Páginas

9 de jul de 2014

Vergonha (metáforas)

Não é segredo qual era (e continua sendo!) minha torcida nesta Copa. A seleção que, para mim, apresentava o melhor futebol, educação, classe, assessoria de imprensa e que estava sendo a miss simpatia dessa competição nunca foi a brasileira. Quem ganha é quem está mais preparado, não quem tem ego, choro, megalomania... Deram um show de futebol e, fora dos gramados, demonstram respeito e civilidade (coisas que estão em falta por aqui).



Vergonha, caros patriotas que agora queimam bandeiras, não é perder de 7 a 1. Vergonha é que os vencedores respeitem nossa seleção mais do que os próprios brasileiros, aqueles que são brasileiros com muito orgulho e com muito amor apenas na vitória. Vergonha tenho dessa gente que queima a própria bandeira por causa de futebol... e dessa gente que agride torcedores adversários por comemorarem uma merecida vitória... e dessa gente que ataca ônibus, saqueia lojas, promove a violência... e dessa gente que agora xinga e ofende os jogadores do seu país, esquecendo que, bem ou mal, já estão entre os 4 melhores times do torneio. Isso tudo é comportamento de criança mimada que não sabe perder viu! 

Brasileiros mostram suas fraquezas fora de campo... (e não, não estou falando da seleção). E nas redes sociais, gente que eu julgava ter algum conhecimento e alguma cultura geral, tem defecado coisas como “melhor perder uma Copa do que duas guerras mundiais” (e outras piores falando de nazismo, holocausto e o escambau). Vergonha dessa gente também – custa pesquisar um pouco, usar o pai Google? Até 1870/71, nem existia Alemanha... no século XX, por causa das duas guerras, o país foi destruído duas vezes. E nós, independentes desde 1822, com esse território imenso, cheio de riquezas, sem grandes guerras... chegamos onde? Olhar para o próprio umbigo ninguém quer né.

Pesquisando e comparando a situação alemã e a brasileira em tudo... acho, ACHO, que eles ganham... e com uma vantagem maior do que 7x1 viu. A Alemanha goleia o Brasil dentro e fora de campo. E, de repente, falta à seleção brasileira e ao nosso país uma coisa que sobra na seleção alemã e no país deles: projetos de médio e de longo prazo... Não se constrói um time vencedor, muito menos uma nação vencedora, pensando no curto prazo.


Essa Copa foi e continua sendo super valorizada – para o bem e para o mal. O futebol é um fenômeno social. É impressionante como um esporte mobiliza tanta gente, promove tanta interação social, une povos... E, ao mesmo tempo, impulsiona reações desproporcionais como depredação de patrimônio, violência, etc. Será que não passou da hora de repensar o peso que o Brasil dá a esse esporte? Tomar resultados de campeonatos como parâmetro do próprio orgulho e auto estima é um pouco demais, não?

A incrível geração que não sabe perder. Essa torcida que vaia a própria seleção quando está perdendo e aplaude o adversário quando está ganhando é a mesma que se abstém de responsabilidades na sociedade em que vive. A Copa serviu para expor isso várias e repetidas vezes, jogo após jogo. Esta derrota, principalmente pela forma que se apresentou no pós-jogo, pode servir para o brasileiro tomar consciência de sua realidade, de si mesmo? Gostaria que sim, embora acredite que não.


Leia também:


texto sobre David LuizEnfim, um homem sensível



That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.