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7 de jul de 2014

Virose (metáforas)

Vírus é aquela coisa chatinha que vai se espalhando sem muito controle até que identificada a causa de seu espalhamento, até que surja uma vacina... e o país está contaminadíssimo por uma virose chamada Copa. A contaminação ficou mais forte, insuportável e fora de controle desde que o santo foi quebrado. Tadinho dele... continua com seus milhões, sua Marquezine e foi alçado ao patamar de santidade.

A FIFA não vai punir o colombiano que fez a falta em Neymar e tem muita gente revoltadinha com isso. Todo jogador que agride deslealmente o outro pelas costas deve ser banido do futebol... é mesmo? Bom saber! Por essa lógica, o próprio Neymar (e tantos outros!) já deveria ter sido banido há tempos. Não é só porque é Copa que o cidadão é canonizado ok – existe inclusive todo um processo para a canonização junto ao Vaticano e neymala é tudo, menos santo.

"onde está Wally?", oops... onde está Neymar?

Sinto muito por ele? Lógico. A entrada nele foi dura e covarde, sofrer uma lesão é uma merda (e deve ser uma merda maior ainda isso acontecer no meio de uma competição importante!)... mas ele vai se recuperar, continuar ganhando seus milhões e fazendo suas macaquices. Faz parte. O curioso é que parece que outros esportes não existem e que tudo vai ótimo na terra da fantasia.

No mesmo fim de semana em que se decidiam os semi finalistas da Copa, um outro brasileiro competia pelo título de campeão. Lyoto perdeu a luta, mas jogou muito! De repente, o colombiano deu uma joelhada achando que estava numa competição de MMA... vai saber. De qualquer forma, tenho um questionamento: por que Neymar virou o coitadinho nacional e, na época, Anderson Silva virou motivo de chacota?

Na véspera da joelhada, tivemos mais um episódio de Lula on acid. O grande molusco novamente fazia declarações sob efeitos de alucinógenos (preferia quando ele bebia...). Faz todo sentido. Lula está on acid faz tempo – infelizmente, muita gente também está (on acid e vivendo de pão e circo). Tem jogo? Foda-se o resto. Fala-se mais no santo quebrado do que na queda de um viaduto que provocou mortes. O que são mortes se #vaitercopa, não é mesmo? Vírus forte esse viu...



Tadinhos dos jogadores milionários vítimas da violência de outros jogadores... Enquanto isso, fodam-se as vítimas de outra violência: a violência da corrupção, do descaso, da falta de fiscalização e de controle dos bens públicos, da ganância e da sede de poder dos políticos e da vergonha em que se transformaram as obras públicas. Corrupção mata e se transformou em uma doença endêmica no Brasil. Viadutos não caem por acaso; caem por obras mal planejadas e mal executadas.

Do que estão precisando para acabar com o boboalegrismo em torno da maravilha que está sendo essa Copa no país da procrastinação da infra-estrutura? Que caia um avião no estádio durante a final? Que parte de um estádio caia?





That’s all folks. Chega dessas metáforas do dia proporcionadas pela Copa.




NOTA: No dia 16 de junho, houve o começo involuntário de uma nova série – com número indefinido de textos. Dessa vez, o assunto é futebol (sem, necessariamente, estar falando sobre futebol). São as metáforas do dia proporcionadas pela Copa – acabarão junto com a Copa (ou antes...). Sem pretensão de escrever os melhores textos sobre a Copa - são apenas os meus textos sobre a Copa. O primeiro foi ESSE.