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11 de jun de 2014

Começo, Meio e Fim (pequenas crônicas)

Quem foi o idiota que enfiou nas cabeças das pessoas que todas as coisas passam por essas etapas? A única etapa verídica é o que há entre. Entre aquele sentimento que começou sabe-se lá onde. Entre aquele sentimento que morreu sabe-se lá onde (e que pode nem morrer!). “Quem, como, quando, onde, por quê?” podem servir ao lead jornalístico, jamais à vida real.

Quem? Eu. Como? Não sei. Quando? Não sei. Onde? Não sei. Por quê? Sei menos ainda. Shit happens. Sabe de nada, inocente. Às vezes, penso que me fudi. Outras vezes, a sensação de ter me fudido é tão boa que me entrego a ela. Quando você responde com “saquei”... Respiro. Inspiro. Mentalizo coisas fofinhas e bonitinhas… Às vezes, substituo por máquinas medievais de tortura. Respiro. Inspiro.

Penso na luz dourada. Na luz violeta. Na rosa. O cheiro que aparece é sempre o mesmo: esse perfume que nem a Sephora vende. Essa conexão instantânea das minhas células olfativas com as epiteliais... E fodam-se os neurônios! Queria ser mais elegante… Desço do salto, aquele que nunca uso, quando inspiro, sinto… Ai.
 
Um silenciador em uma arma de fogo. Um botãozinho emburrecedor? Uma coisa não-física que era também física. Algo que ultrapassava qualquer fronteira e definição prévia. Sem começo, meio e fim. Contínuo. Crescente. Indefinido, de possibilidades (in)finitas. Dentro, possivelmente – com todas as dubiedades que a palavra aceita… (in)finitas.

Foda-se se “o pra sempre sempre acaba”. Se mudarem as estações... viva as vindouras, não as passadas. Sem prisões desnecessárias. Sem essa de começo, meio e fim. Já está pensando no final, antes de chegar ao meio? Coisa tacanha, mesquinha, idiota. Os entres são o que importa. Viva-os.

Não é conselho de auto-ajuda. É gente que já se fudeu (muito!) afirmando: a gente se fode, nascemos para o mundo nos foder sem KY. Que pelo menos a fudelança seja em boa cia, não é mesmo? Enquanto durar. Sem imortalidade, posto que é chama. (In)finito. Escutar a música e dançá-la – melhor do que a surdez ou a paralisia?

O cinismo da vida... Impossível abandoná-lo após certo ponto, certa quantidade de socos no estômago. Pessimismo latente, sempre. A eternidade é essa. And yet... Se joga! Já se fudeu tanto que uma a mais, uma a menos… e se? Pode ser que. As cicatrizes, ao mesmo tempo em que se tornam mais profundas, doem menos. Arrisca. Com medo sim... quem disse que não? 


 


Do pó vim e ao pó retornarei. Na primeira pessoa do plural. Nós. Tomando um veneno anti-monotonia enquanto verbos são conjugados. Beijar. Lamber. Abraçar. Chupar. Abraçar. Pegar. Sentar. Sentir. Engolir. Observar. Adormecer. A concordância verbal poderia ser um pouco mal feita… Ai. Não é. Verbos fortes. Intransitivos. Se bastam. Operam sozinhos, embora em conjunto.

The End. Or Just the beginning.




> Pequenas Crônicas começou AQUI. Esse que você acabou de ler é o terceiro, de um total máximo de cinco textos (total que sabe-se lá se será atingido...). Obra de ficção e portadora de figuras de linguagem – então stop the mimimi!

To be continued...