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24 de jun de 2014

Obrigada Brasil (metáforas)

É, obrigada. Independente do resultado daquele jogo ruim, toda vez que você entra em campo o guardião da minha cama fica mal... Aconteceu ontem de novo. Fogos de artifício, buzinas, gritos, vuvuzelas... O bichano fica estressado, assustado, se esconde embaixo da cama, não come nem dorme direito.

Guardião da cama ANTES da Copa


Por mim, esse negócio primitivo chamado futebol não existiria. Além do barulho (e da sujeira!) que polui a cidade, é tudo cheio demais. Cheio de coisinhas do tempo das cavernas. Cheio de preconceitozinhos. Cheio de clichês e de senso comum. Argh! Não odeio copas por motivos de: desculpas para encontrar as pessoas. Apenas. Ou seja... (dá para notar que não sou das fãs do esporte e dos festejos, espero)

Num desses encontros com as pessoas, entre um copo de cerveja e um de qualquer outra coisa, surgiu o assunto Passaporte Sexual. E eu... What the fuck? Já provei carne brasileira, argentina, colombiana, francesa (vive La France!)... Mas sou daquelas que até solteira, estudando em outro país, acaba topando com brasileiro (no princípio, geralmente se aproximam achando que sou gringa...rs...). Por que estavam falando disso? Ah, Copa.

Aparentemente, segundo dizem, “as únicas pessoas que estão gostando da Copa são as putinhas que estão dando pros gringos" e está "aberta a temporada de fingir que é gringo pra pegar a mulherada" (e essas são das coisas mais meigas que vi/li/ouvi por aí). O tom depreciativo, às vezes revoltado, com que as pessoas dizem as coisas é uma verdadeira aula de etiqueta! Atrás de uma tela de computador – ou solto pelo álcool – o ser humano é um poeta!

Engraçado como não se fala assim, nesse tom depreciativo-revoltadinho, quando são os machos brasileiros honrando suas bolas correndo atrás de gringa loira né... O assunto, as putas, são as gringas loiras, lógico! O macho brasileiro só se deu bem comendo uma gringa ué. Do mesmo jeito que o macho gringo só se deu bem comendo uma puta brasileira ué. Honra às bolas!

Ai ai... o futebol pode até ser uma caixinha de surpresas, mas essa previsibilidade museológica  que o transforma num micro cosmo tosquinho da realidade... ai... isso mata. Às vezes, é tudo mais previsível do que comédia romântica! Risível. Com um quê de surpreendente. Se ao menos fosse boa a surpresa... Mas nem nisso o ser humano surpreende?


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That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.