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16 de jun de 2014

Prioridades x Copa (metáforas)

Apenas isso. Nada pessoal, de verdade. Não, você não fez nada errado e não te odeio nem guardo mágoas. Você foi importante, não é mais. Desimporta, de verdade. Não faz mais parte, não encaixa mais e, algumas vezes, causa até sintomas desagradáveis.

Prefiro ter por perto quem me traga apenas energias boas. Vibrações positivas. Que me faça vibrar de modo a procurar meu melhor. Amor para mim, por exemplo, não é uma prioridade por si mesma, tampouco a amizade. Podem passar a ser ou deixar de ser – depende, entre outros fatores, do que estou recebendo. Trocas, interesses... por que não?

Todos temos. Todos trocamos no dia a dia. A diferença está em o quê, como. Há quem busque status ou bens materiais. Há quem busque fidelidade no modelo patriarcal da coisa. Há quem busque honestidade, sinceridade. Há quem busque sexo. Há quem busque uma mistura dessas coisas. E há cada um de nós, que não sabemos o que estamos buscando até que encontremos.

Então cada um de nós segue um caminho. Que podem voltar a se cruzar ou não – e não entendo porque certas pessoas, na ânsia de reviver um passado que não existe mais, tentam forçar o cruzamento de caminhos (próprios ou alheios). Acontece (ou não), aceitemos. Às vezes, as pessoas apenas não querem – aceitemos isso também.

E cada um, indivíduos e povos, tem sua prioridade. Muita brasilianidade pode fazer mal – no cotidiano e em conjunto. Não consigo admirar quem prioriza o que me desimporta. E admiração é uma base necessária para o respeito, a confiança, o querer melhorar. Que se dane quem me pede respeito e ajuda a foder geral sem KY – sim, Dilma, vá tomar no cu! E que se dane quem fica deslumbradinho escrevendo e compartilhando que torcida do Japão ajuda a limpar estádio depois do jogo.

Espanta torcedores levando embora o lixo? Já pararam pra pensar que... Isso só é notícia em país de gente porca, que nunca ajuda a limpar (ou a cuidar e manter limpo) nada? Aplaudir os japoneses todos querem... já seguir o exemplo e serem 'civilizados' no dia a dia... Muito difícil né? Prioridades...

Hello! Eles só fizeram o que gente civilizada deveria fazer: levar um saquinho de lixo para levar embora o lixo que ajudaram a produzir. Será coincidência que eles reconstruam tudo após um tsunami mais rápida e eficientemente do que construímos um estádio? Será coincidência que aqui a gente encontre lixo em cachoeiras dentro de parques nacionais? (aliás... custa levar saquinho de lixo pras cachus minha gente?!? Custa?!?).

Não é a toa que aquelas ilhazinhas medíocres são aquele país foda. E que esse continente foda seja esse país medíocre. Decisões diárias, que partem não só da política e dos políticos, mas também de cada cidadão, todos os dias. Individualmente, talvez caiba somente a cada um pensar em sua fodisse e em sua mediocridade – e definir suas prioridades a partir disso.

Pequenas noções de civilidade mostradas por torcedores japoneses. Pequenas lições não aprendidas por nós em mais de 500 anos. E o assunto inicial do texto perdeu-se (ou não). Relevem. Comemoro goleada da Alemanha com a mesma indiferença com a qual acompanho jogos do Brasil. E, talvez, me afaste assim... com certa indiferença. A verdade é que certas coisas cansam – e que cada um tem a sua própria versão das certas coisas que cansam.

Se o país, a pessoa, a situação... se seja o que for... Cansou? Mude-se ou se mude. Não adianta cobrar mudanças externas, quando as internas não são feitas, tentadas. Para cada dedo que aponta há, no mínimo, três apontando de volta. Que tal, em política e na vida, parar de procurar e apontar os erros alheios?... E, em vez disso, olhar para si? Procurar em si?

O quê? Cada um sabe. A verdade é que, se não mudarmos como indivíduos, não podemos esperar mudanças no coletivo. Seja este coletivo: um solteiro e seu gato, um casal, uma família com filhos, uma cidade, um país, um grupo de amigos. E, de alguma forma, tenho procurado ficar mais próxima a pessoas que queiram algumas mudanças, em todos os níveis de agrupamentos... E não sei mais ficar perto de quem apóia – direta ou indiretamente – injustiças, linchamentos (físicos ou morais).

Em nível coletivo. E individual. That’s all folks. Enough com essas metáforas do dia proporcionadas pela Copa


E não custa lembrar, como bem disse meu amigo Diogo Ferreira, biólogo: “Os japoneses realmente são muito educados... eles catam o lixo do estádio e matam as baleias e golfinhos que cagam nos oceanos! Vocês deveriam aprender com eles...”  Tudo tem seu pró e seu contra – a vida não é esse maniqueísmo burro que divide tudo numa luta entre bem e mal. A realidade não é feita de mocinhos e vilões (apenas, mas também).