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10 de jun de 2014

Declarações Simbólicas (pequenas crônicas)

Estava pensando em representações simbólicas. Jogo da velha VS. Xadrez. “Velha” ou “xeque-mate”. Manteve o hífen no novo acordo ortográfico? Houaiss me disse que sim. Ilustrativo; o outro, visualmente mais simples, exprime melhor o significado em imagens.

Xeque-mate:
n substantivo masculino
Rubrica: enxadrismo.
ataque decisivo ao rei, peça mais importante do jogo de xadrez, em que não há qualquer possibilidade de fuga ou defesa, o que implica o término da partida com a consequente derrota do jogador atacado.




E é isso. Você tomba como o rei, sem possibilidade de fuga. Mas não é uma derrota. É algo mais simples, mais alegre. Em que o adversário é, também, vencido – o que não significa, necessariamente, uma derrota. Podem ser pontos interligados, sorrindo por dentro. Uma fuga que não aconteceu, para que os sorrisos viessem. Aquela sensação boa de entrega.

Sexo se faz com qualquer um. Intimidade se divide. Saudade, sente-se. Você poderia engolir a pessoa – mas não o faz porque gosta daquela individualidade, daquela imperfeição. Fascina-se cada vez mais pela paz que a presença daquela pessoa te dá. Gosta de ficar trancada em um quarto com aquela pessoa. Quer engoli-la inteira, mas não o faz.

Os defeitos são, às vezes, tão irritantes que dá vontade de cobrir a criatura de pancadas! E você cobre de abraços e beijos. Ama aqueles abraços e aqueles beijos. Quer matar o dono deles. Às vezes. Quer viver nos braços dele – mesmo quando quer matá-lo! Fodam-se as borboletinhas.

Quando me lembro que sempre perdia as partidas de xadrez para meu pai na infância... Treinava, estudada os manuais, analisava todas as alternativas de jogadas possíveis... Na vida real, aparecia sempre aquela jogada imprevista – afinal, pessoas não tem manual – e xeque-mate. Eu sempre ficava atônita. Devo estar atônita.

A pessoa mais errada de todas... against all odds... É a pessoa mais certa. Odeio gente grudenta. Ao mesmo tempo, o queria mais grudentinho. É ridículo. Todos somos, fomos ou seremos ridículos em algum ponto de nossas vidas. E nos sentimos tão bem, sendo ridículos... Paradoxo dos paradoxos. Detesto gente grudenta, e quero, eu mesma, ser grudenta (luto contra!...rs...).

Mas se eu não quisesse, não teria acontecido. True. E nada mais inverídico. Não quis. E não teve não querer.

Ridículo como um xeque-mate pode ser só um jogo da velha... O senso crítico, quanto à própria ridicularia, se expande e modifica. E tudo isso me ocorreu enquanto eu internalizava a palavra do Senhor... ao ponto de transformá-la em cinzas. Horizontes expandidos. O destino, de fato, é o único que cospe e goza na cara de todos. Deve mijar também. E rir depois. Criminoso hediondo.

Não quero fazer nada hoje a noite... a não ser aproveitar a sua cia, amar você. Sabe como é?... Ridículo. E faz favor de não aparecer só no domingo a noite, sob pena de xingamentos e grosserias.




> Pequenas Crônicas começou AQUI. Esse que você acabou de ler é o segundo, de um total máximo de cinco textos (total que sabe-se lá se será atingido...). Obra de ficção e portadora de figuras de linguagem – então stop the mimimi!


To be continued...