Páginas

18 de jun de 2014

Pequenas porções (metáforas)

Tentei usar unhas verdes ontem. Sabe como é, jogo da seleção. Não deu certo. Hoje, voltei ao vermelho. Talvez, as roupas também devam voltar ao luto habitual. “Eu sou um negro gato” – por favor, na voz de Marisa Monte.

Estou enjoada. Não sei se é apenas físico (ou se há uma parcela de enjôo de você que somatizou e está se manifestando fisicamente... ou pode só ter sido aquela torta com palmito e um requeijão estranho do almoço... sei lá). Enjoadíssima, segurando a vontade de vomitar. Quase. Chegou perto quando li a resposta.

“Estou com saudades”. Cri cri cri. De repente, a fala brilhante: “hehehe”. Gênio! Bela resposta. Para perder alguém. Oi? Tinha preguiça. Tenho enjôo. De você e de toda essa politicagem que tem sido feita por aí (política e não politicamente falando). Tudo se resume a mais do mesmo. Inclusive grandes seleções passando vexame – ai, jogo(s) medonho(s).

Imagem: The Time-Tested Genius of Absurdity (by sgibb on deviantART)

Pequenas porções. De amor. Tem gente que não sabe dá-las. E, de repente, se surpreendem com uma morte prematura que, ao outro, parecia premeditada. Tem gente que as dá. E, de repente, se surpreendem com pequenas porções recebidas. E tem você – aquela gente que não sabe dá-las e que as dá.

Um dia a discussão chega – silenciosa ou não. Se um dia lhe perguntei algo com a voz doce... (e veja bem, não é sexy, nem manhosa – é doce!). Não é preciso estar apaixonado para escrever sobre como é estar apaixonado: basta já ter estado. Uma, duas, três... sei lá quantas vezes! Parecia não querer. De repente, queria. Depois, não queria. Isso aí são pequenas porções de tortura – para quem está apaixonado.

A gente sente que isso aconteceu ou está em vias de acontecer. A gente escolhe também. Se já aconteceu, podemos continuar nisso ou não. Se está em vias de acontecer, podemos dar espaço para que aconteça ou não. Escolhas. E o clichê, confirmado pela vida, é que toda escolha é uma renúncia.

Cada um está disposto a renunciar coisas diferentes. Cada um pode, em diferentes épocas da vida, estar disposto a renunciar coisas diferentes. O que renuncio hoje, provavelmente não é o que renunciaria há 15 anos. And yet... continua sendo. Coisas que a gente pensa assistindo a um enfadonho jogo Brasil e México, regado a cevada, plantas e boa cia.

Não bastasse o futebol... essa Copa...  Aguardem o FlaxFlu 24 horas por dia que virá! É... Essa merda chamada 2014 também é ano de eleições. Tudo uma merda – da minha vida pessoal ao panorama político-econômico-social mundial. Não sei se procede, mas a mim parece um ano regido por Shiva. Força na peruca que ainda não foi nem metade!

Sabia que amanhã é feriado? Mais um, em pleno período feriadístico que acontece de 4 em 4 anos. Segunda também será feriado viu. É chato que eu tenha vontade de te ver e pense em usar os períodos de copa como mais uma desculpa para estar contigo?... Ao mesmo tempo, às vezes prefiro ficar em casa sozinha, assistindo Alemanha x Portugal, Espanha x Chile... ou apenas lendo, vendo um filme. Eu e meu gato, em silêncio. Chocolate derrete na boca...



Essa semana, já ganhei pequenas porções de amor – vieram disfarçadas de ‘mini-chocolates’ e de sinceridade/consideração. Partiram de pessoas diferentes, e isso me faz feliz. Nessa mesma semana, também já ganhei pequenas porções de indiferença – vieram disfarçadas de... (estou optando por ignorá-las, pelo bem da minha sanidade). Se não me faz bem, melhor ignorar. Mantra interior foooodaaaa-seeee em linguagem Budista-coloquial de rua.

O que odeio? (em você, em situações, em jogos, em politicagens, etc...) Esse roteiro pré-escrito... que me dava preguiça... Ai, me dando enjôo sabe... S.E.M. N.O.Ç.Ã.O. A.P.E.N.A.S. Ignorando... ou tentando.

That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.





NOTA: semana passada publiquei, voluntariamente, uma série de cinco textos – não sobre a mesma história, mas sobre o mesmo tema – um pequeno projeto de Pequenas Crônicas do Cotidiano do Amor (ou Pequenas Crônicas Cotidiano-Amorosas?). Desejando que a (des)ilusão esteja convosco, pois ela está entre nós. Sem maniqueísmos. Os textos, de segunda a sexta, foram: Colérica; Declarações Simbólicas; Começo, Meio e Fim; Apenas; Hoje.

Acho que esta semana comecei, involuntariamente, uma nova série – com número indefinido de textos; o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro é ESSE.