórias. C’est La vie. Acontece com ou sem nossa autorização expressa.

Pelo menos curte, sorri (in)finitamente... até que o corte venha. Ele virá – passem a vida toda juntos... um dia alguém morre antes do outro, causando uma ferida profunda, quase incurável. Se joga! Antes das lágrimas vem os sorrisos – aqueles imprevistos, naturais, cheios de... Chocolate! Se tivesse que descrever o que lhes dá aquela aura de felicidade, descreveria como chocolate.

Um Lindt. Kopenhagen. Algum dos mais suculentos. É, chocolates podem ser suculentos. Então monto um manual de como agir com ele em minha cabecinha, passo a passo. O roteiro está escrito, estudado, pensado. Quando ele chega... Esqueço os atos, as cenas. Recebo-o aos beijos e abraços; frágil e assertiva. Por que brigar se podemos aproveitar melhor nosso tempo? Alguém seguiu alguma das sugestões do roteiro? Recomendações inúteis diante de improvisos e de açúcar.


 


Atuações... Quanta desnecessidade sendo vendida como algo necessário. Lei da Oferta e da Demanda. Eu? Apenas gosto desses momentos de tirar o fôlego... a dois. Perco o ar enquanto me acho. Sem usar símbolos de posse, como um cadeado, para representar nada. Ideia profundamente perturbada, não? Anular as agências das pessoas envolvidas, colocando-as em uma masmorra?

Talvez amar seja um verbo perturbado. Sua negação também o seja. Mas precisa ser destrutivo das subjetividades? Apenas gosto. E perco o ar.




> Pequenas Crônicas começou AQUI. Esse que você acabou de ler é o quarto, de um total máximo de cinco textos (total que sabe-se lá se será atingido...). Obra de ficção e portadora de figuras de linguagem – então stop the mimimi!


To be continued...